domingo, 28 de junho de 2015

ainda somos a terra do fumo?


O principal produto de exportação de Arapiraca (região metropolitana) é o tabaco rama. Conhecida como a terra do fumo, a região mantém um comércio exportador de fumo ainda vultuoso. E os dados mostram que esse tipo de comércio tem crescido a uma taxa de 20% nos últimos 5 anos. Lagoa da Canoa agora é a terra do fumo, exportando duas vezes mais que Arapiraca. Lagoa da Canoa é tão perto de Arapiraca que esta é para nós mais um bairro rural. Os dados de 2014 mostram os números. A maior parte desse fumo cru ou bruto segue para a Indonésia. Foram 4,49 milhões de dólares em exportação. Lagoa da Canoa (64%) 2,87 milhões de dólares e Arapiraca (36%) 1,62 milhão de dólares. Veja o quadro abaixo para ter uma ideia para onde vai o fumo produzido em nossa região.

sábado, 27 de junho de 2015

o tamanho da educação superior em arapiraca

Levando em conta apenas as universidades públicas e faculdades privadas presenciais, esse é o quadro do tamanho da educação superior em Arapiraca. São 8.760 alunos matriculados no ensino superior. 75% dos alunos são das duas universidades públicas. Os 25% restantes divididos entre as três maiores faculdades privadas.

terça-feira, 23 de junho de 2015

a procissão das trevas


A desprestigiada Câmara de Vereadores entrou para a lista de espaços legislativos antidemocráticos com agenda contra a Educação: proibido explicar para os jovens as relações entre os gêneros. Os arautos da soberba proibiram discussões sobre gênero e orientação sexual no processo de educação. Nenhum deles pertence aos gêneros humano, masculino ou feminino. E nenhum deles tem orientação sexual. Digamos que isso ultrapassa de longe a ma-fé. Com viés religioso, com apoio da inapta prefeita Célia e da sem-noção secretaria de educação, desprezam as múltiplas violências que nossos jovens sofrem em suas relações de gênero, de fato. A conta dessa violência silenciada nas escolas será cobrada em breve. Soa baixo o nível intelectual dos agentes públicos do executivo e legislativo. A cada dia fica mais claro o quanto essa casa é ilegítima, e das novas gerações que já nascem discutindo gênero fundarão uma legislatura de homens e mulheres racionais, éticos e corajosos. Por enquanto ficamos com essa cena que será parte do lixo da nossa história.

Nota da Associação Brasileira de Antropologia sobre a supressão de gênero e orientação sexual nos planos municipais estaduais e nacional de educação: Leia aqui


segunda-feira, 22 de junho de 2015

gênero nas escolas, sim!

O medo da CNBB sobre "Gênero" é porque tais discussões desterritorializam o sexo. O medo é dizer para nossos jovens que a genitália sexual é natural embora os papeis dado aos sexos sejam artefatos culturais. Questionar os papeis masculinos e femininos é questionar toda a autoridade que alimenta esse modo de gerir o mundo. Machismo, homofobia e violência é tudo do espaço do gênero. Questionar os papeis, as performances e as relações de poder entre os sexos põem em xeque o patriarcado. É disso que estamos falando quando falamos de gênero. Não é à toa que religiosos e políticos conservadores estão em cruzada contra esse saber: porque é luz demais para suas cegueiras, tem que correr para evitar que as novas gerações entendam as bases das desigualdades entre os sexos e os territórios de controle social e do poder. Basta a razão e a inteligência para entender o quanto isso é urgente para o avanço da vida social.

sábado, 20 de junho de 2015

o tempo de feitura da cidade

Quando observamos um recorte de imagem do google earth satélite (são de 25 de abril do ano presente) dá para ter a dimensão da velocidade da expansão urbana em Arapiraca. Essa imagem como que mostra a zona norte recém-surgida, como a expansão da antiga maçaranduba-planalto com dezenas conjuntos residenciais em direção ao campus da UFAL e em direção ao Canaã. O Canaã da minha memória estava no mundo rural, hoje parece-nos óbvio que a comunidade possui status de bairro embora os entes públicos ainda não o tenha feito. O Canaã e as Bananeiras, em regiões opostas da cidade, são zonas rurais recentemente integradas à cidade, mas com infra-estrutura precária.

Olhemos para a região do lago da perucaba. Impressiona o quanto a orla inteira foi invadida por bairro projetado e meia dúzia de condomínios. Avenidas estão surgindo na região, ligações entre essa nova área e a cidade. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

arapiraca domingo com mínima de 19 graus

Os dias estão mais frios na cidade. E o ambiente frio nesse planalto agreste traz noites e madrugadas neblinadas. Como há poucos espaços de lazer, passeios noturnos pela cidade e suas redondezas são um modo de curtir o inverno. Um pecado dessa cidade é não ter uma agenda de teatro no inverno. Há bares e restaurantes para vários gostos, mas é dificil encontrar um lugar para dançar. Lazer para adultos são raras as casas. A cidade tem uma movimentação bem qualificada em suas noites, mas sem contrapartida a altura. O trânsito é bem intenso, e a 220 é um dos termômetros da cidade acordada. Há muita gente em busca de diversão e lazer. 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

reurbanização do comércio, marginal do piauí e lago da perucaba

A prefeitura está reunindo-se com empresários para traçar seu projeto de readequação urbana: trata-se de um "shopping" à cèu aberto, compreendendo a rua aníbal lima, a praça bom conselho e a rua do comércio. Essa área será um grande calçadão, com a transformação arquitetônica das fachadas das lojas e área verde para atrair consumidores;

Outro projeto é a segunda etapa do parque Ceci Cunha e da nova etapa de adequação do lago da perucaba com a chegada de dois novos bairros na orla do lago;

Também há a intenção de fazer a ligação da avenida marginal do piauí (que cruza o bosque das arapiracas e parque ceci cunha) às AL 110 e 220. Isso contando com a nova duplicação da AL 110. Citou-se interesse em recuperar a AL-115 o que faria nascer um anel viário, de fato, na cidade.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

o aeroporto, a uneal, a al-110 e o futuro da cidade

No evento "governo presente" (a ideia de que o governo é sempre ausente mesmo) o governador Renan Filho e a prefeita Célia Rocha foram vaiados na praça da Prefeitura por alunos da Uneal que estão em luta antiga por direito a estudar com professores efetivos que, assim como o ex-governador Téo Vilela, o atual governador Renan Filho continua na desconstrução e destruição da Uneal como projetos essenciais, e isso ficou claro na fala do ex prefeito Luciano Barbosa, atual secretário estadual da educação, no jornal da manhã na Gazeta quando afirmou ao repórter que a folha da Uneal não será ampliada, só entra um quando sai outro professor, mantendo o mesmo quadro docente, incapaz de ampliar o corpo docente e com isso a ampliação de oferta de educação publica superior é abertamente negada. Para muitos isso significa o desprezo e o projeto de acabar com a universidade estadual;

No mesmo evento aqui na cidade foi assinado o termo que dá inicio aos estudos de viabilidade da construção do nosso aeroporto. Vão indicar alguns sítios na zona rural para que a Secretaria de Aviação escolha qual é o mais adequado para a obra. Após a aprovação do terreno é que iremos ao processo de licença ambiental, configuração do projeto conforme o terreno escolhido e depois disso é que a construção deve começar, isso deve levar alguns meses, talvez anos, o governo não publicou uma agenda definitiva;

Ainda nesse evento o governo estadual autorizou o inicio da duplicação de míseros 4km de duplicação da AL-110, que vai do posto da Polícia na rotatória da AL-220 até o antigo aeroporto. O trecho seguinte de 26km que vai até São Sebastião não será duplicado, receberá apenas uma recuperação asfáltica. O anel viário duplicado que circule todo o perímetro urbano está vindo aos poucos. A notícia é boa embora o empenho em consertar e avançar com a estrutura viária de Arapiraca seja pouca e lenta, vamos alcançando alguns méritos, se o governador olhasse o agreste com mais atenção ampliaria a duplicação em mais do que 4km.

Aliás é bom lembrar que quando soubermos qual sítio sediará o novo aeroporto, a região necessariamente também receberá novas vias que se integrarão a malha do circuito existente. A paisagem continua a mudar, não temos dúvidas, apenas nos parece que o governo é um tanto inábil com obras no interior do Estado.

O turismo de negócios e a capacidade de receber da cidade de Arapiraca estão crescendo. O hotel da bandeira Ibis está de pronto para ser inaugurado. A prefeitura está aquém das nossas necessidades de investimentos em infra-estrutura, visto que essas obras todas são intervenção do governo federal e em menor parcela do governo estadual, embora todos queiram sair bem na foto.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

a cidade castrada e a farsa do call center

Duas décadas de mandatos entre Célia e Luciano na prefeitura fizeram Arapiraca transformar-se. Dificilmente alguém olha hoje para Arapiraca e não surpreende-se com a nova paisagem urbana que nos levou a decretar a região metropolitana do agreste por causa da força aglutinadora que este urbio possui para todas as cidades da região. Apesar de tudo podemos observar investimentos parcos para a sêde dessa cidade, e se olharmos bem de perto o grosso do pouco investimento veio da iniciativa privada e do governo federal. A cidade parece que está com suas contas no vermelho desde sempre e a irresponsabilidade da Câmara e da Prefeitura que simplesmente não dão satisfação à população sobre seus gastos e investimentos dá a noção do quanto vivemos em torno de um poder público ilegal, sem transparência, que parece gastar nossos recursos como se fosse dinheiro privado, sem prestação de contas.
Duas décadas com Célia e Luciano e a cidade continua sem um sistema de transporte coletivo adequado, há três ou quatro linhas de ônibus que cruzam uma pequena parte da cidade, com ônibus velhos, aos farrapos, e com tarifa abusiva. A maior parte das ruas continuam em chão cru, sem calçamento ou asfalto. A educação pública continua com salários muito baixos e o atendimento à saúde pública também deficiente. O lugar de destaque que Arapiraca alcançou diz respeito mais ao povo e a iniciativa privada do que da inteligência e racionalidade do poder público. Uma prefeita que ri da situação onde mulheres e homens pobres são obrigados a pagar transporte individual e privado (mototaxi) para ter o direito a circular pela cidade dá o mote da ineficiência da nossa prefeitura e do modo como nossa Câmara de Vereadores é uma extensão incapaz de cobrar da prefeitura.
Uma mostra dessa ineficiência é a prefeita Célia funcionar como garota-propaganda do Call Center. Essa empresa chegou por aqui e hoje emprega cerca de 1500 arapiraquenses, ocorre que essa mesma empresa é um ambiente muito ruim para o trabalho, pela altíssima taxa de rotatividade, trabalho estressante, turnos abusivos, entre outros pormenores. O estranho é nossa prefeita repetir-se tanto na ladainha de que essa empresa é o melhor que podia ter nos ocorrido. Que tal a prefeita nos apresentar os números? quantas pessoas são despedidas por mês nesse Call Center? É uma irresponsabilidade arguir em favor desse tipo de empresa que tem rotatividade de 85% dos postos de trabalho, na maioria contra nossos jovens. O fato de uma empresa chegar aqui com um volume tão grande de postos de trabalho não significa necessariamente um bem público, ao contrário, esse é um ambiente bem nocivo ao futuro dos jovens arapiraquenses, conforme essa reportagem, por exemplo. Num ambiente hostil aos direitos trabalhistas, essa empresa representa o pior para os trabalhadores, para seus rendimentos, sua saúde, seu lazer, sua vida social. Precisamos enfrentar a precarização como modelo abonado pelos que se autointitulam os donos da cidade.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

v festival de teatro de arapiraca

teatro

O V Festival de Teatro de Arapiraca começa nesta sexta-feira (22), a partir das 20h, no Teatro do Sesi. É um festival pequeno, com raros avanços desde sua primeira edição, e mantém uma programação limitada. Pela inexistência de agenda teatral (apesar de três teatros em funcionamento) vale visitar o festival nesses dias. Uma pena que se resuma a textos pouco profundos, o que reduz a possibilidade de grandes performances. O desenho da programação mostra mais o teatro de temática repetitiva, local, popular, com acento de puro entretenimento do que apostar em uma mostra da potência da arte teatral. A organização do festival não produziu sequer um site com a programação oficial e portfolio das companhias. Apenas a abertura com a companhia de Maceió será gratuita, nos dias seguintes é preciso pagar ingresso de R$ 16, estudantes pagam meia-entrada.

Quando: 22 a 31 de maio

Onde: Teatro do Sesi (bairro primavera)

Que horas: 20h.

Espetáculos

Dia 22 – Marina (Companhia Teatro da Meia-Noite)
Dia 23 – Cordel do Amor Sem Fim (Cia. Maria Dengosa);
Dia 24 – Maria Sem Vergonha (Cia. de Teatro Arapiraquense);
Dia 26 – Amores às Avessas (Avessarte Companhia de Teatro);
Dia 27 – A Cantora Careca (Cia. Insanos – Camboio de Doido);
Dia 28 – Se o Defunto Falasse (Cia. Teatral Luzes de Ribalta);
Dia 29 – A Árvore dos Mamulengos (Atuar É Preciso);
Dia 30 – Quem Matou Maria Helena? (Art'Reflexo Companhia de Teatro)
Dia 31 – Encerramento e entrega das premiações.

Oficinas

  • Oficina de expressão corporal (09 e 10 de maio)
  • Oficina de Técnica Vocal (16 e 17 de maio)
  • Oficina de iniciação teatral (25 a 29 de maio)
  • Oficina de Técnica de cenografia (27 a 29)
  • Oficina "Ritmos de Rua" (dia 31 de maio)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

duplicação da AL 110 vai começar

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detalhe da AL-220 duplicada.

Uma fonte informa que a duplicação da AL110, no trecho entre o trevo da polícia (na altura do Atacadão) até o antigo aeroporto (Boa Vista) a rodovia vai começar nesses dias a duplicação. A cidade tem um trecho da AL220 duplicada, com a duplicação do trecho urbano da AL110 tudo indica que estamos a desenhar um anel viário. Os caminhões que trabalharão nessa nova duplicação já estão sendo contratados, a maior parte dos terrenos idenizados (com algumas pendências). É muito boa notícia para a cidade, duplicar nossas vias aumenta a nossa capacidade de fluxo, de bens, serviços e pessoas, e isso reflete no aumento de riqueza da cidade. Várias notícias informam que a AL110 deverá ser duplicada durante a construção do gasoduto de Penedo para Arapiraca. No primeiro momento a duplicação da AL110 será esse pequeno trecho, da polícia ao bairro boa vista, e deve seguir duplicando do antigo aeroporto até São Sebastião, no encontro da AL110 com a BR101, já duplicada. Bons ventos estão em nossa volta.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

as universidades da cidade

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A UFAL abriu edital para a contratação efetiva de professores para seu novo curso de medicina no campus de Arapiraca. É isso. A cidade acaba de ganhar uma graduação em Medicina, única no interior de Alagoas. A cidade acaba de avançar mais uma casa na importância estratégica que esse curso vai dar à cidade e região no campo da saúde. Na esteira da medicina que aporta na cidade, virão hospitais e clínicas, e toda uma ordem de empresas de bens e serviços de saúde. Com duas universidades públicas e dezenas de faculdades privadas já somos um polo educacional importante, agora constrói-se uma ponte para criar um polo de saúde.

 

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A UNEAL continua respirando por aparelhos, até o momento a nomeação dos 50 professores aprovados em concurso público continuam sem tomar posse. O ex governador Téo Vilela havia anunciado sua disposição à lutar pela federalização da UNEAL porque, segundo ele, o Estado não teria condições de financiar o funcionamento da universidade. Não se poderia esperar outra coisa de um político do PSDB sempre prontos a exigir as iniciativas públicas sigam para a iniciativa privada. A questão agora é como o Renan Filho, aual governador vai lidar com a questão, pois é ele que até agora impediu que os professores aprovados sejam empossados em seus cargos no quadro da universidade estadual.

sábado, 2 de maio de 2015

o inverno transforma a cidade

inverno

O inverno começa a insinuar-se com a pequena queda da temperatura nesses dias de outono. E o inverno por aqui tem um sabor que muda a cidade: os dias ficam menores, as chuvas são mais frequentes, durante essas noites a temperatura fica entre 16 e 18 graus. Todas as madrugadas são neblinadas, numa cidade transformada, ruas molhadas, céu cinza, gente agasalhada, luzes acesas em pleno dia. Em maio usamos duas camisas finas, quando os ventos de fim de tarde nos avisa da mudança de estação, entre junho e agosto a melhor aposta é o casaco. O inverno trás outras alegrias ao lugar, tem tempo junino, tem noites frias, neblinadas e com pulso de vida noturna. Poucos lugares, ainda, mas há. A duplicação da AL220 deu novo impulso na circulação, é parte do trajeto ao trabalho, e via circulação e passeios noturnos para quem quer cruzar e ver a cidade. Dias de inverno dá para ir à zona rural e acender fogueira, beber, e conversar com amigos. Dá para curtir os restaurantes, depois seguir para um bar. Existe sempre uma festa na casa de alguém, um baile de formatura, uma comemoração empresarial, um encontro de amigos. Inverno por aqui pede celebração. Pode circular num dos parques da cidade (ceci cunha, bosque, perucaba), pode fazer compras no seu grande comércio ou seguir direto para o shopping, pode assistir uma missa na igrejinha dos curis, comer uma tapioca, um japonês, um chinês, uma pizza, uma buchada, pode comer sanduiche de grife, também espetinho. A cidade tem um burburinho, é um polo de atração regional, muito observada ultimamente. É uma cidade que promete ser estrela por volta do seu centenário, em uma década. Não fosse uma prefeitura ineficiente, uma câmara inábil e um governo estadual impróprio, a cidade já estaria no espaço das cidades invejadas, e o inverno, para voltar ao mote dessa conversa, é apenas uma das facetas da identidade dessa cidade, invernos pouco prestigiados pelo poder público embora bem à vista nas alegrias dos moradores e dos seus visitantes. Pouco ou nada se investiu em turismo ou lazer de inverno para Arapiraca. E não faltam motivos.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

sobre ladrões e homens-de-bem

Arma

A bancada da Bala no Congresso costuma repetir a ladainha de que os bandidos estão armados e os cidadãos de bem estão desarmados. Respiro. Penso sobre uma situação não corriqueira a semana passada no bairro dos meus pais, o Eldorado. Eu saí de minha casa e estava passando por lá antes de ir dar aula. Chegando a casa dos meus pais vi uma movimentação de muitas pessoas, afoitas, atônitas, o que me deixou com receio de passar entre elas. Vi alguns cidadãos de bem, vizinhos conhecidos dos meus pais com arma em punho. Ao parar perguntei a meu pai o que se passava: um ladrão estava deixando roubos numa pracinha do bairro, as 18h começou a pegar os produtos do roubo para levar. O vigia do local viu, notou que seria um ladrão e o interpelou: o que é isso aí, rapaz? e puxou uma arma. Nesse momento o ladrão deixou o roubo e correu para o primeiro portão aberto, pulou para outra casa, acessou uma terceira, entre muros e cercas-elétricas, e vários vizinhos a gritar está aqui, está acolá, entrou agora na casa de tal fulano... Dois ou três estavam armados, suando e salivando para abater a bala o ladrão que roubou e tirou o sossego da comunidade. Chamaram a polícia, alguns minutos depois a PM chega, leva o ladrão para a delegacia. As pessoas começam a voltar para casa, nenhum tiro, o vigia reclama que não pode atirar se a policia já está ali. Outros reclamam que o delegado o soltará daqui a pouco. E fico a pensar porque tivemos uma campanha de desarmamento, o que faz tantos vizinhos de armas em punho? Porque repetir que o cidadão-de-bem está desarmado quando a realidade é outra? OU a vizinhança paternal não é de homens-de-bem? Dá para ver que o desarmamento não atingiu a todos. E dá pra ver que a classe média tem arma em casa. Daí vejo que no Congresso a bancada da bala vai reabrir um processo para aprovar lei de (re)armamento. Que retrocesso! Não vou ser simplista e afirmar que a arma nunca pode ter presença positiva em certos contextos, pode sim, mas o que vejo é um porte deliberado de armamento letal. Ou nossa segurança pública falhou, ou nós somos bélicos tanto quanto boa parte dos norte-americanos. E aí vença quem tiver mais balas na agulha. Eu quero respirar em outra sociedade.

sábado, 4 de abril de 2015

eis que teremos um aeroporto para arapiraca

A Secretaria da Aviação Civil da Presidência da República informou que o investimento em aviação regional está em andamento. O governo Dilma pretende construir e reformar 270 aeroportos no interior brasileiro. Em Alagoas, o de Penedo já está em fase de licitação para a reforma do aeroporto já existente. Arapiraca e Maragogi ganharão novos aeroportos. Tudo depende agora dos estudos de viabilidade técnica do governo Estadual em indicar um local adequado e licenciado para a nova obra, e nesse quesito o governador não tem sido eficiente pois o governo federal já tem verba embora Alagoas não tenha oficializado o local em Arapiraca. A chegada definitiva da aviação civil por aqui deve impulsionar o desenvolvimento da cidade a patamares bem mais elevados, interligando a cidade às suas congêneres nordestinas, além de servir de meio de interligação às rotas nacionais.

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O mote da aviação regional está centrado na perspectiva de redução drástica das diferenças de preços de passagens aéreas e passagens rodoviárias. Com a interiorização da aviação será relativamente igual pegar um ônibus ou um avião para viagens nesses circuitos. Depois de investir pesado nos principais aeroportos do País, o governo avisou que agora a prioridade é a aviação regional. Desde o ano passado o governo do Estado tem procurado um terreno adequado para o novo aeroporto de Arapiraca, chegou a estabelecer um mas o governo federal avisou que não era possível no lugar escolhido e pediu nova indicação de terreno. Uma das dificuldades é o valor do hectare muito baixo para o padrão inflacionado do valor do metro quadrado na cidade de Arapiraca, tão caro quanto a Capital.

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Imaginemos o impacto da interligação entre Arapiraca, Caruaru, Campina Grande, Mossoró, Sobral, Imperatriz e Juazeiro-Petrolina? Sim, observe no mapa acima que há outras dezenas de cidades nordestinas nesse processo de ampliação da aviação regional. A capacidade de uma revolução turística, econômica, educacional e de lazer é de fazer inveja. Além de aproximar essas cidades irmãs deve servir como força propulsora para novos projetos e deve colocar Arapiraca entre um dos principais polos do nordeste. Sem aeroporto a cidade sufoca-se no seu próprio umbigo, com a possibilidade de conexões rápidas entre essas cidades a circulação de coisas e pessoas deve gerar novo impulso a economia e transformações muito interessantes nas identidades de cada uma das cidades contempladas.

sexta-feira, 27 de março de 2015

uma das crises da prefeitura de Célia

Desde o início de março a prefeita Célia Rocha está às voltas com um problema bem grave: a denúncia de esquema de pagamento de propina que envolve uma ex-secretária municipal, um secretário municipal e alguns funcionários públicos. Todos estão ligadas a liberação de projetos de loteamentos na cidade dentro da Secretaria de Desenvolvimento Urbano. A 4ª Promotoria do Ministério Público Estadual pedirá dia 31.03, via ofício, para que a Prefeitura dê esclarecimentos sobre o esquema dentro de sua secretaria municipal.

quarta-feira, 25 de março de 2015

arapiraca em busca de sua nova identidade

Para se ter uma dimensão espacial da cidade de Arapiraca, a foto abaixo é um bom exemplo. Expande-se em todas as direções, tornou-se o centro nervoso da região metropolitana do agreste (RMA). É o polo econômico, político e social do interior alagoano. A história recente da cidade descreve uma invejável pujança visto que abriga, depois de Maceió, o maior número de universidades e faculdades, hospitais, bancos e tribunais. No interior alagoano (agreste e sertão) tudo se resolve em Arapiraca. Nenhuma outra cidade oferece a infra-estrutura de serviços e bens a disposição além da capital. E diga-se isso sabendo que poderíamos estar em melhor conta caso o poder público local agisse sempre em favor da coletividade. A cidade ainda mantém ruas e avenidas em mau estado, as escolas municipais tem baixo investimento, o lazer ainda é precário, a rede de transporte público é velha, rara e pouco eficiente, as respostas de enfrentamento das demandas coletivas tem resposta lenta pelos poderes legislativo e executivo locais (quem lembra do metrô de superfície anunciado pela prefeitura?). É desse potencial anunciado mas nem sempre sustentado que provoca certa asfixia na capacidade de a cidade seguir seu rumo. Sim, essa cidade é bem complexa, grande, viva. Para quem se aventura em seu cotidiano, para quem circula por entre suas avenidas, ruas e vielas sabe que está numa cidade relativamente rica e pulsante. Até os anos oitenta a cidade parecia com qualquer outro núcleo interiorano, com a diferença de que já possuía feira-livre de importância regional e grande cultura fumageira, responsáveis diretas pela feitura de nossa primeira e pequena burguesia. Hoje vive um momento de verticalização da paisagem urbana, com o surgimento de edifícios principalmente na região central, alto do cruzeiro e santa edwirges. Primeiro veio o parque Ceci Cunha, o lago da perucaba, e agora inauguramos o bosque das arapiracas. Esses três eventos mudaram drasticamente o desenho da cidade. Organizou o centro, desconstruiu favela e abriu a zona sul da cidade para uma nova cidade (a região da perucaba). A grande expectativa hoje é se teremos ou não um aeroporto visto que várias notícias em 2014 falavam do Ok dado pela infraero. Então o que nos falta? um pouco mais de confiança em nossos potenciais e abraçar com força a lucidez e a ética sobre os nossos investimentos públicos (com comitês que discutam também os investimentos privados), para fazer a cidade respirar, e abrir-se para o futuro que se apresenta. A escolha entre ser um polo de vida coletiva e criativa, ou uma cidade atrasada e sem sabor. Arapiraca tem insistido em ser um polo regional, e tem conseguido méritos interessantes como o boom imobiliário e a expansão comercial. Arapiraca está em busca de uma identidade, de tanto crescer e enriquecer, não sabe bem mais quem é, pois está bem distante do pé de arapiraca que Manoel André descansou com seu bode.

arapiraca001  foto: Prefeitura de Arapiraca

quarta-feira, 18 de março de 2015

haja fôlego, arapiraca!

Mais um empreendimento imobiliário iniciou suas obras. É o Residencial Clube Jardim Europa da Soares Nobre. Fica nas proximidades do shopping Pátio.

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quarta-feira, 11 de março de 2015

grupo unirb incorpora cesama

unirb

O Grupo UNIRB incorporou mais uma Instituição de Ensino Superior, desta vez a Faculdade de Direito de Arapiraca Arcanjo Micael, no seu projeto de expansão. A faculdade no presente momento mantém o curso de Direito, reconhecido pelo MEC com conceito 4, e está em fase de mudança de mantença.
Cerca de 12 cursos, entre eles, Odontologia, Medicina Veterinária, Enfermagem, Engenharias Civil, de Produção, Cartográfica e Agrimensura, além de Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Serviço Social, Educação Física e Biomedicina serão oferecidos na nova unidade, que deverão receber visita do MEC ainda no exercício de 2015 para ofertar além do curso de Direito, os novos cursos em 2016.
Arapiraca é a segunda maior cidade de Alagoas com população superior a 250.000 habitantes, e está sediada em uma região com mais de 1 milhão de pessoas. Com esta nova aquisição, o Grupo UNIRB já se encontra instalado em três estados brasileiros, com 9 unidades em seis cidades.

fonte: Unirb

segunda-feira, 9 de março de 2015

o satélite olha arapiraca

De uma altura de 215 mil metros acima da terra dá para ver Alagoas inteira. Na imagem abaixo os três eventos mais aparentes são, o rio são francisco à esquerda, Arapiraca ao centro e Maceió no litoral.

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As fotografias de satélite são interessantes por causa da perspectiva de grandes distâncias aéreas. A primeira foto abaixo mostra as duas principais manchas urbanas de Alagoas. Vemos Arapiraca e Maceió. A foto foi tirada de 142 mil metros de altura por isso a dimensão da grandeza das duas cidades e sua importância no contexto espacial regional.

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Na segunda imagem, a 30 mil metros de altura é possível ver toda a zona urbana e rural da cidade.

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A nove mil metros de altura com uma imagem de sobrevoo da cidade vemos mais de perto o domínio urbano. No sul da cidade a expansão dos novos conjuntos residenciais populares na periferia rural de norte a sul e leste a oeste da cidade, além da área do lago com novos empreendimentos imobiliários.

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terça-feira, 3 de março de 2015

A cidade, os ricos na riviera e os empregos

New_DSCF3119 lazer aquático como o jet-ski no lago da perucaba tem se tornado frequente 

Despoluição do lago da perucaba deve acontecer. Quando vivíamos de costas ao fétido lago, rodeado por favela e comunidades pobres, a cidade jamais moveu uma palha para fazer do lago nosso balneário. Mas agora que os ricos vão morar na orla, todos os canais foram abertos e a cidade já garantiu verbas para mudar a realidade da região. A prefeitura anunciou R$ 31 milhões de investimento federal na região que vem a ser a segunda etapa da urbanização, que prevê a construção de um pequeno Centro de Convenções, e um terço desse valor será para a despoluição do lago e das áreas de atenção por onde esses rios passam. Provavelmente é um montante pequeno para dar cabo ao serviço embora seja bom saber que agora a cidade enfim abraçou a ideia de que a região é uma dádiva ao turismo e ao lazer comunitário.

manoel teles jabairro Manoel Teles continua desprezado pelos investimentos públicos apesar de duas áreas verdes não há parques.

O bairro Manoel Teles, Cacimbas II e Primavera são áreas que a prefeitura deu as costas. Nenhum investimento feito na Perucaba procurou refletir uma melhora no padrão de vida dos moradores dessas regiões. São áreas de pobreza e vulnerabilidade que estão na vizinhança dos novos empreendimentos para os mais ricos. O Manoel Teles não tem parque apesar de duas matas incríveis no seu coração, continua a ser conhecido como área violenta e de comércio de drogas ilegais. As Cacimbas II é um mar de desolação e abandono, com ausência de equipamentos públicos, e mesmo assim silenciadas pela prefeitura, nenhuma menção na Câmara, nada vindo do MP. A Primavera é um dos maiores bairros da cidade, muito heterogêneo, pois há áreas de casas de classe média, de classe baixa e espaços favelizados. É um bairro vibrante embora também forçosamente incapaz de receber atenção e investimentos públicos, permanece como um esteriótipo de bairro pobre e violento. A cidade precisa acolher essas três regiões caso queira que o lago da Perucaba seja de fato o paraíso que as construtoras fazem querer crer. Morar numa orla de um lago poluído e de uma vizinhança com índices altos de violência não parece ser bom, nem para quem é morador nem para os que estão vindo. Como disse acima, a despoluição vai começar, agora a cidade deve cobrar um olhar mais de perto sobre a vizinhança, oferecer melhores condições de vida para a periferia mais vulnerável aos problemas que a pobreza e o desamparo alimenta.

New_DSCF8086  detalhe da cobertura do hotel Plaza, no centro.

Novos empreendimentos chegaram na região do perucaba. Esse blog há anos vem falando da nova Arapiraca, desse boom imobiliário, da expansão do território urbano, do crescimento vertical da cidade. O mais novo empreendimento é o condomínio Riviera do Lago, comandado por um pool de construtoras, imobiliárias e o grupo local José Alexandre (Coringa). Trata-se do segundo condomínio de alto padrão e deve levar 500 famílias de classe média alta e classe alta, devido ao tamanho dos terrenos (500m2 e aos valores cobrados). Numa cidade aonde nove de cada dez empreendimentos imobiliários são destinados as classes populares, parece que chegou o tempo de ofertas de alto padrão. Isso é bom para a cidade, reflete a demanda por imóveis de alto nível enquanto revela a força da cidade nesse momento. O aumento do padrão das construções deve mudar muito a nossa paisagem arquitetônica, tão feia, amadora e pobre, como deixa bem claro as nossas construções mais antigas, como o hotel Plaza. Se os conjuntos residenciais do Minha Casa Minha Vida reproduzem o padrão casa-de-pobre, pequenas, amontoadas, em conjuntos entregues sem serviços públicos nem estrutura adequada, é bom ver que os novos empreendimentos anunciam também uma virada, para melhor, no alto padrão das construções, no acabamento, no desenho arquitetônico. Uma nova Arapiraca com uma arquitetura mais sofisticada é bom para todos mas é preciso uma luta para que o padrão arquitetônico dos residenciais populares também sejam melhor planejados.

Novos empregos para os arapiraquenses estão chegando. A prefeitura fez um anúncio dizendo que teremos cerca de 2000 novos postos de trabalho com a chegada do Riviera. Outras fontes nos dizem algo em torno de 400 empregos diretos para as obras e cerca de 800 vagas quando o condomínio estiver funcionando (técnicos, vigilantes, jardineiros, empregadas domésticas). O fato é que a chegada desses empreendimentos tem ajudado a cidade a manter-se relativamente bem na oferta de novos postos de trabalho.Os últimos que empregaram milhares de arapiraquenses foram o Shopping Pátio e a Call Center. Como o Sesc e Sesi estão na cidade já a uma década, temos formado muita mão de obra que, de modo geral, tem se convertido em oportunidade de trabalho para os estudantes aqui mesmo na cidade.

domingo, 1 de março de 2015

a cidade expande seus limites urbanos

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Os limites do urbano-rural tem sido deslocado rapidamente desde as duas últimas décadas em Arapiraca. A primeira expansão na região norte engoliu sítios que da noite para o dia tornaram-se bairros, como a região da antiga maçaranduba, hoje pululada de uma dezena de conjuntos residenciais. São áreas com casas populares (a exceção do condomínio ouro verde) e com baixa infra-estrutura de transporte público embora já bem densas. Concomitantemente a região leste na área da boa vista, guaribas e distrito industrial viram as fronteiras do rural aos poucos cedendo espaço para a construção de outra de dezena de conjuntos residenciais, o que inclui um recente interesse na região da bananeira. Indo em direção a região sul o enorme conjunto de casas populares na região dos cazuzinhas. De leste a oeste, norte a sul, é visível as bordas do rural sendo transformadas em bairros.

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Uma segunda expansão não afetou os limites da cidade em direção às ruralidades, mas de fazer um crescimento de oferta de apartamentos, uma expansão vertical. Nesta última década foram construídos os primeiros edifícios de apartamentos da cidade. Isso está transformando lentamente o horizonte da cidade, no sentido físico, arquitetônico. Agora na paisagem da cidade uma dúzia de novos edifícios sendo construídos, há hotel, faculdade, apartamentos, escritórios apontando novas torres ao céu. Na década de 90 e 2000 os novos edifícios eram amadores, pobres e pequenos. O maior edifício da cidade era até então o Plaza Hotel, tradicional, na rio branco. agora está decadente. Hoje as novas construções já subiram um degrau na qualidade, além de serem cada vez mais altos. Atualmente os prédios mais altos da cidade são os dezesseis andares de cada uma das torres no condomínio Espace na região do shopping pátio.

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A nova do momento é a chegada de alguns empreendimentos que prometem urbanizar toda a orla do lago da perucaba, trazendo-o completamente para dentro da cidade. Trata-se de mais uma área de expansão da cidade, o sul e oeste da cidade. Nas bordas do lago surgiram condomínios que já estão em construção, áreas de casas de alto padrão. Vários empreendimentos apontam para também ficarem seus pés por lá, a exemplo do novo campus da Uneal e do Cesmac. O lago continua poluído e não há menção nem do poder público nem dos empresários que fatiaram os lotes ao redor do lago que parece apontar como a nova morada dos endinheirados da cidade. A médio e longo prazo a cidade terá que despoluir o lago se quiser que a região seja sustentável e tenha vida longa.

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O poder público local é pouco sensível ao transporte coletivo, deixando a cidadania a circular individualmente em moto-taxis privados. É certamente um dos pontos fracos e preocupante já que a Câmara, a Prefeitura e o Ministério Público mantém-se inauditos sobre a questão, como se ela não afetasse a capacidade de a cidade crescer com qualidade de vida, e a possibilidade de circulação por entre o tecido nervoso da cidade é a única forma de mantê-la vibrante e funcionando.

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domingo, 25 de janeiro de 2015

pequeno relato sobre o som do mal

Odeio muito esse traço de todas as vizinhanças que moro: o terrível costume de ligar o som tão alto que vibre dentro da minha casa, me impedindo de ler, ver filme ou descansar no silêncio. É um modo de gastar o domingo numa histeria sonora com uma música igualmente imbecil. E gritam, e riem, e estalam garrafas. Há uma mistura de gritos de crianças e adultos embriagados. Não subirei no muro para ver a cena lamentável. Eu peço aos deuses dos trovões que envie raios pois a vida é, em tantos momentos, cousa tão indesejada e evitável.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina.

Não adianta me enviar convite para dia 26.01 marchar contra Dilma, pelo seu impeachment, pois esse movimento é claramente de direita. Sim, depois de Dilma a própria esquerda oficial é cada vez mais parecida com a direita que ela diz enfrentar. Mentira deslavada, basta ver os novos ministros da presidenta, todos com história política no campo da direita, gente perigosa (como Katia Abreu contra os ecosistemas) ou da lavra de um Levy (que agride direitos de trabalhadores, dizendo que o seguro desemprego está ultrapassado). São as escolhas da presidenta, aquela que disse que lutaria contra essa ordem que ela própria agora volta a alimentar e dar legitimidade. Sim, Dilma traiu a maioria dos seus eleitores, disse que faria assim e fez assado. Verdade, eu não voltarei a votar nela. Óbvio, tenho visto sua incapacidade de atuar como uma Estadista, no máximo dá-se ao luxo de ser uma gerente. Para mim, gritar por um golpe contra Dilma é fazer o papel de uma cidadania irresponsável. O que me deixa triste é ouvir e ver que a maioria que entra nesse processo de golpe contra Dilma avalia que Aécio ou Marina seria diferente, melhor. Eu duvido. E muito. Claro que são siameses, alimentados nos mesmos pecados. Prefiro ajudar a desconstruir a presidenta participando de manifestações críticas, populares, livres. Essa de substituir Dilma por Aécio ou Marina é apenas inveja e ilegalidade. A gente precisa mudar a nossa política, precisamos de um novo horizonte para além desse já marcado por mais do mesmo: incompetência, insensibilidade, irresponsabilidade. Estamos num momento de ultrapassar essa ordem partidária dada: inventar novos partidos que não se alimentem dessa carniça disposta no congresso nacional, um movimento político que quebre a hegemonia dos antigos coronéis e do poder dos conglomerados econômicos sobre nossos destinos (os occupy, os podemos! e outros movimentos pelo mundo mostram que há algumas saídas sendo construídas). E por inventar novos partidos quero dizer uma reinvenção da nossa cidadania política, com partidos que não tenham parentesco com essas agremiações infladas de Canalhas, patifes, coronéis, ladrões e assassinos. É preciso que os coletivos populares se organizem, e ao invés de pensar em golpe, fortalecer frente que estabeleça um novo horizonte de atuação cidadã e que pretenda avançar contra o Brasil desenhado por Dilma, Marina e Aécio. Há futuros possíveis, ainda que, sem dúvidas, com quadros cada vez mais catastróficos, sob qualquer perspectiva, embora hajam caminhos ainda abertos à espera dos coletivos revolucionários, criativos, livres e críticos. É hora de inventar e arriscar se queremos dar ao mundo um novo modelo civilizacional, e para que isso seja possível, é preciso primeiro dar as costas à Brasilia enquanto esta for o império que fomenta a tradição brasileira de injustiças contra nossos futuros possíveis.