Os grupos e a sociedade: o caso dos mendigos


Vadios, vagabundos e errantes sujam a cidade tecnicamente planejada para ser bela e sem problemas. Assim, esforços são feitos para esconder a mendicância, abafar os mendigos, reeducá-los, torná-los a assistidos de nossas instituições. Mas sempre resurgem e testemunham contra nós quando expõem nossas contradições, e suportam pessoalmente o estigma nos limites da miséria. Ao alegar um modelo de homem ideal, deixa-se de aceitar a diferença.

Vivem do lixo do consumo desenfreado de nossas cidades, sem reconhecer patrão nem autoridade e, de certa maneira, sem ser por ninguém reconhecido. Escapam ao controle e forjam novos tipos de sociabilidades. Estão nas ruas com seus pertences, indicando a possibilidade, fortuita ou imputada, de ir embora. Fixar no cárcere ou no albergue para dominá-los, dirão as autoridades.

Os mendigos apostam em tudo que foge ao controle e a cifra, e criam sua ação sobre o mundo, no abismo das latrinas, vielas, becos e calçadas, de modo a permitir uma (sobre)vivência, não em seu nível material apenas, mas em um espaço simbólico, estabelecidos dentro e fora da ordem social hegemônica.
Os grupos e a sociedade: o caso dos mendigos Os grupos e a sociedade: o caso dos mendigos Reviewed by davy sales on domingo, dezembro 16, 2007 Rating: 5

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