O ovo da serpente: humanos 2.0

As ciências sociais, em particular a sociologia e a antropologia, discutem hoje a contemporaneidade sob a ótica de uma humanidade obsoleta. Ora, a idéia de que os humanos estão obsoletos nos causa, a primeira vista, um mal estar e uma tristeza inomináveis. Precisamos, como argumenta o sociólogo brasileiro Laymert, politizar as tecnociências para abrir um espaço de discussão sobre os limites e as possibilidades de nossa humanidade num futuro muito próximo.

Perceba que nosso direito, política, educação foram produzidos a partir da perspectiva de ordenamento-controle de sociedades constituídas por animais humanos. Se a obsolência dos humanos for verdadeira, então todos esses códigos, construídos pela tradição e melhorados (ou piorados) pela modernidade, estão também obsoletos. Fale-se no humano 2.0. Um artefato criado pela técnica da ciência, um animal novo, manipulado e desenhado nas pranchetas dos donos do mundo.

O que está a acontecer? Uma vertiginosa aceleração das invenções e intervenções que juntam o meio digital com o meio genético. As biotecnologias já estão aqui oferecendo-nos alimentos biologicamente modificados, que nunca existiram na natureza, mas como produto de intervenções e agenciamentos dos cientistas. Uma segunda natureza, a idéia da construção de um mundo novo já está concretizado.

Uma natureza modificada pelo homem. Novos animais, novas plantas, novos alimentos. A natureza está ficando para trás. Explico: ao invés de ter filhos através de um relacionamento sexual, mulheres podem ir ao laboratório e escolher, o sexo, a cor da pele, dos olhos, a altura quando adulto. Logo poderá escolher que esse humano 2.0 não tenha as doenças que nós, humanos 1.0, estamos afetados. Os humanos do próximo século será invenção de laboratórios não de relações humanas.

A internet e suas tecnologias e a manipulação dos genes de animais e plantas são a porta de entrada para esse mundo novo: está em curso uma seleção não natural dos humanos. Para aqueles que tiverem acesso aos laboratórios genéticos e seus bancos de células, terão filhos de segunda geração (humanos 2.0) a partir de uma manipulação dos genes dos pais.

Nós seremos eliminados com a introdução de drogas novas, biologicamente modificadas, para adoecer e exterminar os humanos obsoletos. As guerras não precisam mais de bombas e armas, mas de tubos de vidro com gases mortais, drogas para afetar um dado grupo étnico segundo suas características genéticas. Num cenário difícil, poderíamos imaginar uma substância inodora e incolor acrescentada à coca-cola para deixar seus apreciadores dementes ou esquizofrênicos (basta lembrar de Bergman).

A indústria farmacêutica e alimentícia serão utilizadas para domar a humanidade obsoleta. Laymert avisa que a velocidade das descobertas e invenções são tão rápidas que nós não temos como acompanhá-las de forma satisfatória, nesse sentido, nós teríamos que fazer um "download" do nosso cérebro para que uma máquina possa substituir nossa fragilidade e incompetência para (di)gerir tanta informação e inovação.
O ovo da serpente: humanos 2.0 O ovo da serpente: humanos 2.0 Reviewed by davy sales on terça-feira, junho 24, 2008 Rating: 5

Um comentário:

Uma Geógrafa em Parafuso num Mundo Descontrolado disse...

olá!!!
Sou Edite Cristinna Ribeiro - Cris, estudante de geografia da nossa querida UNEAL!! e gostaria de dizer que gosto muito deste blog...
em meu blog, peguei uma das reportagens de vcs e publiquei junto com meu comentário...
gostaria que vcs dessem uma olhadinha tbm lá no meu blogg!!!

um grande abraço!!!

Cris

Davy Sales (2012). Tecnologia do Blogger.