sábado, 6 de dezembro de 2014

usina de lixo para fazer biocombustíveis

o imbroglio: uma empresa americana, a Shift Energy Holdings foi recebida pelo governador eleito Renan Filho, e vice Luciano Barbosa, além de Célia Rocha e Yale Fernandes. Estranhei duas coisas, a holding apareceu esse ano (fundada em 2014) sai da califórnia para comprar nosso lixo e, ao invés de falar com o governador do Estado, é recebido pelo governador ainda não empossado. Se você quiser ler o perfil da empresa verá que ela ainda não tem história nenhuma. Ao que parece, ao governador Teotônio Vilela restou raspar os cofres com propagandas diárias do quanto seu governo foi bom. Daí fui atrás do fisco americano e encontrei a holding: acaba de ser fundada, não tem nenhuma receita declarada, e espera atrair investidores que possam colocar no negócio ao menos 10 mil dólares. O que pude entender é que se trata de uma empresa nova que está se aventurando por aqui para ver se vinga como bom negócio.

>> perfil na business week: http://investing.businessweek.com/research/stocks/private/snapshot.asp?privcapId=263224198
>> dados do governo americano: http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1607089/000160708914000001/xslFormDX01/primary_doc.xml

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

golbery para governador de alagoas

golbery

Pare para pensar um pouco, num estado como o nosso, votar em Renan Filho ou Benedito de Lira não faz sentido quando temos um candidato irrepreensível como Golbery Lessa. O AgresteNews apóia Gobery Lessa (21) para o governo do estado de Alagoas. Ajude a levar nossa eleição para o segundo turno. Fale com seus amigos, com sua família, com colegas do trabalho, da escola e da faculdade. Por favor veja o vídeo abaixo e perceba que há opção para votar. Vamos quebrar o bloqueio da nossa imprensa vendida ao poder que aí está e vamos enfrentar a falta de visibilidade do nome honroso do Golbery nessa eleição. Domingo dê um voto de confiança. Vote Golbery Lessa 21.

“O caso alagoano precisa ser refletido do ponto de vista da involução que alagoas sofreu nos últimos 60 anos. Alagoas foi um estado que foi muito mais complexo, muito mais moderno, muito mais avançado no passado, do que no presente. Ou seja, nós sofremos uma involução do tempo social, o tempo social é diferente dos astros, do tempo que a gente mede no relógio: ele pode voltar atrás. Então, Alagoas nos anos 20 era o sexto estado mais industrializado do país. Hoje em dia está entre o penúltimo e o último.”

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Se não chover, Rio São Francisco corre risco de ficar seco em um mês

Lago de Três Marias está perto de atingir nível mínimo e rio pode deixar de correr num trecho de 40 quilômetros



A baixa incidência de chuvas ao longo do Rio São Francisco pode criar um cenário de deserto depois da represa de Três Marias. Segundo a secretária nacional do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) e coordenadora-geral do Consórcio Municípios do Lago de Três Marias, Sílvia Freedman, a “previsão catastrófica” é que se criem 40 quilômetros de rio seco nas próximas semanas devido à baixa vazão do rio. Segundo cálculos da entidade, até 15 de outubro o volume útil deve atingir 0%.
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tem cálculos diferentes das entidades que atuam na represa de Três Marias e no São Francisco. “A previsão é de que o reservatório atinja 3% no fim de outubro, quando, a partir de então, se esperam o início das chuvas que poderão promover o reenchimento”, diz a estatal em nota. A empresa admite, no entanto, que a vazão afluente dos rios que abastecem suas represas está no pior nível desde 1931.
“O rio vai parar de correr. Vamos ter só poças d’água”, afirma Sílvia sobre o trecho entre Três Marias e a foz do Rio Abaeté. Ela explica que em reuniões intersetoriais para discutir o que fazer com o rio o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que depois que atingir 3% do nível da represa não terá mais água correndo para as cidades ribeirinhas localizadas a jusante da represa. Atualmente, a represa recebe 14 metros cúbicos por segundo e libera 150 metros cúbicos por segundo.
A consequência é dramática para as cidades que dependem da água para abastecimento e também para atividades econômicas. Entre os afetados está o projeto Jaíba, no Norte de Minas. Lá, novos plantios estão suspensos até o aumento do volume do rio. Em Pirapora, o navio a vapor Benjamim Guimarães parou de navegar. Sílvia Freedman afirma que os municípios situados antes da barragem não terão agravamento da situação, já crítica, porque depois que zerar o volume útil a represa ainda tem 4,5 milhões de metros cúbicos. “Estamos monitorando constantemente com os institutos de pesquisa a previsão de chuva, mas as indicações não são boas”, diz ela.
Vazão baixa
A vazão afluente dos rios nas represas da Cemig está entre as piores da série histórica iniciada em 1931. Em junho e julho, as usinas de Camargos e Nova Ponte registraram a menor entrada de água nos reservatórios em 83 anos, enquanto em Três Marias e Irapé o período foi o segundo pior da história. A insuficiência de água obriga a empresa a reduzir o nível operacional, além de gerar conflito entre a companhia e comunidades ribeirinhas a jusante das represas devido ao baixo nível de água liberado.
Segundo números da Cemig, o nível de armazenamento das usinas é de 9,37% em Camargos, 6,43% em Três Marias, 46,22% em Irapé e 19,44% em Nova Ponte. A empresa alega que a quantidade de água que chega nos reservatórios está entre as mais baixas desde 1931, o que logo justifica o volume reduzido que é liberado. “É fato que estamos atravessando um dos piores registros de vazão nas principais bacias do Sudeste”, diz nota da companhia.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

região metropolitana do agreste alcança meio milhão de habitantes

Arapiraca tem agora 229.329 habitantes, segundo dados do IBGE para 2014. A região metropolitana do agreste alcançou 514.419 habitantes. Maceió atingiu a marca de 1 milhão de habitantes. Alagoas 3.321.730 habitantes.

imageArapiraca tem IDH (2010) de 0,649 (Médio desenvolvimento humano)

arapiraca

Região Metropolitana do Agreste

População
2014 (IBGE)
Arapiraca 229.329
Campo Grande 9.646
Coité do Noia 11.049
Craíbas 24.166
Feira Grande 22.406
Girau do Ponciano 40.100
Jaramataia 5.706
Junqueiro 25.078
Lagoa da Canoa 18.437
Limoeiro de Anadia 28.439
Olho d'Água Grande 5.169
São Brás 7.020
São Sebastião 34.024
Taquarana 19.856
Tanque d'Arca 6.346
Traipu 27.648
Total 514.419

Alagoas_RM_Agreste.svgregião metropolitana do agreste (RMA)

domingo, 24 de agosto de 2014

arapiraca: o fumo, a feira e o luxo

Uma das coisas mais belas que existem é poder estar vivo e acompanhar de dentro, nas bordas e por fora o fazimento de uma cidade, e de sua memória. Minha memória de criança lembra de uma cidade pobre, pouco alimentada de futuro. Mas isso ficou lá para os anos 70 e 80 do século passado. Primeiro lembro muito bem da cultura fumageira, onde quase todas as casas se dispunham a receber uma boa quantidade de tabaco bruto para o processo de destalação. As plantações de fumo estavam nos quatro cantos da cidade, em nove de cada dez sítios, a lavoura do fumo estava presente, até que nos anos 80 começa a perder força. Os plantadores levavam para muitas residências enormes “móios” de fumo, e cada família juntava-se no processo de destalação. O cheiro forte do fumo invadia a casa, e o gás na quebra do talo nos fazia chorar. Depois de juntar folha a folha havia a pesação: ganhávamos dinheiro com isso, pouco, mas ajudava famílias inteiras. Nos meses agosto e setembro a cidade enchia-se do odor do tabaco e as calçadas com montanhas de talos da última noite de trabalho. Juntava-se toda a família no processo. É bom lembrar que foi a cultura fumageira que nos legou o maior e mais prestigioso clube da cidade, o Fumicultores, que recebia a alta roda da cidade, também espaço dos primeiros bailes e boites que a cidade viu. O clube era sinônimo de sofisticação e poucos conseguiam uma carteira de sócio. O fumo pode ser visto assim como parte de nossa alma, meio pelo qual Arapiraca tornou-se uma cidade possível.

Junto a cultura do fumo, como que para assegurar a circulação de riquezas que começavam a serem construídas, tinhamos a feira-livre toda segunda-feira. Era uma feira enorme, avançava por quase todo o centro da cidade, e era muito heterogênea, tinha de tudo. Assim como a cultura fumageira fomentou as primeiras fortunas da cidade, assim também a feira produziu nossos primeiros empresários. Nossa feira era considerada uma das maiores do nordeste e foi lastro de trabalho e renda para muitos arapiraquenses. A feira-livre ensinou a negociar e abriu novas oportunidades de iniciativa privada local. A feira é certamente mãe de uma centena de empresários hoje bem sucedidos da cidade. A movimentação da cidade e o modo como essa cidade foi chamando a atenção dos moradores das cidades vizinhas abriu-nos a possibilidade de sermos um polo comercial importante. Toda segunda-feira chegavam aqui centenas de carros com milhares de pessoas que vinham comprar em nossa feira. Vinham comprar alimentos, artigos domésticos, ferramentas, adornos, artesanatos, e tudo o que se pode imaginar. As bancas de roupas, de carne, de doces, de fumo, de jóias, de calçados, de verduras, e de tantas coisas que a memória peca em relembrar. Além das coisas vendidas a feira era espaço de cultura, com emboladores e suas violas, apresentações de palhaços, números circenses, dançarinas, e outras diversões. A feira potencializou nosso destino comercial, deu-nos a chance de ser muito do que hoje somos, seu espectro hoje resume-se a feiras locais (como primavera, baixão e brasília) pois não há mais a grande feira, que foi progressivamente substituídas por lojas para atender a crescente demanda por ambientes mais qualificados ao consumo da crescente classe média da cidade, o coroamento disso hoje é a chegada do shopping, como o ápice de uma trajetória crescente de desenvolvimento comercial.

Como na foto abaixo, tirada nesta madrugada de sábado para domingo, com os primeiros sinais do amanhecer. me veio à memória o papel da feira e do fumo como alimentos que possibilitaram a cidade avançar em direção ao futuro. A própria arquitetura pobre e amadora começa a dar lugar a construções mais elaboradas, mudando nossa paisagem. Quando olho essa foto do centro me deparo com a volúpia desse desenvolvimento, de uma cidade acanhada para um novo centro onde pululam oportunidades de futuro. A única obrigação que temos é elevar o nível da divisão de riquezas entre nós para que a prometida garantia de futuro nos coloque de fato no caminho de uma comunidade avessa à pobreza. Arapiraca é um oásis de luxo e riqueza no meio da árida paisagem de pobreza dos nossos vizinhos. E ainda nos falta muito para garantir que não retrocedemos e que demos a base para que as gerações vindouras façam de Arapiraca uma comunidade invejável, por ser espaço de produção de riqueza, de educação, de arte e de criatividade. Queremos ser, e estamos a caminhar, com alguns deslizes, mas estamos atentos.

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sábado, 23 de agosto de 2014

arapiraca noturna, fria e viva

Com uma população de cerca de 250 mil habitantes, Arapiraca é o maior centro urbano do interior de Alagoas. Essa urbanidade dá cor e sabor as noites da cidade. A cidade possui uma cena noturna que estende-se da sexta ao domingo, quando é possível presenciar a grande movimentação de pessoas ávidas por lazer noturno. Alguns bares dão espaço para que estes notívagos e boêmios possam divertir-se, há também sempre festas nas casas de eventos (buffets) para onde seguem semanalmente centenas de pessoas em roupa de gala. Há cinemas no shopping e nossos três teatros (SESC, SESI e Planetário, e o CBC tem um teatro construído mas não inaugurado ainda) funcionam com agenda pequena aquém da nossa fome por cultura e arte. Todo mês há shows de bandas e cantores do circuito local e regional, com público garantido. Nos últimos anos também tem chegado nomes nacionais para nossa agenda de eventos.

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Há os bares para os mais jovens e para velhos habitués de espaços mais modernos, há bares de encontros para casais caretas, há bares para senhores e senhoras dançarem forró em churrascarias. Certamente há todos os espaços para casais de namorados, e para homens adultos e solteiros há casas de tolerância para quem procura companhia e sexo pago, como também há praças centrais onde continuamente há shows de rock ou de cultura local (aliás, nossas bandas de rock e cantores são amplamente prestigiados), lugar de passear e jogar conversa fora, também ainda há a possibilidade de comer razoavelmente bem nas pizzarias, pastelarias, tapiocaria, casas de sushi ou lanchonetes de grife, churrascarias e restaurantes, pois também há o costume de alguns grupos jovens pararem nos postos de gasolina nas madrugadas, há espaço para passeio pelos parques e há grupos que circulam pelas ruas e rodovias que cortam a cidade fazendo longos passeios de carro enquanto apreciam a noite adentrar as madrugadas. Esse quadro mostra que temos espaço de sobra para quem quiser abrir casas de lazer noturno para jovens e adultos.

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A cidade está muito fria nessas madrugadas de agosto (média de 17 graus, sensação térmica de 15 ou 14 graus na madrugada), e estamos em pleno agreste nordestino numa paisagem vasta a 257m acima do nível do mar. Muitos visitantes ficam encantados com a cidade que imaginavam “não fosse tão grande e rica” e muitos retornam à cidade depois de viverem por décadas no sudeste. Há novas movimentações demográficas em curso, muitos filhos e filhas da terra estão de volta. E isso é muito bom. O frio muda o modo como os arapiraquenses se vestem nessas noites invernadas, e o convite ao vinho, a boa conversa, ao riso e à amizade é apenas uma pequena demonstração do que Arapiraca é capaz.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

polo agroalimentar de arapiraca

Nesta sexta-feira (22/08) o governo estadual deverá inaugurar o Polo Agroalimentar de Arapiraca, localizado no povoado-bairro Bananeira, próximo a AL 102. Este pretende desenvolver e transferir tecnologia para o setor agroalimentar (mandiocultura e hortifruticultura) com intenção de prover meios de sustentabilidade tecnológica para a cadeia alimentar da mandioca e hortifrutos.

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Sua infraestrutura laboratorial deve desenvolver produtos derivados, análise de qualidade e certificação desses produtos. Um dos impactos pretendidos é facilitar a transferência de conhecimento e técnicas entre os centros de pesquisa e o produtor a partir da melhorara da qualidade da mandioca e de seus derivados com o auxílio de tecnologia. O polo agroalimentar possui área de 2.659,23 m2 e será constituído pelos Núcleos de Certificação e de Processamento de Alimentos, laboratóriosde Físico-Química, de Bromatologia, cozinha Semi-Industrial e Unidade de Processamento da Mandioca. Contará também com pequena usina para a produção de combustível (biodiesel).

POLO-AGROALIMENTAR-ARAPIRACA

É interessante notar que a ideia de desenvolvimento da região está no fato de que polos tecnológicos agregam ciência e empresas cuja produção se baseia em pesquisa tecnológica, o que deve ampliar sobremaneira a chegada de iniciativas inovadoras à cidade, trata-se do universo das biotecnologias. É um espaço de investigação e aplicação tecnológica em empresas e start-ups, de modo que terá laboratórios, auditório, salas de aula e alojamento para estudantes e pesquisadores. Os principais parceiros do polo são o IFAL e a UNEAL.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

ninguém nasce professor

Eu relativamente discordo do alexandre garcia que disse que a pessoa nasce professor, que é dom, é missão... eu penso que esse discurso aproxima-se daquele que exige que professores sejam chamados de tios e tias pelos estudantes, nos mesmos ambientes que resolvem pagar salários baixos por estar lidando com tios e tias das crianças, "qualquer ajuda já serve" diz a diretora deseducada. Ninguém nasce professor, com dom e missão dadas, a pessoa torna-se professor, e esse métier exige doação, aprendizado, reinvenção de nós mesmos. E claro, somos educadores sim, ensino e aprendizagem é processo educativo na medida em que amplia o domínio do indivíduo sobre seu mundo, e a baixa remuneração à docência tem relação com a elite pouco escolarizada que nos governa, certamente. Imaginem que não passa na cabeça de nossos vereadores nem da prefeita pagar o mesmo salário de médicos aos nossos professores. Isso não, que professores fiquem no lugar que merecem, eles são devotados aquilo, estão numa missão transcendente, vivem da luz, não precisam de salário ~ "por acaso você conhece professor de ensino médio rico?, ah isso não faz sentido não!" diz o vereador mais-rico-que-médico.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ode à arapiraca

DSCF1110Ela nasceu vingada entre uma grande feira-livre às segundas e suas imensas plantações de fumo. Foi a feira e também o fumo que fez os primeiros ricos da cidade. Cidade-entroncamento desde seus primórdios no alvorecer dos anos 30, hoje encantador polo para onde convergem interesses de riqueza, bem-estar e futuro. Na média das cidades nordestinas, Arapiraca já pousa entre as maiores e mais ricas. Quem circula pelo interior alagoano e aqui passa, fica impressionado com nosso tamanho, peso. Essa cidade está com seu fôlego à mil e é uma alegria poder ver e acompanhar diariamente as transformações por que passa.

DavySales011A cidade ainda não parou de comemorar a inauguração do shopping center, com suas salas de cinema, restaurantes e lojas. As noites da cidade estão mais animadas embora nos faltem espaços de lazer noturno, novos sopros de urbanidade e devir madrugal. O costume de ver um filme no cinema, comer fora, sair na noite estão aos poucos sendo alimentados. O burburinho do shopping deu fôlego ao ar médio-classista da cidade mas ainda faltam lugares para sair a noite: pouquíssimos bares que valem a visita e ausência de boites. Aliás a cidade está a espera de empresários que redescubram a magia das noites arapiraquenses, que abram casas aqui. As nossas noites de inverno são tão bonitas, frias, merecem uma menção honrosa.

DSCF0383Há três teatros embora não haja uma cena permanente, o que empobrece nosso lazer (nesse final de semana tivemos uma mostra de dança no sesi, assim, como novidade, esporadicamente). O campo do turismo de negócios acaba de receber o hotel Ibis, que está para ser inaugurado. Os adultos da cidade têm pouca opção de lazer, sem teatros, sem boites, sem shows, a cidade fica aquém da demanda por esses espaços e serviços. Tem crescido o número de opções de lazer gastronômico, com algumas lanchonetes de grife além de meia dúzia de novos restaurantes. Mas fica no ar a impressão de uma demanda enorme por esse tipo de serviço e pouquíssimas ofertas, é dizer, há muito dinheiro querendo ser gasto pela classe média mas não tem quem os receba. É de fato um campo em aberto.

DSCF0641A AL-220 sente o peso do shopping e seu estacionamento sempre cheio, sente também o aumento do tráfego após sua duplicação, região de hospitais, concessionarias, armazéns e conjuntos residenciais. Agora sabemos da construção de um centro de convenções e um aeroporto. Há poucas semanas a notícia que correu a cidade dava conta da chegada em breve de um campus do CESMAC e da Santa Casa de Misericórdia, que abrirá um hospital aqui. Dentro de dois ou três anos estaremos no auge dessa transformação, quando a maior parte dessas novas instituições estarão em pleno funcionamento, ampliando nossas forças e opções, elevando a cidade ao patamar de cidade polo de saúde e educação.

DSCF0715Como polo educacional podemos apontar o campus sede da UNEAL, o campus da UFAL, e uma dezena de faculdades privadas, além de unidades de várias universidades privadas do sul-sudeste. Nossa classe média cresceu duas vezes mais que a do sudeste na última década, nossa renda per capta aumentou 51% (entre 2008 e 2011), nossa frota de veículos cresceu na ordem de 36% no mesmo período, e além disso, nesse mesmo período mais de 2.500 pessoas deixaram o programa Bolsa Família por conta própria. Não é preciso muito esforço para observar que os sinais do crescimento estão por toda parte em Arapiraca, cidade sede da região metropolitana do agreste. Um gargalo muito deficitário da cidade continua a ser transporte público e a qualidade das vias públicas, caminhamos pouco e de maneira ineficiente nesse campo embora haja algumas ações apontando para a reengenharia da circulação de pessoas e veículos na cidade.

DSCF0388Nesta cidade que vive um momento ímpar em sua história, com ares de modernização e ampliação de sua parca infra-estrutura pública, um boom imobiliário, industrial e educacional têm ajudado no crescimento de sua economia e ampliação do bem-estar. Não significa que não haja pobreza na cidade, mas a comunidade começa a mudar de horizonte, ampliando suas fronteiras espaciais e sua importância regional, até então aquém de oferecer sustento ao desenvolvimento local. Nosso maior desafio é crescer com equidade, e nisso ainda precisamos caminhar bastante, apesar de os índices como IDH nos classificar hoje como cidade de médio desenvolvimento humano, tirando-nos dos bolsões de pobreza aonde tantas cidades ainda vivem. A escolarização crescente dos cidadãos e cidadãs nos dá a garantia de uma cidade que pretende avançar em direção a um estatuto de bem-viver amplo, universalizado.

DSCF0818O pequeno distrito industrial está sem espaço para receber novas empresas, que já começam a sitiar áreas da zona rural ao lado de rodovias numa mostra clara da expansão industrial e de serviços, por ser Arapiraca localizada no centro geográfico de Alagoas, várias distribuidoras estão chegando para ficar por aqui, por estratégia e logística, nada mais vantajoso que manter em Arapiraca um ponto-porto de apoio vantajoso. A cidade é vista como um polo logístico que os empresários já não querem desprezar. Um dos problemas mais graves “era” o abastecimento de água. Um distrito moveleiro foi entregue na AL-220 e há dezenas de empresas que chegaram na mesma AL após a sua duplicação. Aliás, há novos empreendimentos imobiliários que estão transformando a paisagem rural da região do campus da UFAL e a cidade, as fronteiras entre o urbano e o rural nunca estiveram tão esticadas e sobrepostas.

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Assim, imaginem o impacto positivo que a inauguração da nova adutora do Agreste, ocorrida ontem, já nos deu quando entrou em operação. Bom, não está faltando água agora enquanto escrevo, e parece que não preciso mais me preocupar com a água na torneira. A capacidade de abastecimento acaba de ser duplicada e deve garantir água na região capaz de trazer investimentos e crescimento na cidade. O principal ganho é acesso à água potável universalizado, na outra ponta eleva as garantias de manutenção do atual ciclo econômico. A água também deve propiciar a verticalização que tomou força nos dois últimos anos porque a atual expansão horizontal eleva os custos dos serviços públicos (iluminação pública, coleta de lixo, transporte, etc) sendo mais fácil concentrar o crescimento vertical para um atendimento mais racional dos recursos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

água em abundância para arapiraca?

adutora

A nova Adutora do Agreste, que capta água bruta do rio São Francisco em Traipu, passa por 57km de tubos até a estação de tratamento em Arapiraca, na frente do campus da UFAL será inaugurada neste sábado (9). É sem dúvidas uma obra muito importante para o futuro de Arapiraca e de sua região metropolitana. Hoje a capacidade de abastecimento da cidade é de 1.500 m³/h e passará para 3.000 m³/h a partir do sábado.

A perspectiva é de que a duplicação da capacidade de abastecimento beneficie não apenas Arapiraca mas também diretamente as cidades de Girau do Ponciano, Lagoa da Canoa, Craíbas, Igaci, Campo Grande, Coité do Nóia, São Brás, Olho D’Água Grande e Feira Grande.

Hoje vivemos um sistema de abastecimento muito precário com uma ou duas semanas sem água a cada mês. A cidade sobrevive há décadas numa falta crônica de água potável e com abastecimento irregular. A presença da adutora (já bem visível ali na AL da UFAL) para garantir água todos os dias da semana é muito bom. Vamos esperar que nossas torneiras respondam com água permanente para que possamos nos dá por satisfeitos.

Não podemos esquecer que será feita a distribuição da água também para a mineradora Vale Verde no município de Craíbas (não encontrei dados sobre o consumo de água desta obra, o que não pode ser desprezível, ao contrário, mineradoras bebem água demais), além dos vários municípios (a Casal pretende atender a um conjunto de 400 mil hab nessa região). O aumento de 100% na capacidade de captação deve dar vazão a um aumento da satisfação para os consumidores domésticos tanto quanto a ampliação de investidores para os quais a água seja um bem precioso, o que nos dá ainda espaço para questionar sobre a capacidade de longo prazo do nosso sistema de abastecimento.

Por ora, acompanhemos o desenrolar de uma suposta fonte perene de água na cidade, e isso já alimenta muitos sonhos.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

uma nova arapiraca está surgindo

Um processo de verticalização em Arapiraca está em curso. Vários empreendimentos surgindo no horizonte e mudando muito a antiga paisagem. Foto (1) Residencial Espace, próximo ao shopping, (2) Hotel Ibis, na rua Exp Brasileiros e (3) Empresarial na Av Ceci Cunha. Até o final do ano o AgresteNews fará uma reportagem para mapear todos os edifícios da cidade. O skyline da cidade está em profunda mudança, pois há novos empreendimentos nos quatro cantos da cidade. e nós acompanharemos aqui bem de perto esse boom imobiliário que tem mostrado um fôlego invejável. Parece que nada se compara a vitalidade de Arapiraca em todo o interior alagoano.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

o abandono das fontes e das árvores

Agora a pouco na rua do comércio fotografei o trabalho da Prefeitura de Arapiraca: Uma fonte abandonada e árvores cortadas. A fonte é de irresponsabilidade-padrão da prefeitura, há anos ela mantem assim mesmo, nesse estado deplorável. O corte das árvores (segundo uma comerciária me informou) ocorreu porque um galho caiu num fio que derrubou a marquise da loja. Imagino se a prefeitura conhecesse técnicas de poda para salvar árvores em vez de derrubá-las.

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

candidatos a governador de alagoas 2014

clique no nome do candidato para ter acesso aos dados no TSE

Nome completo Nome Urna Núm Partido                               

segunda-feira, 21 de julho de 2014

prefeitura abandonou o memorial da mulher

O Memorial da Mulher Ceci Cunha encontra-se em estado de abandono. O espaço foi criado para homenagear as mulheres da cidade. Há em seu acervo com fotografias, áudio e vídeo de duas ou três dezenas de mulheres que marcaram presença na construção da identidade arapiraquense. Com altos e baixos, o memorial manteve uma agenda importante por algum tempo. A deputada Ceci Cunha, assassinada em Maceió, num crime que comoveu toda a cidade e o Estado é a homenageada maior. A prefeita Célia Rocha costuma pontuar a importância da presença e memória das mulheres mas parece que sua atenção tem passado ao largo das necessidades mais imediatas do memorial, que seria a manutenção do espaço em condições mínimas de uso do acervo e circulação pelos espaços. Obviamente é bom que não se esqueça a responsabilidade que também deve ser imputada aos vereadores da nossa Câmara, co-responsáveis pela falta de atenção com nosso patrimônio.




Dado a importância que as mulheres tomaram em nossa vida pública local, a deputada Ceci Cunha tem seu nome grafado no Memorial da Mulher, dá nome ao parque que fica no entorno do memorial e recebeu também seu nome no rebatismo da avenida cel Wilson Santa Cruz, hoje Avenida Ceci Cunha. Isso não pareceu o bastante. Um pequeno trecho do discurso de posse da deputada na Assembléia Legislativa está inscrito num vão sobre o memorial, onde visitantes vão para observar o parque e o centro da cidade. Qual não é a triste surpresa de subir ao recinto e ver o completo abandono. Como se pode ver, a placa está abandonada, como letras faltando e sem nenhuma limpeza no local. Visitar uma homenagem à deputada e se deparar com fezes de animais ao lado é, no mínimo, triste.

Ao redor do memorial há jardins, e estes estão, apesar também de abandonados, bem bonitos. Dá para perceber que aqui também não há cuidado, não há manutenção e poda das flores e árvores. Ao observar os bancos para o descanso dos visitantes a noção de abandono está bem presente. É preciso que principalmente as mulheres da cidade movimentem-se para cobrar da prefeitura a atenção que o memorial merece. Se a cidade não gritar contra esse esquecimento certamente o memorial é um grande candidato a ruina patrimonial.



ps: Sai pela manhã para fotografar o memorial da mulher. A foto do jardim mostra bem a poesia do abandono. O feio é belo, o belo é feio, e o seu verso, também seu reverso, e continua.

domingo, 13 de julho de 2014

ampliação da urbanização do lago perucaba

Orçada em R$ 2.154.455,00, a obra de ampliação da urbanização do lago da perucaba na área degradada (leia-se final das cacimbas-manoel teles) pretende ligar a área urbanizada da orla até a entrada do novo bairro planejado que está sendo construído no momento. A região sempre foi desprezada pelo poder público e sua degradação é da responsabilidade e inação da prefeitura e da Câmara de Vereadores que jamais olharam para a área, paupérrima, porém, região importantíssima para onde confluem os bairros zélia barbosa, primavera, cacimbas, manoel teles e baixão. O local sempre foi um espaço de despejo de dejetos, lar também do antigo matadouro (em processo de desativação). O investimento não é da Prefeitura, este vem do Ministério das Cidades (embora eu não tenha à mão nenhuma negativa de contrapartida local, o curioso é ver que a Prefeitura escondeu com arremedos, como se vê na foto abaixo, os nomes e logomarcas  dos participantes, estranho, não?).



A ampliação da urbanização tem um timing perfeito com o tempo das construtoras e interesses dos grandes do mercado imobiliário. Enquanto a região era apenas para uma população pobre, sua paisagem era invisível, um imenso terreno baldio, rodeado de casas precárias, rua de chão batido, lixo, e escuridão noturna. A região tornou-se palco da construção de um “novo bairro” privado, e ganhou o reconhecimento de que precisava muito de atenção. No art 8 do plano diretor da cidade diz que visa “distribuir igualmente os benefícios e ônus dos investimentos públicos, reduzindo as desigualdades sócio-espaciais, de forma a recuperar, para a coletividade, a valorização imobiliária decorrente dos investimentos públicos”, nesse ponto parece claro que a coletividade está a reboque do projeto tendo em vista de que esta intervenção foi possível apenas com a chegada do projeto privado dos residenciais perucaba. Não foi fruto de discussões com moradores da região mas para primeiro servir aos moradores que ainda virão. Essa fotografia abaixo será história daqui a pouco: aqui tudo está em construção.

A obra (aparentemente simples) promete durar um ano, a ser entregue em maio de 2015 (não entendi porque tanto tempo). Haverá intervenção no final da avenida norte, e a frente, como se vê nesta ultima foto. Se o padrão arquitetônico se repetir nesse lado sul do lago vai ser uma pena. O traço arquitetônico das intervenções públicas no parque Ceci Cunha e Bosque das Arapiracas já cumpriram o seu papel, parece, não sei, falta criatividade e sofisticação nos projetos. É muito interessante assistir ao que este blog vem insistindo no desabrochar da “nova arapiraca”, que nasce pedindo divórcio (é um enorme conjunto de residenciais ladeados por muros e guaritas). A cidade precisa encontrar um meio de evitar segregações muito intensas e conflituosas visto que a maioria dos novos empreendimentos destinados aos mais ricos são condomínios fechados, não integrados diretamente à cidade senão com seus muros e guaritas contra a cidade.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

isso também é arapiraca






1. Olhando Arapiraca desde o Canaã (AL220-oeste). A paisagem natural é muito bonita, bucólica, calma;
2. Neblina na saida de Arapiraca para Maceió (AL220-leste). É desse tempo frio que os altos agrestes (estamos a 258m acima do nível do mar) se alimentam;
3. Esporte aquático no lago da Perucaba. É preciso correr para regulamentar esse uso, imagine se todo rico daqui comprar um jet-ski, vai ter engarrafamento;
4. Pescadores arapiraquenses no lago da perucaba. Figuras enigmáticas numa cidade sem rios ou mar navegáveis.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

cesmac e santa casa em arapiraca

A construção de um campus do CESMAC e do novo hospital Santa Casa de Misericórdia foi confirmado para serem construídos nas proximidades do novo bairro às margens do Lago da Perucaba. A Santa Casa será o hospital-escola do curso de Medicina que o CESMAC vai oferecer a partir de 2016 em Arapiraca. Em 2016 a cidade terá dois cursos de medicina, no campus UFAL e no campus CESMAC. Estamos nos tornando, de fato, como Campina Grande, um polo educacional sem par na região. 2016 promete ser um dos anos mais promissores para a cidade. As oportunidades estão crescendo, temos que fazer nossa lição, pensar a cidade e atuar para que a grande riqueza gerada possa ser redistribuída para mais arapiraquenses, para que o título de metrópole do futuro não nos deixe.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

cadê o mirante de arapiraca?

Uma cidade pode ser poesia, ou pode ser um nada. Desde meus dias de juventude via a "serra da microonda" como o mais belo mirante da cidade. Íamos lá para beber vinho e conversar. Os anos se passaram e a cidade não lutou para realizar um bem público como a construção de um mirante aqui. No momento a serra está sendo engolida pela expansão urbana (colocaram um muro de concreto para construção das centenas de casas novas no pé-da-serra, e nos impede de apreciar a bela vista do urbio). É disso que estou a falar quando afirmo a inutilidade da câmara e a incapacidade da prefeitura de fazer poesia com a cidade.

domingo, 29 de junho de 2014

o que está por vir entre 2014-15

A mega loja de departamentos Havan [http://www.havan.com.br/] anunciou sua vinda para Arapiraca em 2015

O hotel Ibis [http://ibishotel.ibis.com/pt/home/index.shtml] abre sua unidade Arapiraca em breve na rua experdicionários brasileiros;

O Cesmac deve começar a construir seu campos em 2015 em Arapiraca;

Vagas para o curso de medicina no campus Ufal de Arapiraca começam em 2015;

O metrô de superfície e o aeroporto estão ainda no patamar das promessas;

A duplicação da AL220 entre Arapiraca e São Miguel está em vias de aprovação para obras em 2015;

Algumas promessas eleitoreiras dão conta de conversas sobre a duplicação da AL110 entre Arapiraca e Penedo;

Um museu de biologia será erguido no Bosque das Arapiracas para ser entregue em 2015;

O Centro de Convenções de Arapiraca será construído no lago da Perucaba com previsão de abertura em 2015-16;

Em outubro a prefeitura deverá inaugurar a segunda etapa de urbanização do lago da Perucaba nas imediações do antigo matadouro e Reserva Perucaba;

quinta-feira, 19 de junho de 2014

perucaba no cenário da nova arapiraca

Já dissemos algumas vezes aqui nos últimos anos do boom imobiliário que a cidade vive há quase uma década. A região do lago da Perucaba está em processo de urbanização total. Todo o seu entorno está tomado por novos empreendimentos. A região era muito degradada e sem nenhuma atenção, até que a cidade fez a primeira intervenção e criou um grande parque à beira do lago, num segundo momento construiu um observatório. Uma rua foi asfaltada levando o lago até a Baixa Grande, aumentando a capacidade de circulação. A paisagem se transformou completamente.

O cenário é de construção e dá para sentir o quanto a região está sendo valorizada (obviamente quem mais ganha é a classe média e alta visto que não são projetos para grupos de baixa renda). De um lugar que a cidade dava as costas para o mais belo cartão postal houve mudança de atitude para com o lago, que continua poluído e impróprio para o banho embora não haja mais fontes de esgotos sendo lá despejados. Alguns estudos, conforme publicamos aqui neste blog, indicam áreas de balneabilidade no lago, sinalizando a sua lenta despoluição (com baixíssima ação publica nesse campo, lamentavelmente). Há uma intervenção pública na região do antigo matadouro, com obras de urbanização da orla que liga-se às Cacimbas e Primavera.

O primeiro grande projeto que saiu do papel e está em construção avançada é o residencial Reserva Perucaba, ao sudoeste do lago. Outro grande projeto imobiliário é o residencial Village Damha, no noroeste do lago. A urbanizadora paulista está junto com o grupo Coringa no investimento. Reportagem na revista Estilo (editada pela Damha) sobre a cidade e o novo empreendimento imobiliário que será anunciado no final do ano (ler páginas 18-19 na revista abaixo).


segunda-feira, 9 de junho de 2014

os pecados de renan filho

publicado originalmente por Ricardo Setti em:

“RENAN CALHEIROS: Benza Deus! Ele mal assumiu, e já aparecem maracutaias promovidas pelo filho deputado — em proveito próprio e do pai

Renan Filho: parecido com o pai não só fisicamente (Foto: Agência Câmara)
Quando a gente acha que chegou num determinado limite, certos políticos conseguem ultrapassá-lo — sempre no pior sentido.
Vejam, no texto abaixo, a quantidade de barbaridades encerradas em poucas linhas — e envolvendo o ilustríssimo sr. deputado federal Renan Filho (PMDB-AL), tão parecido com o pai fisicamente quanto, agora se vê, em matéria de comportamento como homem público, e o excelentíssimo sr. senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e, consequentemente, do Poder Legislativo brasileiro, o Congresso Nacional.
Meus comentários ao texto vão entre colchetes. Vejam só:
O deputado federal Renan Filho (PMDB-AL) tem usado recursos da verba indenizatória – ou seja, dinheiro público – para pagar a advogados que atuam para ele próprio e o pai, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), recém-eleito para presidir o Senado – em causas privadas. [Esta é a maracutaia número 1.]
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, escritórios alagoanos que representam a dupla em demandas particulares, nas justiças comum e Trabalhista, já receberam ao menos 190.000 reais do gabinete do parlamentar, na Câmara desde fevereiro de 2011.
Em janeiro, o site de VEJA revelou que Renan Calheiros usa sua verba de gabinete para alugar a sede do PMDB em Alagoas. [Maracutaia número 2. Enquanto vários partidos pagam com seus próprios recursos, Renan lança mão dessa artimanha para que o dinheiro dos nossos impostos resolva o problema da sede do PMDB de Alagoas. É o fim da picada!]
O aluguel é pago ao seu próprio suplente [maracutaia número 3; vejam mais um dos absurdos que envolvem os suplentes de senadores] - que omitiu ser dono do imóvel à Justiça Eleitoral.[maracutaia número 4.]
As verbas indenizatórias são recursos distribuídos aos deputados para custear a atividade parlamentar, como passagens aéreas, telefone, correio e aluguel de escritórios políticos. Os valores variam de 23.000 reais para deputados do DF até 34.200 reais para os de Roraima.
Com sede em Maceió, o escritório Omena Barreto Advogados Associados é contemplado, mensalmente, com 10.000 reais da cota do deputado. Nos registros da Receita Federal, a empresa foi fundada em maio de 2011, mesmo mês em que se iniciaram os repasses do gabinete. [Que coincidência, não? Dá para dizer, sem susto: maracutaia número 5.]
De lá para cá, o valor já pago pela Câmara aos advogados soma 170.000 reais.