violência, mais do mesmo, novamente

A cidade está a sediar um seminário sobre a violência. O tema escolhido foi “Os novos desafios da segurança pública face ao crescimento socioeconômico de Arapiraca” como parte da comemoração de 27 anos do 3o. Batalhão Militar de Arapiraca. O evento é mais uma daquelas reuniões que servem apenas para vitrinar expoentes de nossa elite militar (BPM), política (Vereadores) e jurídica (OAB), além dos donos do capital (CDL).

A reunião foi produzida para congregar esforços para controlar ataques contra o capital e a propriedade privada. A onda de violência que estamos a viver – assaltos, homicídios e latrocínios – nunca foram uma novidade. Somos uma cidade que cultua a violência ou, como disse um aluno de um curso de Direito: precisamos de mais cemitérios do que de cadeias. Essa é a lógica das elites: é preciso matar mais bandidos, levá-los aos cemitérios.

Para acabar com a violência basta criar emprego e distribuir o crescimento econômico, coisa que as elites não desejam. Uma população com renda encontra saídas para seu futuro. Quando a violência aumenta logo aparecem as vozes que julgam ser necessário o aumento da força. Mais armas e mais ação policial. A eqação é um desastre. Serve bem para atacar as populações tidas como descartáveis. É preciso que a comunidade se conheça. É preciso observar o que fazemos com nossas crianças e adolescentes. Oferecer condições de acesso à cidade, de redes de pertencimento, de apoio.

Para encerrar a violência crie-se pessoas e não desajustados de várias ordens. Mas não adianta procurar nos "bandidos" e "maus" a causa da violência. Estes também são produtos dessas relações esgotadas. O ventre de suas mães construíram bebês humanos e não monstros; os monstros são criações do nosso coletivo, uma imagem de nossas relações sociais, esticadas, no limite.

A tarefa então é refazer os laços, incentivar a solidariedade, "adotar" amigos, enlarguecer nosso horizonte. Quando cada um puder ser reconhecido então não se levantarão mais armas nem dedos em riste. Quem defende um estado policialesco não quer enfrentar a violência na origem, deseja apagar incêndios sazonais. É isso que se pode ver nesta reunião do forum.

Para discutir violência é preciso ir onde ela se dá e se alimenta. A violência é uma construção social, ela não é natural. Se há violência não é apenas porque fulano ou sicrano é mau. A violência é alimentada por nós mesmos. Violências, no plural. Atacá-la é transformar a nossa realidade social e isso não estão discutindo no forum, senão saídas de controle social das periferias e o crescente uso da força.

violência, mais do mesmo, novamente violência, mais do mesmo, novamente Reviewed by davy sales on quarta-feira, outubro 21, 2009 Rating: 5

Um comentário:

Anônimo disse...

Quando a sociedade deixar de valorizar bens materiais, quando começar-mos a entender o que mais importa em nossas vidas, quando a educação tornar-se parte fundamental na formação de nossos filhos através de boas virtudes e bons exemplos, tudo que nós cremos e somos forçados a crer hoje, não terá sentido, neste dia todos aqueles que duvidaram por um mundo melhor se arrependerão por não terem participado dessa grande mundaça que sempre esteve ao nosso alcançe, e que para isso fosse possível bastava somente uma mundança de pensamento, abram suas mentes que vejam aquilo que ninguém está mostrando, encherguem a VIDA!

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.