violência sim, sexo não

image Outro dia recebí a visita de um aluno que reclamara que sua faculdade proibiu o acesso a alguns sites conhecidos por abrigar blogs. A posição da instituição é de que esses endereços abrigam, também, pornografia. A contradição é que o acesso a sites que tem como centro a exploração da violência é livre.

Impedir que alunos acessem pornografia no ambiente acadêmico é contraditório, primeiro porque trata-se de um público adulto que sabe escolher o que quer ver; em segundo lugar pode surgir um interesse acadêmico sobre o problema da pornografia na internet. Se alguém quer acessar pornografia livre na rede, sabe que o laboratório de informática não é um espaço adequado. No máximo poderia ser colocado o aviso de que a instituição desaprova o uso de seus computadores para acesso a conteúdos pornográficos. E ponto.

Esse tipo de censura acaba por inviabilizar a livre expressão, ao colocar o sexo em lugar proibido e a violência não. Censurar endereços de internet interfere na atividade acadêmica. Um provedor de sites e blogs tem em seus servidores inúmeras temáticas, de economia à sexualidade. Ou de economia da sexualidade. Se um comentário sobre legislação tributária estiver nos servidores de um endereço "proibido" então o aluno ficará sem ler a informação que buscava. Cortar certos trilhos da rede mundial de computadores pode impedir acesso a subvias que contenha informação digital relevante e livre. Não conheço receita. Mas é preciso ser prudente ao impedir o livre acesso à informação.

A pornografia só é problema quando incide em delitos, como a pedofilia. No mais, o sexo é para ser celebrado. Antes sexo do que violência. Melhor dois corpos se encontrando do que dois corpos se violentando. Em tempos estranhos com mentalidades mesquinhas, a civilização tende a caminhar para trás. O segredo da nossa evolução é seguir o diálogo, a prudência e a liberdade.

fotografias: (1) Eros, filho de (2) Afrodite

violência sim, sexo não violência sim, sexo não Reviewed by davy sales on sexta-feira, junho 05, 2009 Rating: 5

Um comentário:

Cléofas disse...

Certamente os paradigmas impostos pela sociedade, por vezes, ao invés de incentivar o desenvolvimento do cidadão, o levam a entrar na obscuridade, a trilhar caminhos que podem, inclusive, causar conflitos internos.

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.