uma metrópole sem transporte urbano

A cidade cresce num ritmo muito acelerado, o que faz com que milhares de pessoas comecem a morar cada vez mais distante do centro, em regiões que chamamos de periferia. E a periferia deve ser vista mais em seu sentido geográfico do que econômico, porque há bairros de classe média longe do centro urbano. Ocorre que essa movimentação horizontal não é acompanhada com uma contrapartida de serviços de transporte público. Aqui os administradores da cidade negam o direito à circulação visto que joga para o cidadão uma única possibilidade: mover-se de táxi (uma minoria) ou mover-se de moto (a maioria).

Nesta terça-feira a cidade observou grande movimentação de mototaxistas “clandestinos” pedindo passagem: querem que sejam absorvidos pelo sistema de “transporte público” da cidade. Há 670 mototaxistas regulares em Arapiraca (o que dá uma média de 1 mototaxi para cada grupo de 320 habitantes). Mas o problema grave é a incapacidade flagrante de a Câmara de Vereadores criarem um sistema de transporte público real porque moto não foi feita para o transporte público, pois estes veículos só podem transitar com um passageiro, o que lhe tira o estatuto de transporte coletvo. Moto é transporte individual, não pode ser o centro de nenhum sistema de transporte público e coletivo.

Na ausência de inteligência e sensibilidade dos entes públicos, em primeiro lugar a Câmara de Vereadores que jamais tratou o problema de frente, a Prefeitura, que sempre evitou entrar nesse campo, e o Judiciário, via Ministério Público, que deixam uma população inteira constrangida e sem direito ao transporte coletivo universal. Temos ônibus para pouquíssimas áreas da cidade, são circuitos muito pontuais, basicamente é o mesmo desenho de atendimento de duas décadas atrás. Há ônibus para a zona rural e cidades vizinhas (da RMA) mas para os bairros da cidade não há quase nada. Com raras excessões nosso corredor de transporte resume-se em linhas (com poucos e velhos ônibus) para o Planalto, Ufal, Boa Vista, Primavera e Centro Administrativo. É um sistema altamente ineficiente. Vou dar um exemplo: uma colega que veio de Maceió para morar aqui na área verde disse-me dos constrangimentos que é ficar na calçada esperando mototaxi para ir trabalhar no INSS, no Centro Administrativo. Não há linhas de ônibus para ela!

Imagine-se os milhares de arapiraquenses obrigados a cruzarem a cidade a pé (ora porque mototaxistas cobram um absurdo de R$ 4, ora porque não há qualquer linha de ônibus na região). Com cada vez mais pessoas morando longe do centro, a ausência de um sistema de transporte público barato, universal e eficiente é a nova luta da cidadania local, haja visto que o prometido metrô de superfície continua como projeto. Arapiraca precisa pensar o direito à livre circulação e ao transporte coletivo senão a nossa cidadania continuará incompleta. Vamos nos movimentar.
uma metrópole sem transporte urbano uma metrópole sem transporte urbano Reviewed by davy sales on terça-feira, setembro 20, 2011 Rating: 5
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