Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina.

Não adianta me enviar convite para dia 26.01 marchar contra Dilma, pelo seu impeachment, pois esse movimento é claramente de direita. Sim, depois de Dilma a própria esquerda oficial é cada vez mais parecida com a direita que ela diz enfrentar. Mentira deslavada, basta ver os novos ministros da presidenta, todos com história política no campo da direita, gente perigosa (como Katia Abreu contra os ecosistemas) ou da lavra de um Levy (que agride direitos de trabalhadores, dizendo que o seguro desemprego está ultrapassado). São as escolhas da presidenta, aquela que disse que lutaria contra essa ordem que ela própria agora volta a alimentar e dar legitimidade. Sim, Dilma traiu a maioria dos seus eleitores, disse que faria assim e fez assado. Verdade, eu não voltarei a votar nela. Óbvio, tenho visto sua incapacidade de atuar como uma Estadista, no máximo dá-se ao luxo de ser uma gerente. Para mim, gritar por um golpe contra Dilma é fazer o papel de uma cidadania irresponsável. O que me deixa triste é ouvir e ver que a maioria que entra nesse processo de golpe contra Dilma avalia que Aécio ou Marina seria diferente, melhor. Eu duvido. E muito. Claro que são siameses, alimentados nos mesmos pecados. Prefiro ajudar a desconstruir a presidenta participando de manifestações críticas, populares, livres. Essa de substituir Dilma por Aécio ou Marina é apenas inveja e ilegalidade. A gente precisa mudar a nossa política, precisamos de um novo horizonte para além desse já marcado por mais do mesmo: incompetência, insensibilidade, irresponsabilidade. Estamos num momento de ultrapassar essa ordem partidária dada: inventar novos partidos que não se alimentem dessa carniça disposta no congresso nacional, um movimento político que quebre a hegemonia dos antigos coronéis e do poder dos conglomerados econômicos sobre nossos destinos (os occupy, os podemos! e outros movimentos pelo mundo mostram que há algumas saídas sendo construídas). E por inventar novos partidos quero dizer uma reinvenção da nossa cidadania política, com partidos que não tenham parentesco com essas agremiações infladas de Canalhas, patifes, coronéis, ladrões e assassinos. É preciso que os coletivos populares se organizem, e ao invés de pensar em golpe, fortalecer frente que estabeleça um novo horizonte de atuação cidadã e que pretenda avançar contra o Brasil desenhado por Dilma, Marina e Aécio. Há futuros possíveis, ainda que, sem dúvidas, com quadros cada vez mais catastróficos, sob qualquer perspectiva, embora hajam caminhos ainda abertos à espera dos coletivos revolucionários, criativos, livres e críticos. É hora de inventar e arriscar se queremos dar ao mundo um novo modelo civilizacional, e para que isso seja possível, é preciso primeiro dar as costas à Brasilia enquanto esta for o império que fomenta a tradição brasileira de injustiças contra nossos futuros possíveis.

Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina. Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina. Reviewed by davy sales on quarta-feira, janeiro 21, 2015 Rating: 5

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