arapiraca: um oásis no centro de alagoas

O IBGE afirma que a cidade possui hoje (2011) 216.108 habitantes. Nos últimos dias tenho me debruçado nos resultados do Censo 2010 do IBGE para observar as transformações que a cidade tem vivido nesta última década. Os dados coletados em 2010 nos dão excelentes pistas para entender melhor as características que fazem de Arapiraca uma cidade de vibrante expansão de seu território urbano, de sua população, de sua economia, de sua presença política. Estamos vivendo um tempo onde percebemos e experimentamos uma nova Arapiraca. Vamos tentar ler alguns dados do Censo que sejam capazes de captar o sentido do nosso presente e o que se nos desenha para o futuro.

Renda  

No de famílias

Até 1/2 salário mínimo

5.207

Mais de 1/2 a 1 salário mínimo

13.589

Mais de 1 a 2 salários mínimos

16.468

Mais de 2 a 5 salários mínimos

14.093

Mais de 5 a 10 salários mínimos

4.269

Mais de 10 a 20 salários mínimos

1.378

Mais de 20 salários mínimos

411

Muito se diz sobre a economia local, de sua vitalidade e capacidade de sustentação e crescimento. Há duas décadas apenas a cidade vivia basicamente de sua enorme produção de tabaco. O fumo deu-nos os traços de nossa identidade pelo que ficamos conhecidos nacionalmente como a “terra do fumo”. Com a decadência dos mercados do tabaco nos cenários nacional e internacional, a cidade árduamente foi substituindo pela agricultura de base familiar de hortaliças e frutas. Além da cultura fumageira havia também a feira-livre que produziu os primeiros e bem sucedidos comerciantes locais. O fumo e a feira nos deu a pequena burguesia local. O comércio e os serviços suplantaram esse tempo: somos uma economia, hoje, caracterizada por uma cidade de serviços, e com um parque industrial pequeno mas com indicações de crescimento futuro. Pelo nível de renda da nossa população percebemos claramente que a maior parte está fora da linha de pobreza extrema. A maioria das famílias estão na classe C (com renda de até 2 salários mínimos) mas há uma boa parcela das famílias que se concentram na classe B (até 10 salários mínimos). Pode-se observar a presença de um marcante grupo de famílias na classe A (média de 20 salários mínimos mensais). Pelos dados entendemos que não se trata mais de uma cidade de pessoas pobres ou miseráveis, mas uma cidade de potencial de classe média. Não é a toa que estamos para receber um shopping center e a cidade não pára de receber novos empreendimentos imobiliários e empresariais.

 

Quantidade de domicílios

 

1 morador

4.513

2 moradores

10.734

3 moradores

14.274

4 moradores

13.319

5 moradores

8.315

6 moradores

3.651

7 moradores

1.723

8 moradores

835

9 moradores

446

10 moradores

448

 

Um dos dados que mais me chamaram a atenção é sobre a situação domiciliar.  Por exemplo, há 448 casas onde vivem mais de dez pessoas, em contrapartida há 4.513 casas com apenas um morador. Cidades com esta característica são aquelas com bom nível de renda e escolaridade. Quanto menos moradores por domicílio mais é possível observar bons níveis de qualidade de vida (consumo, lazer, educação, etc). O altíssimo nível de urbanidade colabora para estilos de vida mais individuais, e nos é um dado importante para se pensar a cidade e suas políticas públicas.

Família (condição do cônjuge)

Domicílios

Sexo diferente (hetero)

39.852

Mesmo sexo     (homo)

31

 

Certamente um dado muito interessante diz respeito aos lares da cidade segundo a orientação sexual dos cônjuges. No censo de 2010 foi possível coletar os tipos de uniões e os seus cônjuges. Os lares com cônjuges de sexo diferente, são como o padrão, a maioria absoluta. A família heterossexual entretanto é plural em seu desenho sociológico (pai e mãe, pai solteiro, mãe solteira, pai-avô, mãe-avó, etc). De modo que observar a família é observá-la em sua multiplicidade de possibilidades de arranjos. Mas um dado esclarecedor e muito interessante é o número de lares de casais homossexuais (31 lares). Isso nos faz observar que as lutas por casamento civil por pessoas do mesmo sexo tem base num fato empírico, elas existem. É um dado sociológico que aos poucos abre a agenda política e insinua suas pretenções ao reconhecimento civil.

Cor ou raça

homens

Mulheres

Branca

29.661

34.591

Preta

4.677

4.187

Amarela

556

875

Parda

45.565

51.329

Indígena

175

184

Somos uma cidade de maioria branco-parda. Um dado me chamou atenção imediata. 359 indígenas vivem na cidade (mas não é possível identificar quais etnias). Os negros estão em torno de 5% da nossa população (menos de 9 mil pessoas). A população amarela (de asiáticos?) me pareceu surpreendente: 1.431 pessoas. De todo modo, segundo a metodologia empregada na coleta dos dados, cada pessoa se autodefine em uma cor, assim, amarelos provavelmente não dizem respeito a uma comunidade de asiáticos mas pardos ou brancos que se vêem como amarelos. Quanto a nossa população indígena, provavelmente estamos falando de descendentes das aldeias dos Xucurus-kariri, Kariri-Xocó, Tingui-botó ou Wassu. Isso parece um dado novo, visto que não é comum entre nós a presença ou manifestação cultural de povos indígenas.

Taxa Analfabetismo

2000

2010

15 anos ou + idade

30,4%

22,5%

 

Uma questão urgente é a alfabetização de jovens e adultos. Nesta década houve uma queda surpreendente de 12% na taxa de analfabetismo. Mas continuamos com um índice de alfabetização ainda problemático. Este é o pior quadro local que é na verdade muito similar a média estadual. Alagoas mantém os piores indíces de alfabetização do país. Apesar de uma redução drástica do analfabetismo local na última década, como mostra a tabela acima, é ainda urgente um esforço localizado e pontual junto a população de mais de 15 anos de idade que não sabem ler nem escrever. Estamos num processo contínuo de crescimento em todas as áreas mas precisamos enfrentar a situação do analfabetismo. Uma cidade plenamente desenvolvida só chega a este patamar quando os índices de alfabetização estiverem acima dos 90%. Então é preciso que a secretaria da educação e a sociedade dêem as mãos para que esta população possa ser acolhida e letrada. Esta é a base da cidadania.

Uma seara de prosperidade e urbanidade no meio do agreste

Para encerrar, observe o mapa abaixo, do amarelo (menor densidade) ao vermelho (maior densidade) dá para ver claramente as regiões mais populosas da cidade. Os tons marrons podem ser lidos como média densidade populacional tanto quanto territórios de expansão urbana. O interessante é observar que Arapiraca tem um índice de urbanidade de 85%, acima da média de Alagoas (menos de 70%) e em paridade com as cidades mais desenvolvidas do Brasil (acima de 85%). Isso nos dá a dimensão do porque esta cidade tornou-se oficialmente o centro cultural, social, econômico e político do interior de Alagoas tornando-se a Região Metropolitana do Agreste.

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arapiraca: um oásis no centro de alagoas arapiraca: um oásis no centro de alagoas Reviewed by davy sales on segunda-feira, dezembro 12, 2011 Rating: 5

3 comentários:

Helena Virgínia Moreira disse...

Muito bom Davy. O único dado que eu também não concordo é quanto a cor. Muitas das pessoas que se declaram pardas são na verdade negras e muitas das que se dizem brancas são pardas. Eu, por exemplo, quando me declaro parda, vejo os olhares de indignação de gente muito mais escura que eu e que se acha branca... como se cor medisse caráter.

Daniel Rocha disse...

Parabéns prof Davy por + esse artigo que nos mostra Arapiraca com uma visão menos superficial! Obrigado por tornar + legíveis esses dados do IBGE, q muitas vezes são complicados de serem decifrados! + feliz ainda eu fiquei agora d saber q a excelente sec de planejamento ja conhece seu trabalho!

Há Lagoas disse...

Um trabalho digno de um sociólogo, mostrar os números em dados compreenssíveis para os nós, leigos. Arapiraca desponta como uma potencia regional, e hoje é reconhecida não apenas pelo seu time de futebol, mas pelo seu crescimento e influência, reconhecida como uma das cidades do futuro.
Aqui em Londrina, Arapiraca é reconhecida, e não apenas em conteudo de minha aula, mas pela sua própria grandeza.

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.