na periferia arapiraquense

Ontem a noite seu Romero desacertou-se com seu vizinho. Estava a reclamar do barulho já nas altas horas: né possivel uma coisa dessa! Eu trabalho de manhã! (gritou) vê se tu baxa logo isso aí, disse do muro da sua casa pro vizinho.

O vizinho cara-de-pau retrucou: a casa é minha e eu boto essa por.. na altura que quiser.

Seu Romero ouvira de um colega vigilante de uma faculdade de Direito que não era bem assim não, têm lei que diz que você tem que desligar. Ele disse ao seu Romero, diga assim: veja bem, eu tô pedindo pela lei!

A música chupa que é de uva se ouvia no outro quarteirão. Já desde as 21h ouvia-se todas as bandas que se repetem nos shows locais, era calcinha, era chiclete, era ivete, era chambinha.

Seu Romero pensou e matutou. Vou entregar a ele a lei, e pôs-se a escrever numa folha de caderno.

Lei do som: não pode tocar nada alto depois das dez da noite. Pode perguntar a qualquer um, é lei, aceite, desculpe, desligue. Romero.

Chamou: ô João rapaz, venha aqui, vamos pensar...

João, o vizinho, veio às gargalhadas e, depois de ler, confuso, concordou com seu Romero.

Seu Romero não é advogado nem é iniciado nas doutrinas jurídicas. Mas viu o embate, buscou uma saída legal e enfrentou a situação.

Depois dizem que as classes populares são burras, inaptas, incapazes. Basta que se dê o sopro do saber e da informação, nunca mais a reles música vai tirar sono do cidadão.

na periferia arapiraquense na periferia arapiraquense Reviewed by davy sales on quarta-feira, novembro 26, 2008 Rating: 5

Nenhum comentário:

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.