domingo, 1 de março de 2015

a cidade expande seus limites urbanos

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Os limites do urbano-rural tem sido deslocado rapidamente desde as duas últimas décadas em Arapiraca. A primeira expansão na região norte engoliu sítios que da noite para o dia tornaram-se bairros, como a região da antiga maçaranduba, hoje pululada de uma dezena de conjuntos residenciais. São áreas com casas populares (a exceção do condomínio ouro verde) e com baixa infra-estrutura de transporte público embora já bem densas. Concomitantemente a região leste na área da boa vista, guaribas e distrito industrial viram as fronteiras do rural aos poucos cedendo espaço para a construção de outra de dezena de conjuntos residenciais, o que inclui um recente interesse na região da bananeira. Indo em direção a região sul o enorme conjunto de casas populares na região dos cazuzinhas. De leste a oeste, norte a sul, é visível as bordas do rural sendo transformadas em bairros.

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Uma segunda expansão não afetou os limites da cidade em direção às ruralidades, mas de fazer um crescimento de oferta de apartamentos, uma expansão vertical. Nesta última década foram construídos os primeiros edifícios de apartamentos da cidade. Isso está transformando lentamente o horizonte da cidade, no sentido físico, arquitetônico. Agora na paisagem da cidade uma dúzia de novos edifícios sendo construídos, há hotel, faculdade, apartamentos, escritórios apontando novas torres ao céu. Na década de 90 e 2000 os novos edifícios eram amadores, pobres e pequenos. O maior edifício da cidade era até então o Plaza Hotel, tradicional, na rio branco. agora está decadente. Hoje as novas construções já subiram um degrau na qualidade, além de serem cada vez mais altos. Atualmente os prédios mais altos da cidade são os dezesseis andares de cada uma das torres no condomínio Espace na região do shopping pátio.

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A nova do momento é a chegada de alguns empreendimentos que prometem urbanizar toda a orla do lago da perucaba, trazendo-o completamente para dentro da cidade. Trata-se de mais uma área de expansão da cidade, o sul e oeste da cidade. Nas bordas do lago surgiram condomínios que já estão em construção, áreas de casas de alto padrão. Vários empreendimentos apontam para também ficarem seus pés por lá, a exemplo do novo campus da Uneal e do Cesmac. O lago continua poluído e não há menção nem do poder público nem dos empresários que fatiaram os lotes ao redor do lago que parece apontar como a nova morada dos endinheirados da cidade. A médio e longo prazo a cidade terá que despoluir o lago se quiser que a região seja sustentável e tenha vida longa.

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O poder público local é pouco sensível ao transporte coletivo, deixando a cidadania a circular individualmente em moto-taxis privados. É certamente um dos pontos fracos e preocupante já que a Câmara, a Prefeitura e o Ministério Público mantém-se inauditos sobre a questão, como se ela não afetasse a capacidade de a cidade crescer com qualidade de vida, e a possibilidade de circulação por entre o tecido nervoso da cidade é a única forma de mantê-la vibrante e funcionando.

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domingo, 25 de janeiro de 2015

pequeno relato sobre o som do mal

Odeio muito esse traço de todas as vizinhanças que moro: o terrível costume de ligar o som tão alto que vibre dentro da minha casa, me impedindo de ler, ver filme ou descansar no silêncio. É um modo de gastar o domingo numa histeria sonora com uma música igualmente imbecil. E gritam, e riem, e estalam garrafas. Há uma mistura de gritos de crianças e adultos embriagados. Não subirei no muro para ver a cena lamentável. Eu peço aos deuses dos trovões que envie raios pois a vida é, em tantos momentos, cousa tão indesejada e evitável.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina.

Não adianta me enviar convite para dia 26.01 marchar contra Dilma, pelo seu impeachment, pois esse movimento é claramente de direita. Sim, depois de Dilma a própria esquerda oficial é cada vez mais parecida com a direita que ela diz enfrentar. Mentira deslavada, basta ver os novos ministros da presidenta, todos com história política no campo da direita, gente perigosa (como Katia Abreu contra os ecosistemas) ou da lavra de um Levy (que agride direitos de trabalhadores, dizendo que o seguro desemprego está ultrapassado). São as escolhas da presidenta, aquela que disse que lutaria contra essa ordem que ela própria agora volta a alimentar e dar legitimidade. Sim, Dilma traiu a maioria dos seus eleitores, disse que faria assim e fez assado. Verdade, eu não voltarei a votar nela. Óbvio, tenho visto sua incapacidade de atuar como uma Estadista, no máximo dá-se ao luxo de ser uma gerente. Para mim, gritar por um golpe contra Dilma é fazer o papel de uma cidadania irresponsável. O que me deixa triste é ouvir e ver que a maioria que entra nesse processo de golpe contra Dilma avalia que Aécio ou Marina seria diferente, melhor. Eu duvido. E muito. Claro que são siameses, alimentados nos mesmos pecados. Prefiro ajudar a desconstruir a presidenta participando de manifestações críticas, populares, livres. Essa de substituir Dilma por Aécio ou Marina é apenas inveja e ilegalidade. A gente precisa mudar a nossa política, precisamos de um novo horizonte para além desse já marcado por mais do mesmo: incompetência, insensibilidade, irresponsabilidade. Estamos num momento de ultrapassar essa ordem partidária dada: inventar novos partidos que não se alimentem dessa carniça disposta no congresso nacional, um movimento político que quebre a hegemonia dos antigos coronéis e do poder dos conglomerados econômicos sobre nossos destinos (os occupy, os podemos! e outros movimentos pelo mundo mostram que há algumas saídas sendo construídas). E por inventar novos partidos quero dizer uma reinvenção da nossa cidadania política, com partidos que não tenham parentesco com essas agremiações infladas de Canalhas, patifes, coronéis, ladrões e assassinos. É preciso que os coletivos populares se organizem, e ao invés de pensar em golpe, fortalecer frente que estabeleça um novo horizonte de atuação cidadã e que pretenda avançar contra o Brasil desenhado por Dilma, Marina e Aécio. Há futuros possíveis, ainda que, sem dúvidas, com quadros cada vez mais catastróficos, sob qualquer perspectiva, embora hajam caminhos ainda abertos à espera dos coletivos revolucionários, criativos, livres e críticos. É hora de inventar e arriscar se queremos dar ao mundo um novo modelo civilizacional, e para que isso seja possível, é preciso primeiro dar as costas à Brasilia enquanto esta for o império que fomenta a tradição brasileira de injustiças contra nossos futuros possíveis.

sábado, 17 de janeiro de 2015

quatro portais nas entradas da cidade

A cidade receberá quatro pórticos em suas entradas principais. O primeiro que está a ser instalado na rodovia AL-110 ficará no percurso que liga Arapiraca ao município de São Sebastião e terá altura de 8,5 metros, estendendo-se por 30 metros de um lado ao outro da via. Ao todo, a cidade terá quatro pórticos em seus principais acessos de São Sebastião, Batalha, Limoeiro de Anadia e Taquarana. Arapiraca tomou de vez seu lugar de importância regional. Agora falta nossa prefeitura observar a ausência de mirantes públicos, uma urgência para o lazer e para o nosso incipiente turismo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

o novo campus da uneal em arapiraca

A Universidade Estadual de Alagoas tem 40 anos de história e seu campus principal em Arapiraca. No campus atual localizado no bairro Alto do Cruzeiro a universidade divide seu espaço com uma escola, não tem mais como crescer. Em 2012 o prefeito Luciano Barbosa oficializou a doação de um novo terreno para a construção do campus definitivo da Uneal na região do lago da perucaba, a área de maior valorização imobiliária e vetor de expansão urbana que hoje a cidade vive.

O terreno tem cerca de 31 mil m2 e o projeto prevê a construção de reitoria, auditório, albergue, restaurante, salas de aula (3 blocos), biblioteca, sala de exposições, espaços de convívio público e de comércio. Abaixo é possível ver o terreno hachurado em azul-cinza.

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O reitor Jairo Campos é um professor em constante luta para fazer com que a Uneal possa existir de fato. Seu empenho nos deu alguns frutos importantes, como festivais de cultura, concurso para professor efetivo e agora um novo campus para a sede em Arapiraca (aliás, há outros campi em construção nesse momento).

O sonho da cidade é que a Uneal supere décadas de luta por espaço físico para seu funcionamento, e agora possa concentrar-se em ampliar sua presença na condução e alimentação dos circuitos das ciências, no fomento de pesquisa, no estabelecimento de uma presença positiva e qualificada nas ciências humanas, exatas, da vida. Já gastamos energia demais pensando nisso, e enfim a gestão do Jairo Campos conseguiu o que até agora ninguém havia feito: um campus grande, novo, que nos levará a novos patamares de qualidade e de presença universitária.

Seguem abaixo recortes de figuras do projeto do novo campus na Perucaba, desenhado pela Serveal (Engenharia do Gov de Alagoas).

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

nova avenida na região do lago

As máquinas estão a todo vapor na região do lago da Perucaba, vê-se a abertura de nova avenida que fará toda a orla do lago e ligará o novo bairro à cidade.

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sábado, 3 de janeiro de 2015

onze vezes arapiraca

Exercício imagístico em busca de novos ângulos, olhares e possibilidades sobre a cidade.

1. Alto do Cruzeirocidade0012015

2. Ouro Verdecidade0013015

3. R. Bejamim Freire de Amorimcidade0072015

4. Inicio da ladeira do Alto (Cruzamento Ceci Cunha com r. Gov Luiz Cavalcante)cidade0082015

5. R. Manoel Leãocidade0162015

6. AL 220cidade0172015

7. Shopping – Centro Administrativocidade0182015

8. Condomínio Espacecidade0192015

9. Condomínio Espacecidade0202015

10. Observatório no Lago da Perucabacidade0212015

11. Av Ceci Cunhacidade0232015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

a nova arapiraca no entorno do lago

imageNa foto acima é possível observar os empreendimentos imobiliários em andamento, as novas vias que farão o contorno do lago e a nova expansão urbana da cidade.

A cidade observa a transformação da região do lago da perucaba. Há algum tempo atrás estavamos todos de costas para o antigo açude da sudene, sujo e poluído por toda a sua existência, começa a mudar de cara: há uma corrida de grupos imobiliários interessados na área. A chegada desses empreendimentos estão ao lado de investimentos públicos na região, como a ampliação da urbanização e infraestrutura da área degradada na margem do entorno do perucaba deve construir uma grande avenida que ligará a avenida norte ao novo bairro e toda a região. As fotos que seguem mostram essa intervenção atual.

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A Urbis Perucaba está transformando o sul do lago, com um bairro projetado que começa a tomar forma. A Damha Urbanizadora está para transformar a área norte do lago, com outro grande conjunto residencial. É nessa região também que o Cesmac pretende construir seu campus. A ideia geral é de que a região aos poucos possa concentrar boa parte da classe média da cidade, num ambiente que deverá ter também uma gama interessante de serviços a disposição, como praças e áreas de lazer, além de grandes lojas, conjuntos residenciais e edificios de apartamentos. No primeiro momento já vemos a chegada do reserva perucaba e seu clube.

Que a região do lago respira o futuro da cidade não há dúvidas embora não saibamos ao certo o que as instituições públicas farão em relação à despoluição do lago, ao uso coletivo e livre do seu entorno em suas áreas públicas para que a cidade não sofra com a fome da especulação imobiliária, a gentrificação e caminhe com passos largos para inserir a nova região à cidade, interligando suas vias, seus moradores e seus serviços para o bem-estar de todos.

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sábado, 6 de dezembro de 2014

usina de lixo para fazer biocombustíveis

o imbroglio: uma empresa americana, a Shift Energy Holdings foi recebida pelo governador eleito Renan Filho, e vice Luciano Barbosa, além de Célia Rocha e Yale Fernandes. Estranhei duas coisas, a holding apareceu esse ano (fundada em 2014) sai da califórnia para comprar nosso lixo e, ao invés de falar com o governador do Estado, é recebido pelo governador ainda não empossado. Se você quiser ler o perfil da empresa verá que ela ainda não tem história nenhuma. Ao que parece, ao governador Teotônio Vilela restou raspar os cofres com propagandas diárias do quanto seu governo foi bom. Daí fui atrás do fisco americano e encontrei a holding: acaba de ser fundada, não tem nenhuma receita declarada, e espera atrair investidores que possam colocar no negócio ao menos 10 mil dólares. O que pude entender é que se trata de uma empresa nova que está se aventurando por aqui para ver se vinga como bom negócio.

>> perfil na business week: http://investing.businessweek.com/research/stocks/private/snapshot.asp?privcapId=263224198
>> dados do governo americano: http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1607089/000160708914000001/xslFormDX01/primary_doc.xml

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

golbery para governador de alagoas

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Pare para pensar um pouco, num estado como o nosso, votar em Renan Filho ou Benedito de Lira não faz sentido quando temos um candidato irrepreensível como Golbery Lessa. O AgresteNews apóia Gobery Lessa (21) para o governo do estado de Alagoas. Ajude a levar nossa eleição para o segundo turno. Fale com seus amigos, com sua família, com colegas do trabalho, da escola e da faculdade. Por favor veja o vídeo abaixo e perceba que há opção para votar. Vamos quebrar o bloqueio da nossa imprensa vendida ao poder que aí está e vamos enfrentar a falta de visibilidade do nome honroso do Golbery nessa eleição. Domingo dê um voto de confiança. Vote Golbery Lessa 21.

“O caso alagoano precisa ser refletido do ponto de vista da involução que alagoas sofreu nos últimos 60 anos. Alagoas foi um estado que foi muito mais complexo, muito mais moderno, muito mais avançado no passado, do que no presente. Ou seja, nós sofremos uma involução do tempo social, o tempo social é diferente dos astros, do tempo que a gente mede no relógio: ele pode voltar atrás. Então, Alagoas nos anos 20 era o sexto estado mais industrializado do país. Hoje em dia está entre o penúltimo e o último.”

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Se não chover, Rio São Francisco corre risco de ficar seco em um mês

Lago de Três Marias está perto de atingir nível mínimo e rio pode deixar de correr num trecho de 40 quilômetros



A baixa incidência de chuvas ao longo do Rio São Francisco pode criar um cenário de deserto depois da represa de Três Marias. Segundo a secretária nacional do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) e coordenadora-geral do Consórcio Municípios do Lago de Três Marias, Sílvia Freedman, a “previsão catastrófica” é que se criem 40 quilômetros de rio seco nas próximas semanas devido à baixa vazão do rio. Segundo cálculos da entidade, até 15 de outubro o volume útil deve atingir 0%.
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tem cálculos diferentes das entidades que atuam na represa de Três Marias e no São Francisco. “A previsão é de que o reservatório atinja 3% no fim de outubro, quando, a partir de então, se esperam o início das chuvas que poderão promover o reenchimento”, diz a estatal em nota. A empresa admite, no entanto, que a vazão afluente dos rios que abastecem suas represas está no pior nível desde 1931.
“O rio vai parar de correr. Vamos ter só poças d’água”, afirma Sílvia sobre o trecho entre Três Marias e a foz do Rio Abaeté. Ela explica que em reuniões intersetoriais para discutir o que fazer com o rio o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que depois que atingir 3% do nível da represa não terá mais água correndo para as cidades ribeirinhas localizadas a jusante da represa. Atualmente, a represa recebe 14 metros cúbicos por segundo e libera 150 metros cúbicos por segundo.
A consequência é dramática para as cidades que dependem da água para abastecimento e também para atividades econômicas. Entre os afetados está o projeto Jaíba, no Norte de Minas. Lá, novos plantios estão suspensos até o aumento do volume do rio. Em Pirapora, o navio a vapor Benjamim Guimarães parou de navegar. Sílvia Freedman afirma que os municípios situados antes da barragem não terão agravamento da situação, já crítica, porque depois que zerar o volume útil a represa ainda tem 4,5 milhões de metros cúbicos. “Estamos monitorando constantemente com os institutos de pesquisa a previsão de chuva, mas as indicações não são boas”, diz ela.
Vazão baixa
A vazão afluente dos rios nas represas da Cemig está entre as piores da série histórica iniciada em 1931. Em junho e julho, as usinas de Camargos e Nova Ponte registraram a menor entrada de água nos reservatórios em 83 anos, enquanto em Três Marias e Irapé o período foi o segundo pior da história. A insuficiência de água obriga a empresa a reduzir o nível operacional, além de gerar conflito entre a companhia e comunidades ribeirinhas a jusante das represas devido ao baixo nível de água liberado.
Segundo números da Cemig, o nível de armazenamento das usinas é de 9,37% em Camargos, 6,43% em Três Marias, 46,22% em Irapé e 19,44% em Nova Ponte. A empresa alega que a quantidade de água que chega nos reservatórios está entre as mais baixas desde 1931, o que logo justifica o volume reduzido que é liberado. “É fato que estamos atravessando um dos piores registros de vazão nas principais bacias do Sudeste”, diz nota da companhia.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

região metropolitana do agreste alcança meio milhão de habitantes

Arapiraca tem agora 229.329 habitantes, segundo dados do IBGE para 2014. A região metropolitana do agreste alcançou 514.419 habitantes. Maceió atingiu a marca de 1 milhão de habitantes. Alagoas 3.321.730 habitantes.

imageArapiraca tem IDH (2010) de 0,649 (Médio desenvolvimento humano)

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Região Metropolitana do Agreste

População
2014 (IBGE)
Arapiraca 229.329
Campo Grande 9.646
Coité do Noia 11.049
Craíbas 24.166
Feira Grande 22.406
Girau do Ponciano 40.100
Jaramataia 5.706
Junqueiro 25.078
Lagoa da Canoa 18.437
Limoeiro de Anadia 28.439
Olho d'Água Grande 5.169
São Brás 7.020
São Sebastião 34.024
Taquarana 19.856
Tanque d'Arca 6.346
Traipu 27.648
Total 514.419

Alagoas_RM_Agreste.svgregião metropolitana do agreste (RMA)

domingo, 24 de agosto de 2014

arapiraca: o fumo, a feira e o luxo

Uma das coisas mais belas que existem é poder estar vivo e acompanhar de dentro, nas bordas e por fora o fazimento de uma cidade, e de sua memória. Minha memória de criança lembra de uma cidade pobre, pouco alimentada de futuro. Mas isso ficou lá para os anos 70 e 80 do século passado. Primeiro lembro muito bem da cultura fumageira, onde quase todas as casas se dispunham a receber uma boa quantidade de tabaco bruto para o processo de destalação. As plantações de fumo estavam nos quatro cantos da cidade, em nove de cada dez sítios, a lavoura do fumo estava presente, até que nos anos 80 começa a perder força. Os plantadores levavam para muitas residências enormes “móios” de fumo, e cada família juntava-se no processo de destalação. O cheiro forte do fumo invadia a casa, e o gás na quebra do talo nos fazia chorar. Depois de juntar folha a folha havia a pesação: ganhávamos dinheiro com isso, pouco, mas ajudava famílias inteiras. Nos meses agosto e setembro a cidade enchia-se do odor do tabaco e as calçadas com montanhas de talos da última noite de trabalho. Juntava-se toda a família no processo. É bom lembrar que foi a cultura fumageira que nos legou o maior e mais prestigioso clube da cidade, o Fumicultores, que recebia a alta roda da cidade, também espaço dos primeiros bailes e boites que a cidade viu. O clube era sinônimo de sofisticação e poucos conseguiam uma carteira de sócio. O fumo pode ser visto assim como parte de nossa alma, meio pelo qual Arapiraca tornou-se uma cidade possível.

Junto a cultura do fumo, como que para assegurar a circulação de riquezas que começavam a serem construídas, tinhamos a feira-livre toda segunda-feira. Era uma feira enorme, avançava por quase todo o centro da cidade, e era muito heterogênea, tinha de tudo. Assim como a cultura fumageira fomentou as primeiras fortunas da cidade, assim também a feira produziu nossos primeiros empresários. Nossa feira era considerada uma das maiores do nordeste e foi lastro de trabalho e renda para muitos arapiraquenses. A feira-livre ensinou a negociar e abriu novas oportunidades de iniciativa privada local. A feira é certamente mãe de uma centena de empresários hoje bem sucedidos da cidade. A movimentação da cidade e o modo como essa cidade foi chamando a atenção dos moradores das cidades vizinhas abriu-nos a possibilidade de sermos um polo comercial importante. Toda segunda-feira chegavam aqui centenas de carros com milhares de pessoas que vinham comprar em nossa feira. Vinham comprar alimentos, artigos domésticos, ferramentas, adornos, artesanatos, e tudo o que se pode imaginar. As bancas de roupas, de carne, de doces, de fumo, de jóias, de calçados, de verduras, e de tantas coisas que a memória peca em relembrar. Além das coisas vendidas a feira era espaço de cultura, com emboladores e suas violas, apresentações de palhaços, números circenses, dançarinas, e outras diversões. A feira potencializou nosso destino comercial, deu-nos a chance de ser muito do que hoje somos, seu espectro hoje resume-se a feiras locais (como primavera, baixão e brasília) pois não há mais a grande feira, que foi progressivamente substituídas por lojas para atender a crescente demanda por ambientes mais qualificados ao consumo da crescente classe média da cidade, o coroamento disso hoje é a chegada do shopping, como o ápice de uma trajetória crescente de desenvolvimento comercial.

Como na foto abaixo, tirada nesta madrugada de sábado para domingo, com os primeiros sinais do amanhecer. me veio à memória o papel da feira e do fumo como alimentos que possibilitaram a cidade avançar em direção ao futuro. A própria arquitetura pobre e amadora começa a dar lugar a construções mais elaboradas, mudando nossa paisagem. Quando olho essa foto do centro me deparo com a volúpia desse desenvolvimento, de uma cidade acanhada para um novo centro onde pululam oportunidades de futuro. A única obrigação que temos é elevar o nível da divisão de riquezas entre nós para que a prometida garantia de futuro nos coloque de fato no caminho de uma comunidade avessa à pobreza. Arapiraca é um oásis de luxo e riqueza no meio da árida paisagem de pobreza dos nossos vizinhos. E ainda nos falta muito para garantir que não retrocedemos e que demos a base para que as gerações vindouras façam de Arapiraca uma comunidade invejável, por ser espaço de produção de riqueza, de educação, de arte e de criatividade. Queremos ser, e estamos a caminhar, com alguns deslizes, mas estamos atentos.

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sábado, 23 de agosto de 2014

arapiraca noturna, fria e viva

Com uma população de cerca de 250 mil habitantes, Arapiraca é o maior centro urbano do interior de Alagoas. Essa urbanidade dá cor e sabor as noites da cidade. A cidade possui uma cena noturna que estende-se da sexta ao domingo, quando é possível presenciar a grande movimentação de pessoas ávidas por lazer noturno. Alguns bares dão espaço para que estes notívagos e boêmios possam divertir-se, há também sempre festas nas casas de eventos (buffets) para onde seguem semanalmente centenas de pessoas em roupa de gala. Há cinemas no shopping e nossos três teatros (SESC, SESI e Planetário, e o CBC tem um teatro construído mas não inaugurado ainda) funcionam com agenda pequena aquém da nossa fome por cultura e arte. Todo mês há shows de bandas e cantores do circuito local e regional, com público garantido. Nos últimos anos também tem chegado nomes nacionais para nossa agenda de eventos.

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Há os bares para os mais jovens e para velhos habitués de espaços mais modernos, há bares de encontros para casais caretas, há bares para senhores e senhoras dançarem forró em churrascarias. Certamente há todos os espaços para casais de namorados, e para homens adultos e solteiros há casas de tolerância para quem procura companhia e sexo pago, como também há praças centrais onde continuamente há shows de rock ou de cultura local (aliás, nossas bandas de rock e cantores são amplamente prestigiados), lugar de passear e jogar conversa fora, também ainda há a possibilidade de comer razoavelmente bem nas pizzarias, pastelarias, tapiocaria, casas de sushi ou lanchonetes de grife, churrascarias e restaurantes, pois também há o costume de alguns grupos jovens pararem nos postos de gasolina nas madrugadas, há espaço para passeio pelos parques e há grupos que circulam pelas ruas e rodovias que cortam a cidade fazendo longos passeios de carro enquanto apreciam a noite adentrar as madrugadas. Esse quadro mostra que temos espaço de sobra para quem quiser abrir casas de lazer noturno para jovens e adultos.

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A cidade está muito fria nessas madrugadas de agosto (média de 17 graus, sensação térmica de 15 ou 14 graus na madrugada), e estamos em pleno agreste nordestino numa paisagem vasta a 257m acima do nível do mar. Muitos visitantes ficam encantados com a cidade que imaginavam “não fosse tão grande e rica” e muitos retornam à cidade depois de viverem por décadas no sudeste. Há novas movimentações demográficas em curso, muitos filhos e filhas da terra estão de volta. E isso é muito bom. O frio muda o modo como os arapiraquenses se vestem nessas noites invernadas, e o convite ao vinho, a boa conversa, ao riso e à amizade é apenas uma pequena demonstração do que Arapiraca é capaz.

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