a cidade invisível

A cidade prometida não corresponde, necessariamente, a cidade real, mas uma aproximação possível entre aquilo que foi projetado e o que foi de fato construído. Em outro momento já escreví Arapiraca como propaganda, para observar o sentido do dito e do feito pela administração municipal. A questão é que há pendências pontuais que são reclamadas a mais de uma década e não tivemos pessoas capazes de dar cabo e trazer alguma solução para questões recorrentemente reclamadas.

O abandono das vias públicas: Primavera dos buracos e ruas de barro
O mais espetacular abandono ocorre na Rua Dom Jonas Batingas (e sua sequência, a avenida Muniz Falcão). Nessa área que vai do centro, passa pelo Ouro Preto e segue para Batingas e Boa Vista: o problema é muito grave visto que é a via que dá acesso à cidade e a pista praticamente desapareceu em vários trechos. Há uma inflação crescente de buracos, que obrigam motoristas a fazerem manobras que os coloca em permanente possibilidade de acidente, não há acostamento ou sinalização. Ao circular pela periferia da cidade podemos atentar para o fato de que a maior parte das ruas da cidade continuam em chão cru, sem qualquer pavimentação. A região do São Luiz, Batingas, Boa Vista, Primavera, Baixa Grande, Canafístula, Massaranbuba, Cohab e Arnon de Melo (entre outros) são bairros que esperam por investimentos. Mas continuam a esperar e sem sinais de mudanças no horizonte mais imediato.

O metrô que nunca chega
Estamos numa cidade que há pouco tornou-se região metropolitana. Mas não temos nem política pública de transporte urbano nem um sistema de transporte público. O atual sistema é desenho caduco que é a reprodução das linhas originais da cidade para os sítios e a Cohab. Nos últimos três ou quatro anos a cidade ganhou novas linhas mas jamais foi capaz de pensar seriamente nisso: quem mora no Baixão e precisa ir ao Alto do cruzeiro, ou quem mora na primavera e quer ir à rodoviária, ou quem mora na Brasilia e quer ir ao Perucaba, o que devem fazer? qual ônibus pegar? Claro, não há linhas para esses trajetos. O sistema de transporte urbano é desenhado por quem não tem sensibilidade sobre a mobilidade local de estudantes e trabalhadores. Qual não foi nossa surpresa ao saber que a prefeitura havia comprado metrôs para funcionar em Arapiraca. A primeira vista estranhei a promessa pois não tínhamos tido nenhuma experiência com ônibus urbano de verdade, então estávamos saltando da circulação à pé para a circulação via metrô. Ao pensar sobre a questão viu-se que um sistema de metrô seria muito bom para a cidade mas este atenderá (segundo o trajeto anunciado pela prefeitura) apenas a população que reside nas imediações por onde passa a ferrovia local. Esperamos desde 2008 (noticiado pela prefeitura) a chegada do metrô, mas o metrô não veio. Quer dizer, faz quatro anos que nos avisaram que o metrô estava chegando, o senador-arroz-de-festa Renan Calheiros fez até uma viagem de demonstração pelos trilhos na época da propaganda do metrô para Arapiraca. Estamos chegando a 2012 e mais ninguém fala do metrô. Mas continuaremos a aguardar o desenrolar desse imbróglio.

O bosque que não veio
Uma das obras mais interessantes e importantes desse ano foi certamente a entrega da avenida Marginal do Piauí. Esta via nos deu um novo fôlego no trânsito tanto quanto uma nova paisagem urbanística. No projeto da via, que foi construída com verbas do governo federal, para cuidar da nascente do riacho Piauí, há a construção de um bosque. O Bosque das Arapiracas fica no meio da avenida recém-inaugurada. Mas chegou a avenida e o bosque não (ainda estão construindo). Não sabemos se o bosque vai vingar de fato pois se não veio pronto na inauguração provavelmente sofrerá muito para aparecer agora e esperemos que o próximo prefeito continue a terminar a construção e sua manutenção. Para o bosque aparecer serão ainda muitos anos pois será preciso esperar as árvores crescerem. Na próxima década estará exuberante.

A praça da Primavera
Na entrada do bairro primavera funcionou durante décadas uma feira conhecida por “feira da troca”. No mesmo local havia barracas de feirantes e uma centena de comerciantes de produtos legais e ilegais. A cena era feia: muita bagunça e sujeira eram parte da paisagem. A prefeitura encerrou a feira e prometeu colocar no lugar uma praça. As obras começaram (escrevi há dois anos atrás sobre isso) mas hoje estão paradas. Parece uma sina que a Primavera (apesar de ser uma das regiões mais populosas da cidade) não seja acolhida pela cidade. É uma região com altos índices de violência mas sem nenhuma intervenção positiva como praças, parques, áreas de lazer, equipamentos urbanos, ruas pavimentadas ou iluminação pública. É uma seara de abandono local. Qual será a lógica municipal para tanto destrato para com a comunidade da Primavera e região?

Revitalização do Parque Ceci Cunha
Uma das mais belas paisagens da cidade é certamente o parque Ceci cunha. Este transformou o centro da cidade numa região de lazer. É uma área bem iluminada, com parque, pistas, lago, mercado de artesanato, lanchonetes, concha acústica. Todo mês temos sempre alguma programação cultural que tem lugar no parque. De domingo a domingo é muito frequentado pelas famílias e por jovens. O parque faz divisa entre o Alto do Cruzeiro e o Centro da cidade. A primeira parte, inaugurado na gestão Célia Rocha está abandonado e às escuras. A parte inaugurada por Luciano Barbosa está excelente e em ótimas condições com iluminação e jardins bem cuidados. Então recebo a notícia de que a área degradada estaria sendo revitalizada (notícia dada pela prefeitura em março). Mas ao visitar o local observamos que a “obra” não avança. Está parada? O parque continua a ser um retrato da nossa (in)capacidade de fazer valer uma cidade próspera e feliz.
a cidade invisível a cidade invisível Reviewed by davy sales on domingo, dezembro 18, 2011 Rating: 5

Um comentário:

Há Lagoas disse...

Por isso a importância de blogs como o seu, para não deixar cair no esquecimento da população, muito menos dos governantes. O VLT e o Bosque das Arapiracas são obras estruturante de suma importância para nossa cidade.
Se planejarmos o futuro, temos que viver o presente, e ele tem que tomar como base as ações de transformar o ambiente em que vivemos, a infra-estrutura de Arapiraca é deficiente e o executivo municipal tem o dever de ao menos cumprir suas promessas.
Cadê o VLT?
E a obra do Bosque, quando acaba?

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.