sobre o kit anti-homofobia

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Depois de ler e ouvir milhares de ataques contra a movimentação social de pessoas homossexuais por direitos civis no Brasil contemporâneo, pretendo oferecer uma pequena contribuição para dar luz ao debate. O que percebo claramente é o crescimento do discurso fascista e cruel, onde o diálogo é substituido pelo medo e pela ignorância.

Nas últimas semanas temos visto a imprensa abrir espaço para que religiosos e conservadores gritem contra o uso de material produzido pelo MEC para debater com os jovens do ensino médio o problema da homofobia nas escolas. Pastores xingam e caluniam diariamente o movimento LGBT e o governo por propor um diálogo saudável e procurar enfrentar um tipo de bullying guardado a sete chaves. O que mais choca é justamente perceber milhares de homofóbicos saíram do armário.´É um ódio aberto contra os homossexuais. Ódio que certamente se traduz em violência física e simbólica.

Se eles xingam no twitter, igrejas, rádios, jornais e parlamentos, certamente também são agressores já identificados, pois não se escondem, tem orgulho de serem homofóbicos. Aqueles que estão em campanha aberta contra esse diálogo estão diariamente difamando e violando a dignidade de gays e lésbicas nas praças, nas ruas, nas escolas, nas igrejas – eles não tardarão a incitar outros a esfaquear, golpear, xingar e matar. É uma urgência civil esse debate para que essas pessoas não continuem impunes.

Entre todas as minorias, os homossexuais são os mais atacados, difamados e desmoralizadoss. Muitas pessoas não escondem o rosto nem o nome quando agridem gays, lésbicas, travestis e transgêneros. Sentem-se no “direito” de imputar crimes e defeitos em pessoas em processo contínuo de apagamento e invisibilidade social. O que mais nos choca é observar jornalistas homofóbicos mentindo em reportagens e colaborando com o aumento da violência ao invés de abrir-se ao diálogo. Por medo e ignorância, constróem um espaço de histeria social onde gays e lésbicas são atacados cruelmente em sua identidade e dignidade.

Os que condenam o uso do kit anti-homofobia certamente não assistiram aos vídeos para destilar tanta mentira sobre esse material. Diz-se ali que o kit veio para “ensinar homossexualismo as nossas crianças”. Esta é uma posição propriamente mentirosa porque, em primeiro lugar não é vídeo para crianças mas para os adolescentes, e em segundo lugar, o que se pretende é atacar o preconceito, não se trata de ensinar a ser homossexual, mas mostrar que os homossexuais existem e é preciso aprender a conviver de forma civilizada. Sendo a escola um ambiente onde aprendemos a ser solidários e a respeitar nossas diferenças, é também o local mais acertado para educar nossos jovens para o convívio pacífico com a diversidade.

Os que são contra o kit anti-homofobia querem manter sua ignorância e violência como padrão para toda a sociedade. Não querem o debate nas escolas, como se nas escolas não tivessemos milhares de jovens homossexuais pedindo socorro contra os ataques de que são continuamente vítimas na sala de aula e nas dependências da escola, praticadas por colegas e também por professores. O kit anti-homofobia é justamente para trazer toda a comunidade escolar para a discussão sobre como conviver com a diversidade sexual.

Seria aqui prudente lembrar da Lei Afonso Arinos. As escolas receberam “kit” para discutir o racismo. Os alunos participaram de discussões sobre o direito dos negros não serem xingados, molestados e violados em sua identidade e dignidade. Não lembro de ter lido alguém levantar-se para perguntar se querem tornar nossas crianças negras ou se eu não sou negro devo ter o direito a xingar os negros. A luta anti-racismo não transformou crianças brancas em negras mas educou-as para o convívio civilizado e harmonioso com a diversidade étnica do Brasil.

Seria também razoável lembrar aqui da Lei Maria da Penha. A sociedade brasileira chegou num momento insustentável de violência doméstica e contra as mulheres. Abriu-se na agenda social a luta anti-machismo para que as mulheres tivessem o direito a não serem molestadas por seus pais, irmãos, maridos, vizinhos ou desconhecidos. A luta anti-machismo invadiu as escolas e nossos jovens tiveram espaço para debater o fim da violência contra as mulheres. Não lembro de ninguém reclamar, salvo os machistas, de que é um direito a mulher ter sua existência social sem ser violada. Uma lei contra o machismo tornou os meninos em moças? Ou os rapazes estão aprendendo melhor a conviver sem agredir as mulheres?

Os vídeos do kit anti-homofobia

Veja os vídeos e perceba o conteúdo educativo. Em cada um deles apresenta-se um caso para mostrar que é preciso aprender a conviver em harmonia, sem violência e sem homofobia. As escolas receberão os vídeos e um manual para os professores saberem como manter o debate sobre as histórias relatadas.

sobre o kit anti-homofobia sobre o kit anti-homofobia Reviewed by davy sales on terça-feira, maio 24, 2011 Rating: 5

Um comentário:

Silvania disse...

Como eu gostaria de passar ai essa festa maravilhosa que é são joão...parabéns pelas atrações, estão todas ótimas...sou daí, mas moro no interior paulista....bjus...Silvania.

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.