A Polícia é uma vergonha (ou lições civis I)

*** Este texto tem uma preocupação humanitária, apresenta uma crítica ao modo como o Estado produz seus policiais. Não se trata de apontar condutas individuais, mas explicitar que a instituição policial torna-se vergonhosa quando atenta contra a própria ordem social que deveria preservar.

Na parada Gay de Penedo, um participante ficou nú. A polícia, chamada pela organização, foi até a parada e arrastou, literalmente, o indefeso. A ação é claramente homofóbica. Representantes do Estado solapando o preceito da dignidade humana. O vídeo abaixo nos leva a idade média e suas humilhações em praça pública.

** detalhe: era ocorrência do campo "atentado violento ao pudor", numa festa que prmovia a cidadania gay, portanto, a força não seria necessária. Bastava civilidade e diplomacia. O problema teria se resolvido. A violência atravessou o horizonte emocional da vítima, que deixou Penedo sem prestar queixa. Quem pretende entrar com uma representação é o Grupo Gay de Alagoas e outras instituições.

A ação policial foi um desastre. E triste. Arrastar pelos cabelos um homem porque ficou nú. Nunca vimos um deputado corrupto ser arrastado pelos cabelos. Isso se faz com homosexuais, vítimas preferenciais a um tratamento desumano.

Ao atenderem o chamado usaram a técnica da humilhação, antes de um juiz julgar, já estava a executar a setença: arrastar pelos cabelos, jogar ao chão - um animal para abate, enfim. A academia de polícia certamente deve conhecer modos inteligentes (com o mínimo de força) para solucionar conflitos. E deve saber os limites de sua atuação.

A ordem social se dá com o respeito. A falta de respeito é flagrante. Qualquer civil tem o direito de espernear e reclamar na hora de uma prisão, e a polícia tem que valer seu papel constitucional – pode prender, mas não violentar e torturar.

Quando age assim, o que não é uma prática rara, se equipara aos vís bandidos, foras-da-lei, desrespeitando os direitos básicos da pessoa humana.

No vídeo fica evidente que o arrastado-oprimido (um transexual) não estava sob o Estado de Direito. Estava sob uma ordem não-estatal, uma cultura policialesca que age com espancamentos, arrastos, puxões, humilhações. É um teatro de exibição de força.

Há de se ter uma fronteira mínima para a nossa civilidade: o Estado não pode arrastar homens numa cena de humilhação. Se há um delito que se leve à autoridade e que se lavre a ocorrência.

Um Estado que permite a humilhação pública de um grupo ou uma identidade coletiva não merece ser respeitado. Esse é o Estado fascista.

A ordem brasileira é democrática. Os direitos civis e humanos estão sob validade, de modo que não pode ser aceitável uma instituição agir fora das regras. Chega de truculência e arbítrio.

veja o vídeo: http://gazetaweb.globo.com/v2/videos/video.php?c=4917

A Polícia é uma vergonha (ou lições civis I) A Polícia é uma vergonha (ou lições civis I) Reviewed by davy sales on quarta-feira, agosto 19, 2009 Rating: 5

Nenhum comentário:

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.