segunda-feira, 25 de julho de 2016

o ro(u)(m)bo dos cofres públicos

Cadê Ministério Público do Estado de Alagoas no caso da venda na surdina, e sem participação do povo, dos terrenos da Prefeitura Municipal de Arapiraca?

Com uma Câmara de Vereadores cheia de ratos e uma prefeita de saída, é isso que ganha a cidadania local, um rombo nos bens públicos? A quem interessa?

A venda de terrenos parece a ponta de um iceberg ainda escondido e desconhecido do povo. Algo de podre está por trás disso, e o Ministério Público precisa agir com urgência.

Lapidar o patrimônio sem uma discussão pública ampla é sinal de que nossas instituições estão falidas e só servem aos interesses escusos dos seus integrantes. Isso tudo nos envergonha.

sábado, 23 de julho de 2016

quem vai vencer a eleição para prefeito em arapiraca?


As eleições de 2016 estão bem próximas, e também já se aproximam de todos nós os candidatos sedentos pela cadeira da Prefeitura ou uma vaga na Câmara. Eleição vai, eleição vem, e os velhos nomes se revezam nos cargos chaves do nosso executivo e legislativo. 

O jogo de cartas marcadas parece se repetir desde sempre, haja visto o último período dedicado ao grupo Luciano-Célia que estão no poder há duas décadas. Há algo errado com nosso jeito de votar, não necessariamente porque Luciano Barbosa ou Célia Rocha sejam nomes indignos de estarem no poder local, aliás, suas presenças são mais importantes para nosso horizonte político do que algumas das “novas” peças no tabuleiro do jogo político de hoje em Arapiraca. 

A candidatura do Ricardo Nezinho (do PMDB golpista e autor da famigerada idéia de Escola sem cérebro e sem crítica) aliada a candidatura do populista Tarcizio Freire desenha um quadro de desamparo da nossa população por uma representação digna. Os nomes de Nezinho e Freire deveriam ser repudiados por sua obviedade, de candidaturas viciadas no poder pelo poder, de nomes ignorantes das nossas capacidades civis e técnicas. A cidade tem que dizer não para eles. 

Temos que preparar o povo para negar a estes dois o direito de nos gerir e nos representar. Então que nos resta o Teófilo, um nome razoavelmente desconhecido, isto é, não se tem noção dos caminhos e das capacidades deste de ser nosso prefeito. Sabemos apenas que é filho do Moacir Teófilo, dono do Colégio Bom Conselho, um dos melhores e mais antigos colégios da cidade. Mas toda a sua trajetória política desenrolou-se na capital, com pouca ou nenhuma circulação e visibilidade local. 

É vergonhoso que não tenhamos, novamente, um nome ligado ao povo, aos mais pobres, aos movimentos sociais, alguém que pudesse construir uma Arapiraca para todos, de fato, e de direito. As eleições são um teste para nossa cidadania e nossa capacidade de autogestão. Se já somos grandes, e ricos, e pensamos ter um futuro brilhante, por que não apostarmos agora em nomes que não estão nas agendas dos antigos currais eleitorais de Arapiraca. É hora de acordamos, é hora de construirmos a cidade que queremos.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

as origens do escola sem partido

De tanto ver a prefeita, o vice, secretários e toda a gente andando alegre e de mãos dadas com os defensores do Escola Sem Partido, cabe a leitura atenta do perigo que o projeto indefensável do Ricardo Nezinho trouxe para dentro de nossas escolas, contra a nossa inteligência e capacidade de decidir sobre os destinos da vida social e política da qual somos parte.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

tudo sobre arapiraca

observatório no lago da perucaba

IBGE Cidadaes (Arapiraca) 
Aqui são encontrados gráficos, tabelas, históricos e mapas que traçam um perfil completo da cidade.

Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil (Arapiraca)
O Atlas traz, além do IDHM, mais de 200 indicadores de demografia, educação, renda, trabalho, habitação e vulnerabilidade, com dados extraídos dos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010.

Prefeitura de Arapiraca: http://web.arapiraca.al.gov.br/

Universidade Estadual de Alagoas http://www.uneal.edu.br/

terça-feira, 14 de junho de 2016

cinco coisas que odeio em arapiraca


Cada cidade cria para si uma espécie de traço distintivo, um jeito, uma atmosfera. Aqui pretendo explorar os traços que entendo como negativos. O negativo, no entanto, é apenas um ponto de partida cujo fôlego é a busca por reinventar essa cidade.

1. Em qualquer bairro que more haverá sempre um vizinho ou alguém na vizinhança que ligará o som da casa, e do carro equipado com som que vibra os móveis das casas no entorno. Qualquer feriado é motivo de som alto. Exercícios de silêncio ou música leve parece soar mal por aqui.
2. Apesar de ter teatros, não tem agenda permanente. A cidade tem público para o teatro e apesar disso raros são os espetáculos em cartaz. Os espaços são subutilizados apesar de haver grande público à espera das cortinas voltarem a abrir.
3. Não tem um mirante para o lago no Cavaco nem na Serra das Microondas. A topografia da cidade deu apenas poucos espaços de onde é possível sentar para apreciar uma paisagem. Inacreditável que a Câmara nem a Prefeitura jamais tenham proposto a construção desse equipamento público, de lazer e turismo.
4. O transporte público é insuficiente e de baixa qualidade. Numa cidade que possui uma população flutuante, durante o decorrer de um dia, algo entre 300 e 350 mil pessoas circulando pela cidade. Essa circulação dá-se preferencialmente de motos e carros, pedestres são maioria. E a frota como suas rotas são incapazes de gerir esse fluxo.
5. A elite local é essencialmente cafona, sem educação formal. Herdeira das plantações de fumo e das grandes bancas das antigas segundas-feiras.

sábado, 11 de junho de 2016

notas arapiraquenses

A Secretaria da Cultura festejando o São João de braços dados com Ricardo Nezinho é um dos modos de deixar claro o quanto tornou-se o centro da falácia cultural.

A rede de livrarias Nobel acertou sua chegada ao Garden Shopping. Ótima notícia para uma cidade do nosso porte e sem lugar para comprar livros.

Os dias estão muito quentes por aqui, quase sem nuvens, com sol aberto, muito intenso. Durante as noites já se percebe o inverno batendo a porta, com gradual queda de temperatura, com mínimas de 19°C.

A duplicação da AL-110 anda 1cm por ano, para duplicar os 4km façam as contas. Nada como um incompetente governador do calibre do Renan Filho. As antas e preguiças sempre tem lugar.

Após décadas de (des)obras a Prefeitura tem anunciado que vai inaugurar o Museu da Biologia no Bosque das Arapiracas. Soa como uma máquina de gastar verbas de dinheiro público para fabricar espaços que já nascem inúteis.

Os quatro teatros da cidade continuam fechados oferecendo apenas agenda vazia, vácuo de produção teatral, ausência de escolas dramáticas através das quais se traduz a insensibilidade das elites cafonas da cidade, incapazes de assumirem para si a abertura, o financiamento e fruição das artes teatrais.


quinta-feira, 26 de maio de 2016

a violência do ricardo nezinho



O Ricardo Nezinho pode dizer o que pensa na escola, mas diz que os professores não podem dizer o que pensam na escola. 

Só ele tem o poder de dizer o que pensa, baseado em sua ideologia de vida, que inclui o deus-mercado e o foro-privilegiado.

Escárnio.

Até quando patifes nos governarão, ditarão nossos caminhos?

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Do estupro como ordem nacional


No mesmo dia que a internet entra em ebulição com video de garota estuprada por 30 homens, o ministro da educação recebe um estuprador para ajudá-lo a planejar a educação. 

É a abertura do inverno, de dias bem difíceis, de dias de dor e mágoa, de um tempo muito dificil, de dias violentos. 

As meninas precisam se armar, serão caçadas. 

No Congresso há projeto obrigando vitimas de estupro a não interromper a gravidez. 

Aulas de criticas às relações de gênero foram proibidas. 

Tudo concorre para que as mulheres sejam submissas e sem voz. 

Tudo se desenha para um tempo ruim.

A história desses dias que virão revelará nossa capacidade de convívio civilizado com as mulheres, ou não.

sábado, 21 de maio de 2016

a doutrinação mais perigosa

por Contardo Calligaris

Na adolescência, os contos de Hemingway eram meu modelo de estilo, e eu tentava imitá-lo: frases curtas, coordenadas, repetições frequentes etc. Imaginava que, dessa forma, eu escreveria sem retórica: só os fatos, sem a tentativa de convencer ninguém de nada.
Eu estava errado: o estilo dos contos de Hemingway é tão retórico quanto a escrita de um bacharel em direito do século 19. A retórica do bacharel incluía a vontade de falar diferente do povo e de se diferenciar dele. A de Hemingway, ao contrário, incluía a vontade de parecer espontâneo e "natural".
Em geral, a gente quase sempre acha que nossa escrita e nossa fala são "naturais", enquanto as dos outros são infestadas pela retórica. Na verdade, não há escrita ou fala que não sejam retóricas.
Guardemos essa constatação e vamos ao tema de hoje. Como assinala e discute o editorial da Folha de 15 de maio, na Câmara dos Deputados, em várias Assembleias Legislativas estaduais e Câmaras Municipais, "tramitam projetos contra a 'doutrinação ideológica' [das crianças] em matéria política, religiosa ou sexual".
Em Alagoas, onde a legislação já foi adotada, o professor deve evitar conteúdos que estejam "em conflito com as convicções morais, religiosas ou ideológicas dos estudantes ou de seus pais ou responsáveis".
O movimento Escola sem Partido chega a oferecer um modelo de notificação anônima para os pais denunciarem os professores que pratiquem "doutrinação" na escola.
Sou contra doutrinação, de todo tipo. Justamente por isso, parece-me bom que os professores proponham conteúdos diferentes do que os pais já pensam e já tentam impor às crianças. Sem isso, ir para a escola para o quê? Aluno bom é o que critica a casa graças ao que aprende na escola, e a escola graças ao que aprendeu em casa.
Não gostaria que meus filhos fossem doutrinados em marxismo (qual marxismo, aliás?), mas me parece impensável que eles não entendam nada e não leiam nada de um pensamento que foi a maior paixão intelectual do século 19 e do século 20. Também não gostaria que meus filhos fossem doutrinados em Bíblia (qual Bíblia, aliás?), mas me parece impensável que eles não leiam nada do livro que foi a referência central da cultura ocidental durante séculos.
A maior garantia contra conteúdos "invasivos" deveria ser a variedade das ideias que uma criança encontra na escola. No meu ginásio, o professor de filosofia era trotskista. Eu, na época, estava fundando o círculo estudantil Piero Gobetti (liberal e anti-fascista italiano). O professor de latim era monarquista: admirávamos seus poemas, mas éramos todos republicanos. Minha lembrança é que, longe de aderir à ideologia de um ou outro, foi discordando que aprendemos mais –discordando deles e dos nossos pais.
Aqui vem um problema mais sério. É fácil inventar sistemas de controle contra a transmissão de ideologias reconhecíveis. Por exemplo, era fácil se proteger do marxismo do professor de filosofia ou do monarquismo do professor de latim. Bem mais difícil era se proteger contra o professor de italiano, o qual não tinha "ideias" para "doutrinar" ninguém: ele apenas distribuía trivialidades como se, por serem triviais, elas não merecessem nossa atenção crítica. É o exemplo do começo: assim como não tem escrita que não seja retórica, não tem pensamento que não seja ideológico.
Como proteger as crianças contras as ideologias que se apresentam como jeitos "naturais" de pensar? Como evitar que elas aceitem ingenuamente os clichês que são transmitidos como "naturais"?
Receio que, retirando as ideologias explícitas (que podem ser combatidas, discutidas e recusadas), só reste para as crianças a ideologia do círculo da padaria, que é a mais perniciosa, porque parece ser o pensamento "espontâneo" de "todos".
Os próprios doutrinadores, nesse caso, sequer acham que estão doutrinando, porque concebem os clichês do seu pensamento como expressão da "natureza humana".
Você se pergunta quais são os conteúdos dessa ideologia implícita que contamina nossas crianças às escondidas? Seria bom voltar ao "Dicionário das Ideias Feitas", de Gustave Flaubert (Nova Alexandria).
PUDOR: mais belo ornamento da mulher. GOZO: palavra obscena. DEUS: o próprio Voltaire o afirmou: "Se Deus não existisse, precisaríamos inventá-lo". DEICÍDIO: indignar-se contra, embora seja um crime pouco frequente.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

o horizonte da próxima eleição em arapiraca


(Fotografia e texto por Davy Sales)

As eleições de 2016 se aproximam, será em outubro. Nesses meses, dias e horas que antecedem o pleito, uma antiga imagem, um antigo arranjo já se apresenta alvoroçado: é o clube dos donos da cidade, dos donos da política local. Suas antigas vozes ouvimos desde a fundação da cidade, e que se repetem e se revezam desde sempre, numa ladainha incansável, uma cantilena que nos deixa relativamente apáticos e passivos sobre o desenrolar do jogo político e sobre quem tem o direito a gerir essa grande e interessante cidade.

Desde que o Brasil tem vivido meses de turbulência legislativo e judiciária, com um golpe branco que afastou a presidenta, essa desordem bateu-nos também à porta. As eleições municipais, pela primeira vez, sofrerão os testes do impacto da Lava Jato, das cassações, prisões e desenrolar de investigações na arena política. Os acontecimentos que giram em torno do falso processo de impeachment acabaram por causar um enorme ruído nas eleições municipais, e dificilmente as candidaturas atuarão longe da influência desses acontecimentos.

As escolhas dos eleitores certamente levarão em conta novas variáveis, é que o eleitor terá na memória a farsa do legislativo federal, bem como as nuanças da mentira judiciária e os conchavos dos antigos coronéis e seus rebanhos de deputados famintos por poder. A ordem legislativa local não sairá do processo incólume. Nossos vereadores sofrerão diretamente os reflexos da política nacional, sendo difícil supor que o esclarecimento político que segue a tragédia do golpe (orquestrado na Câmara e no Senado com auxílio luxuoso do STF) não afetará as decisões dos eleitores brasileiros localmente.

Essa será uma eleição diferente, o novo (a nova) prefeito (a) terá que atravessar a desconfiança geral e propor um projeto de cidade factível, um desenho de cidade que agregue novos traços, novos horizontes de cidadania, que inclua seus excluídos, que avance na construção de uma cidade para todos, e não apenas para os empresários amigos da prefeitura. O eleitorado deve impedir a assunção de um populista tanto quanto um fascista. A cidade deve ser governada por alguém que tenha proximidade com a cidade mais pobre, problemática, pouco assistida, ausente da agenda executiva nos últimos anos.

O enorme crescimento de Arapiraca com sua expansão no território urbano, borrando as fronteiras da área rural é uma das coisas mais visíveis nos últimos anos. É uma pressão principalmente da iniciativa privada, com a chegada de imobiliárias e construtoras sedentas por mercado que tem impulsionado o fenômeno da recente verticalização das construções em andamento na cidade. Pouco ou quase nenhuma atitude positiva vem da prefeitura, que ultimamente parece estagnada, parada, como se Célia Rocha estivesse desistido da cidade e está aguardando para entregar a chave da cidade a um dos seus amigos.

É aqui que o povo precisa ficar alerta, e procurar mostrar sua presença, sua força e mudar a cena do jogo construída nas reuniões dos partidos onde o povo não deu palpite. A política local tem sido produzida e alinhavada em ambientes assépticos, impopulares, local de engenharia do destino da cidade sempre na perspectiva dos que dela tomaram posse e não pensam em dar abertura para novos olhares e novas presenças políticas.

Basicamente não temos candidaturas que venham do povo, em sentido estrito. Desde a fundação de Arapiraca pela sua prefeitura passam e se revezam as famílias mais ricas e seus descendentes. Essa ordem de curral eleitoral e de ambiente coronelista deve ser enfrentado. E há, pela primeira vez, um ambiente político favorável para esse tipo de questionamento. Pode ser que os eleitores arapiraquenses acordem do seu longo sono e tomem a cidade em suas próprias mãos ao perceberem que ela pode ser gerida pelo povo, não apenas por uma casta que pretende se perpetuar para sempre como donos da prefeitura e da câmara de vereadores.

É hora de rever. É hora de propor. É chegada a hora de propor uma nova cidade. É tempo para novas lideranças comunitárias assumirem assento na Câmara de vereadores, e é tempo de termos na prefeitura um filho do povo, que ame essa cidade tanto quanto seu povo. Essa pessoa não pode ser representante dessa elite que aí está e que se perpetua no poder. É chegada a nossa hora. O povo, unido, jamais será vencido. O poder emana do povo e em seu nome será exercido. Amanhã será um lindo dia.

sábado, 14 de maio de 2016

ser governado

Ser governado, é ser mantido à vista, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, encerrado, doutrinado, exortado, controlado, analisado, apreciado, censurado, comandado por seres que não possuem nem título, nem ciência, nem virtude. Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, anotado, registrado, recenseado, tarifado, medido, marcado, cotizado, patenteado, licenciado, autorizado, admoestado, impedido, reformado, endireitado, corrigido. E, sob pretexto de utilidade pública, e em nome do interesse geral, ser posto sob contribuição, exercitado, espoliado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; depois, à menor resistência, à primeira palavra de lamento, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, encurralado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar mais nada, exibido, escarnecido, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral.


Proudhon, Citado por René Château em "Introduction à la Politique", 1947, p. 405

quinta-feira, 12 de maio de 2016

golpe de estado afasta dilma rousseff em plena democracia: o povo está em luto

Hoje é um dia tristíssimo. A democracia brasileira sofreu um golpe violento com o afastamento da presidente Dilma Rousseff sem que houvesse comprovação de qualquer crime. Os deputados e senadores golpistas engendraram um movimento que estuprou o estado de direito, o voto, e a verdade. Perdemos todos nós. Quem ganhou foram os eternos deputados e ladrões alagoanos, tão publicamente conhecido por serem corruptos, assassinos, ladrões, falastrões, patifes e canalhas. Agora teremos um governo interino e ilegítimo. Nós resistiremos.

terça-feira, 26 de abril de 2016

a lógica da eleição de 2016 para prefeito em arapiraca

A política entre nós continua sequestrada pelos grupos de poder local. As primeiras contações da campanha para prefeito nesse pleito de 2016 já toma algumas dimensões. Os primeiros nomes, as antigas alianças, as conversas de cartas marcadas, o cálculo de rebanho. O debate desqualificado repõe sempre a política ao lugar de um populismo assistencialista, regido e centrado na figura de um salvador da cidade. E lá os vemos, sorrindo, certos do eterno domínio do gado. Até que um mungido acorda a manada.

Nada de novo na agenda por esses dias (salvo essa nota da prefeita): Célia Rocha despediu-se "Depois de 32 anos dedicados a vida pública, decidi dar um tempo pra mim, minha saúde, filhos, netos amigos". Célia sai da vida pública (nota: facebook) mas será uma personagem ainda influente por muito tempo na região. No final da nota oferece o apoio a uma candidatura Ricardo Nezinho com Yale Fernandes, vice. Precisa dizer algo mais sobre a improvável e indesejável assunção do político anti-política na prefeitura? Ricardo Nezinho representa as forças do atraso (ou forças conservadoras, como queiram), lutou para calar a voz política das nossas escolas, e agora quer nosso voto para sentar na cadeira de prefeito. Saberá Arapiraca dar o troco?

Até o momento não há nenhum nome que represente a juventude, os estudantes, os movimentos sociais e os trabalhadores. Tudo que a anti-imprensa local faz é requentar as notas das assessorias das velhas raposas. Os conchavos são desenhados sem que haja a participação popular e suas demandas no desenho da cidade que queremos. Isso é parte de um traço da ausência de construção política por meio de assembleias populares, na praça, o povo, trabalhadores, estudantes, decidindo a cidade. Seriam nossos jovens capazes de perceberem a armadilha da política herdada das poucas famílias que sempre se revesam para nos governar?

O que mais precisamos nesse momento é nos unirmos para dizer não, para dar um basta, para virar as costas, para não calar diante da angustiante situação de ver a política como um eterno jogo de cartas marcadas. É momento de reinventarmos nossa voz, deixar de lado os coronelismos e os provincialismos que tanto nos é caro nessas horas. Temos que dar um passo adiante. Temos que aprender sobre o que somos e o que queremos.



sexta-feira, 22 de abril de 2016

ricardo nezinho defende censura contra as escolas

O deputado Ricardo Nezinho defende a censura nas escolas alagoanas, com aprovação do famigerado projeto Escola Livre. A peça é inconstitucional e a fundamentação das ideias que compõem são uma confusão de esteriótipos, senso-comum, chavões. Soa como a crescente influência da ideologia da direita cristã nos trabalhos legislativos, com grupos conservadores atacando a educação laica, livre e republicana, tão em voga hoje no Brasil. Essa aberração aprovada é parte desse movimento.

Ricardo Nezinho é claramente ignorante do básico sobre o ambiente escolar, a vida política da comunidade e a docência. Quando fala deixa a nu sua incompetência para legislar. A defesa do fim da voz política é uma contradição nos termos. Toda docência é política, toda a existência social é política. Mas Nezinho vive na sua própria lua, sem política. A irresponsabilidade é o lugar comum dessa geração de políticos sem brio num horizonte alimentado por pânicos morais, ignorância e manipulação.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

contra o impeachment de Dilma (1)



Agora que parece que o impeachment será votado meio que à forceps até o fim da semana, não quero ficar de fora nem deixar para depois meu posicionamento sobre o tema.
Soy contra.
Basicamente porque não há argumento que o sustente. O impeachment de Dilma jamais deixou de ser uma pena em busca de um crime que justificasse sua existência e aplicação.
Não há crime sem anterior e clara previsão legal. É norma constitucional, é princípio básico de direito.
"Ah, mas e as pedaladas?". As pedaladas foram e são práticas corriqueiras nas gestões orçamentárias da União, dos Estados e dos municípios. Num último levantamento feito pela Folha, 17 governadores utilizaram tal recurso em 2014. Serão todos apinhados de seus mandatos?
Pode-se discutir a fundo a questão das pedaladas. Mas para considerá-las crime de responsabilidade é preciso uma interpretação legal extremamente elástica, para se dizer o mínimo.
A maneira como Eduardo Cunha conduz o processo, sempre com um pé na ilegalidade, e com deputados ameaçando outros colegas que por ventura não votem pelo impedimento, inclusive com incitação à violência nas ruas, diz muito sobre o valor deste processo e da fragilidade de seu fundamento legal, que tem dificuldades para convencer.
Por outro lado: é golpe? Eu acho que não é. Não só porque o instituto do impeachnent está previsto na Constituição, mas principalmente porque ela o define e o delimita como um processo jurídico-político, no qual o grande protagonista é o Poder Legislativo.
Golpe de estado é uso de força e de instrumentos ilegais para retirar o poder das mãos de quem legitimamente o detém.
Falar de golpe remete a 1964. Desgosto da comparação entre Dilma e Jango, por imprecisa e deturpada. E antes de tudo porque Goulart fazia um governo com tintas progressistas e tentava levar a diante reformas estruturais que até hoje nos fazem falta.
Jango, ao contrário de Dilma, não pôde se defender, não pôde recorrer ao Supremo, sequer deu tempo de barganhar politicamente. As instituições republicanas foram ali quebradas na base da força.
Dilma, por seu turno, é uma governante inepta politicamente, que vive às custas do legado do lulismo e que loteou seu governo para a direita mais fisiológica e conservadora, virando as costas para quem a elegeu, com a justificativa de garantir suposta maioria no Congresso.
O resultado é esse que assistimos: ontem sua base "aliada" mal conseguia uma obstrução a fim de paralisar votação. Hoje está aí mendigando votos para barrar o próprio impedimento. Se sobreviver ao processo, amanhã fará como? Qual governo restará?
Não adianta alimentar a realpolitik por anos e depois gritar "é golpe!" quando a realpolitik quer arrancar sua cabeça.
Também acho desonesta a comparação dos impeachments de Dilma e Collor. Em 1992 havia um consenso pelo impedimento do presidente que não existe hoje. Collor jamais levaria às ruas as multidões que Dilma (ou Lula, ou o PT, ou o governo, dê o nome que quiser), leva em 2016.
Não havia dúvidas sobre PC Farias pagando as contas privadas de Collor com dinheiro ilícito de campanha. Hoje, o que não falta é deputado dizendo que vai votar pelo impeachnent mesmo reconhecendo que não há nada no campo pessoal que desabone Dilma.
O que me leva ao seguinte paradoxo: não considero golpe o processo de impeachment, mas é forçoso reconhecer que há golpistas a insuflá-lo, cujos objetivos são os piores possíveis.
É, em suma, uma guerra pelo poder. Michel Temer, se conduzido à cadeira e vestir a faixa, já nasce um presidente conspirador e sem liderança, com pouca ou nenhuma legitimidade e com pelo menos quarenta por cento da nação em seu cangote gritando "golpista".
Ao seu lado estarão a nata do coronelismo, do fisiologismo e do conservadorismo político. E, claro, aqueles senhores movidos a rancor, os incompetentes amargos que jamais conseguiram derrotar o PT no plano federal, Aécio Neves e José Serra.
Ou seja: o cenário pós-impeachment não dá pinta de ser menos conturbado e difícil que o atual. Um consenso mínimo hoje parece algo muito distante.
Vendeu-se e vende-se ainda o impeachment como panacéia para todos os males do país. É um erro grosseiro. Alguns o fazem de boa fé, até acredito. Outros, movidos por razões intestinas e inconfessáveis.
De minha parte, estou há tempos pouco ligando se quem vai nos governar será Dilma, Temer ou se teremos novas eleições em breve - hipótese que não acredito.
Também não creio em resolução rápida do processo de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral. Sua tramitação deverá se alongar, com uma eventual decisão podendo ainda ser objeto de recurso junto ao Supremo. Até lá, 2018 está na esquina.
Seja qual for o cenário pós-impeachment, ele será de terra arrasada, polarização, confronto e exaustão.
Com a biruta do zeitgeist político virada claramente para a direita. Com idéias majoritariamente conservadoras e o congresso dominado por verdadeiros lobistas travestidos de deputados.
Lobby, bem entendido, do agronegócio, da bíblia, da bala, do mercado financeiro. O lobby dos que acham que o povo "tem direitos demais".
Se conseguirmos, no médio-longo prazo, manter o espírito e as conquistas sociais da Constituição de 88, bem como algumas realizações do período pós-restabelecimento da democracia, acho que estaremos no lucro.
Se eu não envelhecer assistindo meus filhos viverem a própria juventude num estado policial-teológico, já me darei por satisfeito.
É o máximo de utopia que me permito nesse momento.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A disputa pela cadeira do executivo arapiraquense começou


A força dessa cidade atrai pessoas, empresas e novos empreendimentos, o que é notável na paisagem é o processo de verticalização com o surgimento dos primeiros edifícios comerciais e residenciais, além de algumas dezenas de conjuntos residenciais que têm exigido a ampliação do perímetro urbano, fenômeno que começamos a observar quando alguns sítios estão a meio caminho de tornarem-se novos bairros. A imprensa não cansa de festejar a importância de Arapiraca como polo regional que possibilitou a criação da Região Metropolitana do Agreste. O IBGE estima uma população de 231.053 habitantes em 2015, sendo o maior núcleo urbano depois da capital. Assim, o tamanho do nosso colégio eleitoral é fundamental nos cálculos da política alagoana. E isso fica claro com a movimentação de deputados, senadores e governadores participando do desenho das candidaturas que devem concorrer nas próximas eleições ao executivo municipal. Temos uma tradição de perpetuar grupos muito fechados no poder, e a representação popular anda sempre de carona nesses cenários dos donos da vida política.

As duas últimas décadas, que se confundem com o crescimento da cidade, e de sua importância regional, foram governadas por Luciano Barbosa e Célia Rocha. No cenário atual aparecem Yale Fernandes, Rogério Teófilo e Tarcizo Freire. O apoio do Ricardo Nezinho para uma candidatura de Célia Rocha é reedição das últimas eleições, não parece prover um horizonte novo, de um projeto novo de cidade. O Yale Fernandes daria oxigênio nessa candidatura nascida do cansaço de alguém que já esteve por quatro vezes na cadeira do executivo municipal.

O Yale Fernandes representa o projeto de Luciano e Célia que transformou a cidade num oásis de prosperidade no interior alagoano. Obviamente nem tudo são flores, há falhas gritantes (transporte público ineficiente e bolsões de pobreza na periferia) embora o quadro geral seja positivo e abonador para uma boa candidatura. Como prefeito interino hoje ele tem mostrado grande habilidade no enfrentamento e solução aos problemas da cidade, a meia boca ouvimos as pessoas dizerem que ele é um bom prefeito. E isso deve contar muito no próximo pleito.

O Rogério Teófilo é um político com pouca presença na cidade, apesar de a família Teófilo ser bem conhecida por aqui. Rogério não construiu a imagem de um político de Arapiraca, no imaginário ele estaria mais próximo da imagem de deputado da capital. Isso lhe dá pouco espaço para ser uma candidatura com grandes chances de vencer. O apoio do Rodrigo Cunha à sua candidatura poderia trazer o Rogério para o cenário local, mais arapiraquense. Cunha tem grande prestígio entre os arapiraquenses, o que em certo horizonte pareceria mais viável uma candidatura do Cunha a do Teófilo.

O Tarcizo Freire representa a antiga política local, mergulhado nos antigos desenhos de representação política desde quando foi vereador na cidade. Fez oposição à Célia Rocha e construiu sua imagem entre o opositor e o situacionista, beirando ao populismo. Tarcizo lembra a todo instante aquela fome de poder sem que haja um projeto claro de cidade. Soa muito ao desejo de trono para si. Isso não parece com uma candidatura poderosa. O apoio do deputado Severino Pessoa deve oferecer fôlego para um candidato que tem uma imagem difícil para pensar um projeto para a cidade.


O apoio dos deputados e senadores em nossa disputa eleitoral têm o lado bom, que remete ao grau de importância que nossa cidade revela, embora a presença destes também nos acenda o alarme da captura do poder local pelo poder estadual. Um candidato não pode ser a extensão dos apoios que recebe, deve ele projetar anseios populares, da agenda local, do compromisso com o povo daqui. No xadrez das candidaturas que se anunciam, e dos apoios recebidos, é preciso sempre dar atenção ao que o povo pensa sobre as antigas coligações. Que não se ache que basta o poderoso deputado lhe dar a mão pois no dia do voto os afetos e sensibilidades para com a política faz contas que as coligações não imaginavam. De uma coisa estamos certos, essa será uma eleição decisiva que promete promover a cidade ao seu lugar de destaque merecido: uma cidade viva, pungente e forte.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

a questão do transporte público na cidade

Seria bom que levassem em conta a fragilidade do sistema de transporte público, os ônibus velhos, sujos, parte deles são sucatas reaproveitadas, poluidores. Acrescente-se à isso a ausência de linhas de ônibus para 9 de cada 10 bairros da cidade. Trajetos ruins e aquém das necessidades dos coletivos de cidadãos e trabalhadores. Isso soa com um modelo enferrujado e de compromissos escusos, que vai de encontro aos interesses de mobilidade urbana. Aumentar preço de passagem nesse contexto é algo altamente indesejado, e injusto. Lutemos por transporte gratuito e de qualidade para idosos, estudantes e trabalhadores. Vejam o texto da Defensoria Pública sobre o aumento do valor das passagens em Arapiraca. Estamos de acordo com a Defensoria, e esperamos que as discussões levem em conta os direitos à circulação e a cidade.

Defensoria Pública em Arapiraca questiona aumento do valor das passagens de ônibus

Usuário denunciou segundo aumento na tarifa de transporte público em menos de um ano
O defensor público lotado na comarca de Arapiraca, Gustavo Giudicelli, encaminhou, nesta sexta-feira (12), um ofício para a  Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito de Arapiraca (SMTT) e para o Conselho Municipal de Transportes e Trânsito (CMTT) solicitando esclarecimentos sobre o aumento da tarifa de ônibus e táxi no município. O questionamento partiu de uma denúncia feita por um usuário de transporte  público inconformado com o segundo aumento no valor da tarifa de ônibus em apenas sete meses.
Segundo a denúncia, recebida no último final da semana, a Prefeitura de Arapiraca divulgou em seu site oficial, no dia 04 de fevereiro, o aumento  da tarifa de ônibus e táxi. O reajuste, que passou a ser cobrado no sábado, 6, foi o segundo em menos de um ano, visto que em junho de 2015, a Prefeita Célia Rocha sancionou o decreto de nº 2.416/2015, homologando reajuste de tarifas para moto-táxi, táxi e ônibus.
Levando em conta que os reajustes ocorreram no período de sete meses, o denunciante chamou atenção para o disposto no artigo 70, inciso II da Lei Federal nº 9.069/95, e art. 2º da Lei Federal 10.192, que determinou que reajustes públicos devam ocorrer anualmente.   
De acordo com o Defensor Público Gustavo Giudicelli,  a princípio, o recente aumento no valor da passagem de ônibus na cidade é ilegal e, caso os órgãos competentes não apresentem justificativa plausível, a Defensoria Pública irá ingressar com ação judicial questionando a ilegalidade da cobrança.
“Frise-se, ainda, que a qualidade do serviço não vem aumentando junto com o valor das tarifas, o que traduz maiores gastos para o usuário do transporte público em Arapiraca sem a devida contrapartida”, pontuou.
Elisa Azevedo (MTE/AL 1064) e Fernanda Ferreira

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

são cinco da manhã na AL220



A cidade tem se reinventado na última década, tornando muitas áreas irreconhecíveis de tão transformadas. A rodovia AL220, no trecho que atravessa o norte de Arapiraca, é um antigo motor de expansão do tecido urbano. Há décadas é palco do entra-e-sai sertanejo, palmeirense e litoâneo que convergem à Arapiraca. Hoje é via que abriga de hotéis a hospitais, e shopping a residenciais. E não para de chegar novas lojas, e novos condomínios. As torres mais altas da cidade romperam em sua trajetória. O valor dessa rodovia para a cidade é enorme, tudo gira em torno dela. O novo aeroporto parece apontar para um sitio entre a rodovia e o agora bairro Bananeiras, zona leste da cidade. A duplicação deu um ar mais urbano ao conjunto da cidade, embora seja toda a extensão da duplicação um equívoco irresponsável: são três pistas de cada lado, sem passarelas, sem viadutos, sem acostamento nem via para ciclistas. Como ainda somos muito deficientes e ineficientes no quesito transporte público, há muitos trabalhadores pedestres e ciclistas a circular. Nossa frota de ônibus urbano é ínfima e de péssima qualidade, com poucas linhas, incapaz de atender a demanda atual por mobilidade urbana. Apesar de sua importância continua potencialmente perigosa para ciclistas e pedestres. É urgente pensar nessas deficiências visto que a rodovia foi um presente para o horizonte da nova cidade porém esta tem o dever de abraçar pedestres e ciclistas.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

a presença de arapiraca

Na foto acima pode-se observar as dimensões espaciais das duas maiores cidades do estado. Ali junto ao mar, a capital Maceió, hoje com algo em torno de 1 milhão de habitantes. No centro do estado, Arapiraca, hoje com algo em torno de 250 mil habitantes.