o horizonte da próxima eleição em arapiraca


(Fotografia e texto por Davy Sales)

As eleições de 2016 se aproximam, será em outubro. Nesses meses, dias e horas que antecedem o pleito, uma antiga imagem, um antigo arranjo já se apresenta alvoroçado: é o clube dos donos da cidade, dos donos da política local. Suas antigas vozes ouvimos desde a fundação da cidade, e que se repetem e se revezam desde sempre, numa ladainha incansável, uma cantilena que nos deixa relativamente apáticos e passivos sobre o desenrolar do jogo político e sobre quem tem o direito a gerir essa grande e interessante cidade.

Desde que o Brasil tem vivido meses de turbulência legislativo e judiciária, com um golpe branco que afastou a presidenta, essa desordem bateu-nos também à porta. As eleições municipais, pela primeira vez, sofrerão os testes do impacto da Lava Jato, das cassações, prisões e desenrolar de investigações na arena política. Os acontecimentos que giram em torno do falso processo de impeachment acabaram por causar um enorme ruído nas eleições municipais, e dificilmente as candidaturas atuarão longe da influência desses acontecimentos.

As escolhas dos eleitores certamente levarão em conta novas variáveis, é que o eleitor terá na memória a farsa do legislativo federal, bem como as nuanças da mentira judiciária e os conchavos dos antigos coronéis e seus rebanhos de deputados famintos por poder. A ordem legislativa local não sairá do processo incólume. Nossos vereadores sofrerão diretamente os reflexos da política nacional, sendo difícil supor que o esclarecimento político que segue a tragédia do golpe (orquestrado na Câmara e no Senado com auxílio luxuoso do STF) não afetará as decisões dos eleitores brasileiros localmente.

Essa será uma eleição diferente, o novo (a nova) prefeito (a) terá que atravessar a desconfiança geral e propor um projeto de cidade factível, um desenho de cidade que agregue novos traços, novos horizontes de cidadania, que inclua seus excluídos, que avance na construção de uma cidade para todos, e não apenas para os empresários amigos da prefeitura. O eleitorado deve impedir a assunção de um populista tanto quanto um fascista. A cidade deve ser governada por alguém que tenha proximidade com a cidade mais pobre, problemática, pouco assistida, ausente da agenda executiva nos últimos anos.

O enorme crescimento de Arapiraca com sua expansão no território urbano, borrando as fronteiras da área rural é uma das coisas mais visíveis nos últimos anos. É uma pressão principalmente da iniciativa privada, com a chegada de imobiliárias e construtoras sedentas por mercado que tem impulsionado o fenômeno da recente verticalização das construções em andamento na cidade. Pouco ou quase nenhuma atitude positiva vem da prefeitura, que ultimamente parece estagnada, parada, como se Célia Rocha estivesse desistido da cidade e está aguardando para entregar a chave da cidade a um dos seus amigos.

É aqui que o povo precisa ficar alerta, e procurar mostrar sua presença, sua força e mudar a cena do jogo construída nas reuniões dos partidos onde o povo não deu palpite. A política local tem sido produzida e alinhavada em ambientes assépticos, impopulares, local de engenharia do destino da cidade sempre na perspectiva dos que dela tomaram posse e não pensam em dar abertura para novos olhares e novas presenças políticas.

Basicamente não temos candidaturas que venham do povo, em sentido estrito. Desde a fundação de Arapiraca pela sua prefeitura passam e se revezam as famílias mais ricas e seus descendentes. Essa ordem de curral eleitoral e de ambiente coronelista deve ser enfrentado. E há, pela primeira vez, um ambiente político favorável para esse tipo de questionamento. Pode ser que os eleitores arapiraquenses acordem do seu longo sono e tomem a cidade em suas próprias mãos ao perceberem que ela pode ser gerida pelo povo, não apenas por uma casta que pretende se perpetuar para sempre como donos da prefeitura e da câmara de vereadores.

É hora de rever. É hora de propor. É chegada a hora de propor uma nova cidade. É tempo para novas lideranças comunitárias assumirem assento na Câmara de vereadores, e é tempo de termos na prefeitura um filho do povo, que ame essa cidade tanto quanto seu povo. Essa pessoa não pode ser representante dessa elite que aí está e que se perpetua no poder. É chegada a nossa hora. O povo, unido, jamais será vencido. O poder emana do povo e em seu nome será exercido. Amanhã será um lindo dia.

o horizonte da próxima eleição em arapiraca o horizonte da próxima eleição em arapiraca Reviewed by davy sales on quinta-feira, maio 19, 2016 Rating: 5

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