a cidade castrada e a farsa do call center

Duas décadas de mandatos entre Célia e Luciano na prefeitura fizeram Arapiraca transformar-se. Dificilmente alguém olha hoje para Arapiraca e não surpreende-se com a nova paisagem urbana que nos levou a decretar a região metropolitana do agreste por causa da força aglutinadora que este urbio possui para todas as cidades da região. Apesar de tudo podemos observar investimentos parcos para a sêde dessa cidade, e se olharmos bem de perto o grosso do pouco investimento veio da iniciativa privada e do governo federal. A cidade parece que está com suas contas no vermelho desde sempre e a irresponsabilidade da Câmara e da Prefeitura que simplesmente não dão satisfação à população sobre seus gastos e investimentos dá a noção do quanto vivemos em torno de um poder público ilegal, sem transparência, que parece gastar nossos recursos como se fosse dinheiro privado, sem prestação de contas.
Duas décadas com Célia e Luciano e a cidade continua sem um sistema de transporte coletivo adequado, há três ou quatro linhas de ônibus que cruzam uma pequena parte da cidade, com ônibus velhos, aos farrapos, e com tarifa abusiva. Precisamos dialogar com eles, trazê-los ao debate sobre isso. É muito importante. A maior parte das ruas continuam em chão cru, sem calçamento ou asfalto, o que não deixa de ser verdadeiro também uma constante agenda de calçamentos e asfaltamentos pela cidade. A educação pública continua com salários muito baixos e o atendimento à saúde pública também deficiente, o que parece reproduzir o quadro geral da sociedade brasileira. O lugar de destaque que Arapiraca alcançou diz respeito mais ao povo e a iniciativa privada do que da racionalidade do poder público. Uma prefeita que não discute profundamente a situação onde mulheres e homens pobres são obrigados a pagar transporte individual e privado (mototaxi) para ter o direito a circular pela cidade dá o mote da a ideia, talvez ilusória, de ineficiência da nossa prefeitura e do modo como nossa Câmara de Vereadores é uma extensão incapaz de cobrar da prefeitura.
Uma mostra disso é a prefeita Célia funcionar como garota-propaganda do Call Center. Digamos que é desnecessário, visto que há larga literatura especializada atentando para o problema dessas empresas. Essa empresa chegou por aqui e hoje emprega cerca de 1500 arapiraquenses, ocorre que essa mesma empresa é um ambiente muito ruim para o trabalho, pela altíssima taxa de rotatividade, trabalho estressante, turnos abusivos, entre outros pormenores. O fato de uma empresa chegar aqui com um volume tão grande de postos de trabalho não significa necessariamente um bem público, ao contrário, esse é um ambiente bem nocivo ao futuro dos jovens arapiraquenses, conforme essa reportagem, por exemplo. Num ambiente hostil aos direitos trabalhistas, essa empresa representa o pior para os trabalhadores, para seus rendimentos, sua saúde, seu lazer, sua vida social. Precisamos enfrentar a precarização como modelo abonado de um futuro mais honroso para nossa cidade.

a cidade castrada e a farsa do call center a cidade castrada e a farsa do call center Reviewed by davy sales on quarta-feira, maio 27, 2015 Rating: 5

2 comentários:

Anônimo disse...

Pura verdade!!! Infelizmente nossa cidade ainda não tem uma empresa com a frota de ônibus novos com elevadores, e o absurdo é que os ônibus que chegam em arapiraca todos vêm de cidades onde eles já são considerados velhos por lá. Uma falta de respeito com a população arapiraquense..

Anônimo disse...

Seus textos são muito bons mesmo, queria sugerir que vc criasse uma página no facebook para que outras pessoas também possam ter acesso a essas postagens de Arapiraca, que são muito interessantes e também importantes.

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.