Os sítios da antiga arapiraca

Os sítios

Mesmo com a presença dos grandes latifúndios ma década de 40, Arapiraca possuía um verdadeiro cinturão verde circundando a cidade; sentia-se o cheiro da vegetação logo na saída das ruas, pois, ainda existia uma infinidade de ervas e frutas silvestres muito próximos do centro.

Contudo, quando Arapiraca conheceu a fase de desenvolvimento a partir de 1950, o aspecto geral mudou muito, tendo em vista a mutilação desencadeada, tanto na área urbana, como na zona rural do município, onde foi destruída muita vegetação nativa para dar lugar à cultura de fumo.

Assim, havia o sítio de Caititús, um recanto aprazível repleto de fruteiras: cajueiros, mangueiras, laranjeiras, goiabeiras, mamoeiros, cujos frutos eram consumidos pela família, vizinhos e amigos, pois naquela época não havia mercado.

Hoje a cidade cresceu e absorveu os Caititús que, de sítio, passou a bairro.A Serra dos Ferreira, um dos sítios mais antigos, foi onde se instalaram os Ferreiras de Cacimbinhas. Era um lugar agradável, com muitas árvores frutíferas, onde o capitão João Ferreira criava pavões em quantidade. Hoje está muito diferente, com a devastação que lhe foi imposta.

O Sítio Mocó, o reduto do velho Lúcio Gomes, foi o mais castigado pela evolução. Era no sítio Mocó que se realizavam animadas festas de fim de ano, freqüentadas pelos jovens da sociedade arapiraquense. Quando asfaltaram o trecho da AL – 102, ligando Arapiraca à Taquarana, o asfalto destruiu totalmente o sítio Mocó com a igreja, riscando-o do mapa do município.

A Lagoa de Dentro foi outro sítio que foi vítima da transformação ocorrida na zona rural, e praticamente foi eliminado, dando lugar a vastas plantações de capim para criação de gado. Era no passado o mais animado dos sítios e dava-se ao luxo de promover bailes carnavalescos, fazendo concorrência com o carnaval de Arapiraca. Naquele tempo se dizia que o povo de Lagoa de Dentro vivia de festa o ano inteiro.

A Baixa Grande era um sítio onde estavam radicadas as tradicionais famílias – raízes de Arapiraca: José Emídio, Alexandre, Honório, Estevão, Messias, Bernardino e outras, que realizavam o chamado “Derradeiro dia do fumo” e também animados pagodes do Gervásio. Existiam muitas fruteiras, onde o povo de Arapiraca costumava fazer passeios e piqueniques aos domingos e feriados. Suas festas de santos eram muito animadas.

O Sítio Fernandes era, talvez, o mais antigo e foi onde Manoel André foi buscar telhas para cobrir a primeira casa que construiu em Arapiraca. Era um celeiro de almocreves e de bons tocadores de pé-de-bonde, onde havia muitas festas. Coberto de frutas nativas e densa vegetação, do sítio, hoje, resta apenas um próspero distrito de Arapiraca.

O Sítio Guaribas era outro recanto muito animado e também um celeiro de frutas tropicais eu a juventude da época costumava freqüentar. Era lá que morava o velho Simão Lopes, figura boêmia e folclórica muito conhecida nas ruas de Arapiraca. Era um local onde o povo gostava de dança coco e cantar na colheita do fumo.

Entretanto, o sítio mais festejado e procurado pela meninada de então era o saudoso Poço frio, onde morava Né Magalhães, o velho Pedro Cavalcante e outros. Além das frutas comuns, existia uma infinidade de frutas silvestres como: umbu, jabuticaba quixaba, massaranduba, pinha brava, azeitona, gogóia, juá e principalmente araçá. Segundo informa Edson Raimundo, as sábias, eram tão gordas de tanto comer araçás, que quase não podiam voar. Foi outra vítima do progresso que devia ter sido poupada, pois foi a inútil barragem riacho Perucaba eliminou o Poço Frio.

O Sítio Capiatã era um dos recantos bucólicos cheio de fruteiras: foi onde o fogueteio Pedro Nunes edificou toda família onde terminou seus dias. Atualmente, com a corrida imobiliária, o sítio ficou ligado ao centro urbano através da rua Pedro Nunes de Albuquerque. Mais adiante, vinha o sítio Macacos, com a Igrejinha da Menina, um local romântico onde o velho Beijo realizava a festa de São Pedro, com uma animado pagode até o amanhecer do dia.

Logo após, está o sítio Massaranduba, outrora coberto fruteiras, muita vegetação nativa e frutas silvestres. As festas na casa de Zé Vermelho, Luís Vicente, Tertuliano e as destalagens de folhas de fumo na casa do velho Euzébio, onde as moças cantavam o dia todo.No Sítio Cavaco residiam Antonio Ventura, João Ventura, Luiz Alexandre, José Macário, João Lúcio da Silva, e mais adiante Né Ângelo, Pero Alexandre, José Rufino, João Rufino, João Alexandre dos Santos e outros.

Extraído do livro "Arapiraca através do tempo" Guedes, Zezito.
Os sítios da antiga arapiraca Os sítios da antiga arapiraca Reviewed by davy sales on quarta-feira, março 22, 2006 Rating: 5

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