fabricando uma cidade de classe média

Desde há muito tenho escrito sobre a cidade de Arapiraca. O sentido dessa escrita é a busca pelas constantes culturais, sociais e históricas. Meu interesse então está no território, em seu sentido geográfico-espacial tanto quanto simbólico, na maneira como as pessoas vivem essa territorialidade agreste. Pretendo continuar no meu esboço econômico da cidade, como já fiz em alguns momentos (aqui e aqui entre outros), para depois explorar dimensões mais potentes para explicar a arapicanidade.

Sobre nossa qualidade de vida

Agora a questão que coloco é sobre o tamanho econômico de Arapiraca e as implicações desses números para o nosso presente e para o futuro. Não há, de todo modo, como produzir aqui um diagnóstico preciso, mas podemos apreciar certas constantes, eventos e conjunto de números representativos. Comecemos pelo PIB (IBGE/2008) de 1.391.550,000,00 (1,4 bilhão de Reais). Poucas cidades nordestinas ostentam um lastro econômico tão forte. Isso significa uma renda per capta (anual) de R$ 6.675,80 (ou R$ 556,31 mensais), o que nos coloca no clube das cidades de renda média do Brasil.

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Nosso Indice de Desenvolvimento Humano (IDH-PNUD 2000) é de 0,656 (quanto mais próximo de 1. melhor). Conforme a tabela acima, é evidente o desenvolvimento contínuo da cidade. Atingimos o patamar de “médio alto” desenvolvimento humano. Ao observarmos melhor os dados, percebemos que a educação foi onde mais evoluímos enquanto a renda continua aquém do conjunto dos índices. Isso explica, em parte, a taxa de 43% de desigualdade econômica, além dos quase 9% de domicílios em situação de miséria (24.761 pessoas). Parece-nos correto afirmar que estamos em bom caminho, mas é preciso agir para melhorar a distribuição das riquezas produzidas, tanto para cessar a miséria, quanto para diminuir a taxa de desigualdade (distância entre os mais pobres e os mais ricos da cidade)

Um mapa diferente

Com 215 mil habitantes, sede da região metropolitana do agreste e capital regional, a cidade de Arapiraca possui duas regiões com alta densidade populacional, ao norte, região do Alto do Cruzeiro e Brasília; ao sul, região Cacimbas e Primavera. O vermelho indica as regiões com maior densidade populacional enquanto o amarelo, baixa densidade. Note-se a expansão das regiões abóboras, bom indicativo para saber por onde a cidade está a crescer.

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O vertiginoso crescimento do mercado imobiliário local mostra a força e a potência de longo crescimento que nos espera. Cidade-polo para atividades de serviços educacionais, de saúde, um comércio forte, com industrialização também crescente, Arapiraca sinaliza em direção ao futuro que já chegou. O nosso maior problema ainda continua a ser a alta parcela da população em situação de pobreza e vulnerabilidade social. Cerca de 10% dos lares estão em situação de pobreza, e isto pode (e deve) ser enfrentado, pois estamos numa cidade que produz riquezas acima da média da região, precisamos apenas encontrar a fórmula para melhor distribuir essa riqueza, para que ela não se concentre nas mãos de poucos.

A cidade que queremos

Um dos caminhos é a educação, quesito no qual temos tido bons resultados. O amanhã nos parece convidativo. Mas temos que estar atentos e comprometidos em proporcionar educação, saúde, lazer e trabalho para todos. Temos que atacar a pobreza e o analfabetismo se quisermos ser um exemplo de cidade, modelo de urbanidade onde cidadãos produzam riqueza, mas que sejam também produtores de felicidade para si e para os outros. Uma cidade não é feita apenas pela topologia de suas artérias em contínuo pulsar, mas de pessoas reais comprometidas com seus projetos individuais tanto quanto atentos a possibilidades de solidariedade e reciprocidade social.

fabricando uma cidade de classe média fabricando uma cidade de classe média Reviewed by davy sales on segunda-feira, julho 18, 2011 Rating: 5

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito precisa a sua análise a respeito da Metropole do Agreste.
E levando em consideração que o nosso Estado é o mais pobre da Federação, todo este enriquecimento pode proporcionar um desequilibrio neste números até aqui representados.
É preciso estar atento, a cidade cresce, e com ela os problemas, pricipalmente se a administração perder o foco.
Parabéns Arapiraca!

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.