Violência, mais do mesmo

A discussão sobre a implantação de uma guarda municipal, para fazer frente ao suposto aumento da violência, em torno de 2 mortes por dia para uma população de 200.000 hab (índice de 0,00001%) toma ares de histeria, uma busca exagerada para encontrar o nascedouro desse movimento de desequilíbrio social chamado violência urbana: nossos políticos, com sua mentalidade peculiar, vê no aumento do combate policial o retorno da paz.

O número é alarmante. Mas não me parece algo novo. Tem épocas que esse índice é maior. Ocorre que a discussão feita em nossa câmara de vereadores tem a violência como algo que cresce separado da ordem social, portanto mais policiamento faz com que a tal violência desapareça.

Esse é um problema de conhecimento social, aquele que é capaz de mostrar que a violência é parte integrante dessa sociedade, e de tantas outras. A violência não é um tumor que o olhar e ação policial farão cessar: nossos políticos precisam atacar a falta de estrutura da cidade, a incapacidade deles de fazer a cidade progredir com justiça social, oferecendo trabalho, escola, lazer, perspectiva de futuro para todos.

A idéia de aumento vertiginoso da violência é equivocada. Arapiraca costuma viver um clima de tensão permanente com mortes "encomendadas", "devidas", "planejadas". Muitos morrem mas não por azar de bala perdida, as balas aqui parecem ter, costumeiramente, alvo determinado. Vingança e acertos de conta, roubos encomendados. Isso não parece violência no sentido de descontrole, mas uma violência programada com antecedência, parte da ação e imaginário local. O homem violento do agreste deve ser enfrentado na sua incapacidade de conviver socialmente, uma questão de civilidade, de mudança de postura frente ao mundo.

Trata-se, certamente, de a nossa polícia fazer o seu papel, mas a maior esperança é na reeducação dos adultos que matam seus desafetos sob um manto de um imaginário tacanho, antigo, obsoleto, parte da cultura machista e rude de muitos integrantes de nosso mundo social: os homens violentos, em arapiraca, não estão na periferia, apenas. É parte integrante da nossa classe média e alta. É uma cultura fomentada diariamente, valores e moralidades bem situados e cultivados.

Enfrentemos a violência na cidade enfrentando seus condutores, é necessário reinventar a nossa ordem social e atingir o imaginário violento que habita o imaginário agreste. Não é necessário uma caça às bruxas para prender ladrões-de-galinha, mas refazer nosso intinerário como sociedade, reeducar nossos jovens, enfrentar os adultos violentos e largamente violadores da ordem.

Arapiraca tem a violência que merece e alimenta. Uma violência fabricada sob os auspícios da corrupção, do jeitinho, da moralidade lampiônica. Basta do discusso paranóico do aumento da violência, porque sabemos que ela pode ser enfrentada, mas o único caminho não passa apenas pelo aumento do policiamento, que historicamente freia os pobres e libera os ricos, mas por um enfrentamento responsável, estudado, apoiado pelos vários setores da sociedade em acordo com a lei e as instituições.
Violência, mais do mesmo Violência, mais do mesmo Reviewed by davy sales on segunda-feira, fevereiro 25, 2008 Rating: 5

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