ufal sitiada por presídio e população carcerária

O campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas fica ao lado do Presídio Des. Luiz Oliveira de Souza e esta proximidade tem lhe trazido muitos problemas. Desde a abertura do campus, professores e alunos tem vivido perto do perigo de serem molestados pela população carcerária que, continuamente, tem fugido da unidade prisional através do campus da UFAL. O problema se arrasta desde a chegada do campus, pois não se estabeleceu diretrizes de segurança e de convivência, de modo que a permanente (e crescente) sensação de insegurança acabou por se tornar um dos assuntos mais discutidos na cidade, mas não houve uma contrapartida a altura. Apesar de a Câmara Municipal está avessa a ter responsabilidade nesse caso, pois não tomam qualquer iniciativa, o executivo municipal já se manifestou:

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imageHá um abaixo-assinado na rede pedindo mais segurança para o Campus e providências do governo do Estado para o caos que se desenha. Para assinar o baixo assinado acesse aqui. No twitter a hashtag #UfalEmPerigo mostra o tom de insatisfação geral pelo modo como o governo do Estado tem sido incapaz de dar cabo à situação. E neste 19 de setembro aconteceu mais uma manifestação dos estudantes (http://twitpic.com/6ndssk). A comunidade universitária deve continuar protestando para que o problema tenha alguma solução. Os estudantes precisam continuar a movimentação, incomodando as autoridades, não deixando a questão ser desmerecida. A ação estudantil é o que pode dar o tom da luta política de transformação do campus. E nisso terão apoio de toda a cidade.

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O presídio não possui segurança e está num espaço de crescente vizinhança, tornou-se uma ameaça à vida acadêmica e a vida comunitária. Entregues à própria sorte, alunos, professores e técnicos frequentam o campus sempre apreensivos sobre quando será a próxima fuga de presos e se eles entrarão novamente na área da UFAL trazendo medo e insegurança, atrapalhando aulas e o processo de construção de ciência.

Só para se ter uma idéia da importância da UFAL entre nós, basta que se diga que o Campus Arapiraca atinge 37 municípios com 19 cursos de graduação, 7.140 alunos matriculados, 190 docentes e 70 servidores da administração. A universidade é uma dádiva para uma região historicamente atrasada e pobre, e que a ciência pode dar as condições para um salto na qualidade de vida do agreste e de sua vizinhança. É preciso a cidade se movimentar para garantir que professores, alunos e técnicos tenham um ambiente saudável para desenvolverem suas atividades e contribuírem para nosso desenvolvimento.

Nos vídeos abaixo, a última invasão ocorrida no campus, e um protesto feito na rodovia na frente da universidade, mostram que a comunidade acadêmica está atenta ao problema, e pedem interferência imediata para negociar a melhor saída para esta crise.

Alunos filmam a invasão do Campus Arapiraca pelos reeducandos do presídio
Estudantes protestam em Arapiraca pedindo atenção das autoridades

Para que a universidade cumpra o seu papel, é preciso que as autoridades públicas olhem mais de perto para o problema. As primeiras reações mostram que é preciso repensar um novo espaço para o presídio (Como defendeu o magistrado Giovanni Jatubá e o prefeito Luciano Barbosa). No último dia 4 de setembro havia mais de mil pessoas fazendo provas do concurso do IFAL nas instalações da UFAL. Por volta das 15h houve uma fuga de presos e o concurso teve que ser cancelado. A polícia foi chamada e houve troca de tiros. Os relatos nos dizem que ouvia-se tiros, bombas e o desespero tomou conta do lugar.

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Na foto acima, Presídio no canto esquerdo e UFAL no canto direito. Apenas um pequeno muro separam as duas instituições. A proximidade não chegou a sensibilizar o governador (que continua calado) e poucas ações foram feitas para diminuir a tensão agora bem estabelecida. Em 2010, para citar um exemplo, foram realizadas várias reuniões com o MPE, Governo, Cúpula da Polícia Militar, UFAL (Direção Campus Arapiraca e Representante da Reitoria - Sr. Amauri da SINFRA) e OAB na busca de soluções. Pouco ou nada foi feito, e hoje fica claro que medidas paliativas não vão resolver o problema. Parece coerente a possibilidade de transferir o presídio para um novo local. Tive acesso a alguns relatos de professores sobre essa questão, e todos estão muito preocupados pois o problema já se arrasta e poucas iniciativas são vistas.

A situação se tornou insuportável. Em tese, não há nenhum problema em ter um presídio na vizinhança da universidade, ocorre que nos é sabido que os entes públicos jamais deram atenção devida aos espaços prisionais. Então o presídio tornou-se um problema para a unidade acadêmica justamente porque este é sistematicamente desprezado pelas autoridades judiciárias e pelo governador do Estado. Já ouví de um ex-diretor da unidade prisional que o presídio foi mal construído e as verbas para sua manutenção não existem.

ufal sitiada por presídio e população carcerária ufal sitiada por presídio e população carcerária Reviewed by davy sales on segunda-feira, setembro 19, 2011 Rating: 5

Um comentário:

LCS disse...

Parabéns pela abordagem sensata e muito obrigada por dar destaque a este assunto no seu blog.

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