“sade em sodoma” no teatro do SESI arapiraca

Arapiraca abre as portas do teatro do SESI para receber a peça Sade em Sodoma. Raras vezes vemos em nossos teatros algo que fuja de espetáculos de besteirol ou paixão de Cristo. Essa é uma ótima oportunidade para ver e prestigiar o grande teatro, uma espetáculo para fazer pensar e se emocionar. Em cena, o soldado Mathieu (Tárik Puggina) é contratado como guarda-costas de um nobre. Ele narra ao marquês os acontecimentos dos últimos quatro meses. A descrição dos desregramentos ali ocorridos envolve antigas cafetinas, que auxiliaram na criação dos climas de cada um dos 120 dias. O zeloso criado sugere que ele ouça também uma das cafetinas, Madame Duclos (Guta Stresser).

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O texto é direcionado ao Marquês de Sade, para quem as duas personagens Mathieu e Madame Duclos narrem a história. “A montagem é extremamente elegante, requintada e com tudo que o texto imprime: selvageria, prazer através do sexo, crime, violência e escatologia que representa através da comida. A construção dramática da orgia vem pela comida", antecipa o diretor.

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Autor do texto original de "Sade em Sodoma" (de 2008), Flávio Braga afirma que o marquês de Sade é tão atual quanto os massacres que, regularmente, são praticados em pontos obscuros do planeta, e completa: "A matéria prima de Sade são as vísceras da tragédia humana, quando o campo de batalha é o corpo. Seja o corpo étnico, seja o corpo amado, seja o corpo do inimigo. Os conflitos de todas as nacionalidades terminam na questão central, que é o corpo. Sade antecipou, em seu "120 dias de Sodoma", tanto Treblinka quanto Kosovo, tanto Stálin quanto Bush e Putin. Os personagens de Sade defendem a natureza do mal. Sem desculpas étnicas como os nazistas, sem a defesa de dogmas, como a Santa Inquisição e sem a desculpa ideológica, como os genocidas da atualidade. Simone de Beauvoir perguntou: devemos queimar Sade?".

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O ator Tárik Puggina foi quem teve a ideia de levar a novela para os palcos: "Assim que comecei a ler a novela do Flávio Braga, percebi que eu tinha em minhas mãos uma obra de rara qualidade. E que, muito embora não tenha sido escrita para os palcos, projetava imagens lindas em minha mente, como se teatro fosse. Imagens fortes, de grande beleza, que na sua crueza, como é a vida, ecoavam e pediam para serem libertas."

Classificação: 18 anos
Duração: 60 minutos
Quando: 26 e 27 de Janeiro ás 20h
Onde: Teatro do SESI Arapiraca
Informações: (82) 3325-2373
“sade em sodoma” no teatro do SESI arapiraca “sade em sodoma” no teatro do SESI arapiraca Reviewed by davy sales on segunda-feira, janeiro 16, 2012 Rating: 5

2 comentários:

Moab de Oliveira disse...

Discordo que o teatro de Arapiraca seja só Paixão de cristo e “besteirol”!
Temos sim tudo isso, e mais um pouco!
E notável o amadurecimento do teatro em Arapiraca, muitas contribuições por parte dos nossos artistas e do público que está sendo formado, somam grande importância para formação de nossas raízes culturais, visando colher um próspero futuro.
O que falta na verdade são os meios de comunicação parar de ver só espetáculos que tem um ator ou atriz “global” em cena! Concordo que é bem mais atrativo para a mídia, mas a mídia não pode falar que só temos isso.
Nosso movimento e forte e não vem de agora, tivemos grandes espetáculos como “jingle Bell”, “Se o defunto falasse”, “A turma do biribinha”, “Lingüiça antes e depois de casar” e outros que como esses não são besteiróis.
E lembramos que o besteirol é uma forma de teatro sim, e das mais antigas e importantes, que foi muito determinante em uma época que o teatro precisava combater a opressão do império romano.
Em Arapiraca também temos um movimento chamado “Coletivo Camaleão de teatro”, onde todos os artistas de teatro se encontram dois dias na semana para juntos estudar teatro. Esse movimento foi criado como uma das ações da AAMA (Associação dos Artistas de Massaranduba) preocupada não só com a “Paixão de Cristo”, e sim com a formação dos nossos artistas, uma contribuição que nunca foi dada por nenhum outro órgão ou organização de Arapiraca ao nosso teatro.

Moab de Oliveira
Coordenador do teatro do SESI em Arapiraca
Formado em artes cênicas pela UFAL

contraditório disse...

Concordo com Moab, fazer arte de modo geral em nosso Estado é complicado, falta investimento em estrutura e no artista. Temos conhecimento de várias propostas de espetáculos, futuras promessas a serem lançadas, mas, que ainda não saiu do papel por falta de incentivo, patrocínio para serem realizadas.
Trazer globais não é algo ruim, faz com que o público queira conhecer. E é fato que a mídia tem sua responsabilidade nisso. Porém, manter a assiduidade do público é importante. E isso não acontecerá com espetáculos semanais, estrelados por globais. Por tanto, sejam com besteirol, drama, monólogos, com o que for. Toda manifestação artística e cultural é válida.
Ano passado houve também no SESI a III Festival de Teatro de Arapiraca Mostra Zé de Sá, ao que me consta com espetáculos de qualidades e com bom número de espectadores. O que contribuiu para esses resultados? Foram os esforços dos interessados em levar arte ao povo. A Divulgação deste festival foi realizada em sua maior parte por seus idealizadores.
Então, faremos um trato, vamos divulgar os espetáculos, seja global, ou não, besteirol ou sadista...
Trata-se do esforço de muitos que acreditam que levar arte ao povo é um compromisso social, e que desta forma contribuirão para a formação do ser pensante e crítico, que tanto precisamos para mudar realidade de nosso país.

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.