agora que o 30 de outubro já passou

Olhar essa fotografia abaixo é como ver o futuro da cidade. O lago da perucaba tornou-se a menina dos olhos da classe média da cidade e da construção civil. É um bairro planejado, um empreendimento privado, de enorme impacto sobre a vida da cidade. E é justamente essa vertente do crescimento da cidade a maior e mais viável moeda política que os candidatos à prefeitura têm em mãos. Olhar para o mar de pobreza que caracteriza a paisagem do interior de Alagoas e se deparar com o bolsão de desenvolvimento urbano que distingue Arapiraca é uma grata surpresa. Em termos de crescimento econômico e desenvolvimento social a cidade dispara na frente das cidades interioranas, destaca-se por ser polo de atração regional, fincando de vez a bandeira de sua presença e hegemonia como um dos centros urbanos mais vivos do estado. E isso é um bom argumento político, na medida em que é possível dizer que tal movimentação econômica, social e cultural deve-se aos últimos prefeitos, quais sejam, Luciano Barbosa e Célia Rocha. Sabe-se que o volume de investimentos na cidade é mais de ordem privada que pública, pois o interesse pela cidade foi despertado em muitos grupos econômicos.

A direita é possível ver os bairros Manoel Teles e Primavera.

Agora que já passou o dia 30 de outubro, os dias voltam a normalidade, e a maior preocupação dos grupos políticos é manter seu território de poder. E toda o velho toma-lá-dá-cá já fortalece os bastidores: o palco das eleições de 2016 já está montado enquanto os autodenominados donos do nosso atraso já estão a postos para preservarem seu lugar na arena da política, e para isso desejam muito a cadeira da prefeita que tem lugar no Centro Administrativo da cidade. Com toda a força que essa cidade têm demonstrado e a importância que tem sido à ela imputada oferece um quadro comparativo do quanto é disputada a nossa prefeitura.

Célia Rocha já têm a bênção do governador, do ex-prefeito, de parte dos vereadores, dos empresários, de parte dos servidores públicos, e de boa parte dos cidadãos dessa notável cidade. Célia Rocha é muito querida na cidade, tem força política e capacidade de concorrer novamente à prefeitura. Foi duas vezes vereadora na cidade e está em seu terceiro mandato de prefeita (ela decidiu renunciar ao mandato de deputada federal para continuar prefeita). Sua presença política já é parte da história recente de Arapiraca, e assim é um nome muito forte, um ator político difícil de dobrar. Não há como negar que, por uma mistura de sorte e capacidade de articulação política, foi no tempo de Célia & Luciano em que a cidade viu um progresso constante.

O maior pecado das duas administrações foi aportar grandes volumes de investimentos e ignorar a cessação dos bolsões de pobreza da cidade. Apesar da riqueza local, essa abundância econômica está bem concentrada nas mãos de pouquíssimas famílias, não surtindo impacto direto sobre os horizontes mais populares. Um exemplo disso é a notável cegueira com que essas administrações da prefeitura esqueceram os bairros Manoel Teles, Cacimbas II, Primavera, Baixão, Brasiliana, Guaribas e Canafístula do seu projeto de cidade. Todos os olhos estão voltados para o novo bairro da perucaba enquanto esses três bairros continuam a alimentar pobreza e desigualdade para o conjunto da cidade.

A vida política local tem girado em torno de poucos grupos que, assim como a prefeita, perpetuam-se durante longos anos, em sucessão de apadrinhamentos, não necessariamente de uma ampla representação popular. Digamos que não se pode negar o valor da presença da prefeita no cenário político. O que não deve implicar numa negativa para ventos novos. Mas não se vê nada de novo no horizonte. Ainda é cedo. E não é. Parece que ainda nos falta uma presença política de extração popular, um nome ligado às lutas por cidadania. Os nomes que começam a surgir são representações fidedignas das classes altas da cidade, num constante movimento de posse das funções estratégicas da cidade. No momento sentimos que começa a crescer a respiração para que haja novos atores políticos menos compromissados com a velha elite dirigente, mas os que assumem representar o povo são, geralmente, nomes ligados à corrupção e jeitinhos da política local. Estamos a aguardar o desdobramento das candidaturas que virão em 2016.

Se Célia Rocha virá a ser pela quarta vez a prefeita de Arapiraca, impossível afirmar neste momento. O que é certo é que o jogo das eleições de 2016 girarão em torno do seu domínio. Alguns dos nomes que começam a surgir parecem sugerir velhas raposas, alimentadas num projeto de poder pessoal, antes que um projeto de cidade, o que parece ser regra entre nós. A trama eleitoral alimenta um viés de culto personalista e discute pouco ou nada sobre qual cidade o povo quer.

Tudo é feito como se fossem os únicos senhores das nossas lutas e esperanças. E isso ocorre justamente porque nossa tradição política sempre se desenhou sob o lastro do cabresto do curral político. Os que hoje são nossos vereadores e a prefeita se fizeram no cenário político com caridade populista, doando exames médicos, tijolos, carteira de motorista, panela de pressão, cinquenta reais, emprego do parente, promessas de ajuda. Nunca agiram contra a pobreza a partir do direito a cidadania mas como agentes atravessadores entre o direito e o jeitinho. A casta política local resume-se, grosso modo, a isso.


E é isso que mais preocupa. Será que já temos maturidade para um nome arapiraquense que abra a discussão sobre um projeto de cidade que implique uma discussão sobre os problemas mais urgentes e como lidar com o futuro da cidade. Pela a força que Arapiraca têm demonstrado, em sua expansão do território urbano a avançar a passos largos contra as regiões rurais do município, pela movimentação da cidade como polo regional de Alagoas, a verticalização, a duplicação das rodovias do seu entorno, a promessa do aeroporto e a chegada de empreendimentos de porte (como o Ibis, o shopping) exige de todos nós estudar, discutir e planejar qual cidade estamos a construir, e o que esperamos dela daqui em diante.
agora que o 30 de outubro já passou agora que o 30 de outubro já passou Reviewed by davy sales on segunda-feira, novembro 09, 2015 Rating: 5

Um comentário:

Benigno Masterson Santos disse...

Prosperidade materialmente falando sim, mas o atraso político não se desassociou desta querida cidade! É uma pena que o cidadão arapiraquense não saiba questionar seus gestores no quesito "governar para todos".
A pujante Arapiraca ficará estagnada pela falta de projeto de Mobilidade Urbana, como uma cidade de porte médio pode ser tão mal servida pelo transporte público? E o que dizer da promessa do VLT, onde está a força dos nossos políticos em Brasilia para efetuar esta obra?
A cidade se expande e precisa pensar em locomoção digna, sem a qual a qualidade de vida sofrerá reveses incalculáveis... Um vento de mudança, seria a licitação do transporte público, mas, para isso é necessário ter uma política de Estado e não simplesmente de governo. E creio que isso é praticamente impossível de acontecer com a classe política que temos.

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